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março 20, 2005

A morte dos dois policias na Amadora

Hoje, dia 20 de Março foram assassinados dois agentes da PSP que faziam patrulhamento num dos vários bairros problematicos que rodeiam a capital.

Os pormenores são interessam à notícia que se esgotará daqui a alguns dias, mas existem algumas questões realmente importantes subjacentes a este fenómeno novo que é do assassinato de polícias:

a) A preparação da polícis, no que respeita a treinamento, parece ser miserável. No caso em análise, um agente foi baleado e os dois restantes acorrem a ajudá-lo, virando as costas ao agressor. Não seria mais sensato ter ficado um a dar cobertura ao segundo que prestava assistência ao seu colega? Aquilo que se passou revela um baixo nível de treino e também muita cabeça quente, justificável num civil, mas de um agente da autoridade esperava-se mais sangue frio. E neste caso, o "sangue quente" custou uma vida adicional.

b) Porque continuam a enviar agentes sem colete à prova de bala para estes locais? É incompreensível que a maioria dos coletes sejam comprados pelos próprios agentes. Não existem razões orçamentais que justifiquem tal laxismo por parte do Estado português

c) Exigem-se mais do que simples declarações de pesar por parte do Ministro da Administração Interna, António Costa. Urge que faça justiça ao seu prestigio e que anuncie medidas para travar este galopar da criminalidade violente que começou à cinco anos. Há que olhar para o modelo Nova Iorquino e ver o que se pode aprender nele, e reconhecer que boa parte do seu sucesso se deveu precisamente no reforço da autoridade da polícia. A este propósito recordemo-nos de que o Ministro da Administração Interna do P.S. que repetidas vezes tomou posições contra a polícia está agora de volta, desta feita como Ministro da Justiça.

d) É necessário desbloquear as verbas para a construção de habitação social para estes locais do concelho da Amadora, de modo a facilitar a operação da polícia nesses hoje labirínticos bairros e melhorar as condições de vida da população, fazendo-a afastar da marginalidade e de vidas feitas à margem da sociedade em que estão inseridos.

e) É necessário dar continuidade aos programas de apoio à juventude que o governo anterior mandou suspender. Os jovens que estes programas tiravam da rua estão hoje de regresso aos gangs de sempre.

f) Estando o tráfego de droga ligado a cerca de 60% de toda a criminalidade, há-que repensar seriamente toda a estratégia de combate à mesma, e determinar onde está a falhar? Falta prevenção? Acção policial? Ou teremos que repensar a própria proibição?

Publicado por ruipmartins às março 20, 2005 10:25 PM

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