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março 25, 2005
SABIA Q: O Fim do Império Romano e o Fim do Mundo Contemporâneo

Todas as civilizações são temporalmente finitas. E não é por vivermos na mais sofisticada de todas aquelas que a História conheceu que devemos alimentar a ilusão da sua eternidade. Existem aliás numerosos indícios de que a chamada "Civilização Ocidental", de matriz anglo-americana, se aproxima rápidamente do seu Ocaso.
Após o colapso da União Soviética e a decomposição de quase todos os regimes comunistas restou apenas uma única superpotência: os Estados Unidos da América.
Nunca antes na História se repetiu uma situação semelhante, com excepção talvez para o predomínio britânico no início do século XIX.
Mas apesar de todos o poderio militar e económico dos E.U.A, a verdade é que crescem os indícios de que a imensa extensão do seu domínio começa a ser demasiado grande, mesmo para os seus gigantescos recursos (o orçamento militar dos EUA é hoje igual a todo o PIB da Rússia).
À semelhança do Império Romano do século III, que tinha, também ele, crescido para além das suas capacidades defensivas, o seu sucessor modernos deixou-nos repetidos insucessos em Cuba e mais recentemente no Vietname, Somália e até no Iraque onde após uma vitória fulgurante se assiste a um impasse desfavorável às forças de ocupação americanas. Estas derrotas, mais ou menos humilhantes, minaram seriamente o prestígio americano no mundo e podem até indicar que o "século americano", que começou com a libertação da Europa pelos G.I.s americanos se aproxima do seu fim.
Quando uma potência militar se recusa a arriscar a vida dos seus soldados na defesa dos seus interesses e não hasita em utilizar "soldados de procuração" (o exército do "Vietname do Sul", a "Aliança do Norte" no Afeganistão e a "Guarda Nacional" no Iraque), assistimos uma vez mais a um fen´´omeno semelhante ao dos ´´ultimos s´´eculos do Imp´´erio Romano.
Com efeito, a partir do século II, os imperadores romanos têm cada vez mais dificuldade em recrutar os seus concidadãos e em levá-los a defender as fronteiras do império. A partir dessa época chegam os primeiros mercenários visigodos, ostrogodos e francos, que se instalam progressivamente, primeiro como "tropas auxiliares" e, posteriormente, recebem mesmo "contratos" para defenderem provincias inteiras sem serem sequer enquadrados no Exército Romano.
As semelhanças com o moderno exército dos EUA são flagrantes.
Na "Operação Raposa do Deserto" nem um só soldado de infantaria participou nesta campanha contra o regime de Saddam Hussein. Foram no tentanto lançados mais mísseis de cruzeiro Tomahawk que durante toda a anterior "Tempestade do Deserto" e os meios aéreos envolvidos foram enormes, contudo, nem um infante, porquê?
Simplesmente, porque a opinião pública americana não seria capaz de tolerar mortes americanas. é certo que embalados pelo sucesso no Afeganistão, no Iraque já enviaram mais de cem mil soldados de infantaria, mas fazem-no de um modo relutante, e acreditaram que em menos de um ano as tropas estariam de volta. Sabe-se agora que irão permanecer no Iraque até pelo menos 2006... A intenção era ir e regressar, mas a coisa correu mal...
O americano médio está pronto a lucrar com as vantagens económicas que resultam da sua posição ímpar no mundo, mas não está disposto a arriscar a sua vida e a dos seus filhos por ela. É precisamente por esta razão que a médio prazo os níveis de baixas americanas no Iraque irão levar à retirada americana do Médio Oriente.
Esta relutância leva os líderes norte-americanos a verem-se forçados a empregar dispendiosos e avançados meios tecnológicos contra os seus adversários, ou, sempre que possível a usarem soldados de outras nações nas "suas" guerras: croatas contra sérvios, na ex-Jugoslávia; Ugandeses e Ruandeses contra Kabila; Sul-Vietnamitas contra o Vietcong; no Afeganistão A Aliança do Norte.
Mas o mercenário preferido dos EUA é o cibernético: mísseis de cruzeiro, sofisticados sistemas de "scrambling" d
Publicado por Rui Martins às março 25, 2005 02:18 PM
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