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março 21, 2005
Os gratificados da PSP

Em maré de assassinatos a polícias, importa sublinhar umas das anomalias mais flagrantes quanto ao funcionamento da PSP (e da GNR, presume-se): Os serviços gratificados :
a) Agentes desportivos:
Aquando da realização de um qualquer "grande jogo" é frequente a PSP deslocar para o estádio onde este se vai verificar centenas de agentes. Nos chamados "jogos de risco" a presença de 400 agentes não é rara, colocando-se imediatamente a questão: de onde vieram estes agentes? A menos que a PSP mantenha um armazém frígorífico com polícias congelados, estes polícias têm que ser desviados de outras tarefas de policiamento. Isto é, para manter na ordem uns quantos desordeiros das claques, toda a comunidade sofre uma quebra de segurança. É certo que pode argumentar-se que boa parte dos meliantes fazem parte das claques e que - consequentemente -não estarão a assaltar ou a violar à hora dos jogos, mas ainda haverá bastantes em livre e não-vigiada actividade nas ruas.
b) Quantos agentes estão a prestar serviços gratificados?
Caminhando num sábado de manhã na Avendida de Roma, num espaço de cerca de 300 metros encontra-se um polícia à porta da Zara, outro, à porta do Minipreço, outro à porta da Ourivesaria Torres e outro, a dez metros do terceiro, à porta da assembleia municipal. Num raio de 300 metros quantos mais haverá? E em toda a cidade de Lisboa? Quantos polícias estão em Lisboa á porta de estabelecimentos comerciais e da casa de políticos? Demasiados para o crescimento do crime violento nos últimos cinco anos... E sabia que se um destes polícias vir um assalto no outro lado da rua, não pode intervir? Ou seja, não pode deixar a porta que lhe está a pagar o gratificado? É a completa mercenarização da autoridade policial...
c) As multas de trânsito e os "prémios de desempenho"
Os péssimos vencimentos da PSP são domínio público. E este nível salarial é o maior problema que as forças de segurança sofrem em Portugal. São esses baixos salários que explicam a dependência dos polícias dos serviços mercenários conhecidos como "gratificados".
Usados como meio de pressão e manipulação pela hierarquia, os gratificados podem estar na raíz de alguns movimentos de "caça à multa", pois, segundo parece, os polícias que mais multas conseguirem aplicar são depois premiados com um acréscimo do serviço gratificado. A ser verdade, isso explicaria a "caça à multa" e minaria severamente a autoridade das forças policiais. Não queremos acreditar que assim seja.
Publicado por Rui Martins às março 21, 2005 04:08 PM
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Comentários
Ora bem, em primeiro lugar, queria só frisar duas questões, que me parecem pertinentes.
1.ª Os serviços gratificados, não retiram polícias da rua, são feitos sim, nas horas de folga dos agentes, para quem os quer fazer.
2.ª Completamente falso, essas afirmações de que, quem mais multa é mais recompensado... antes pelo contrário, quem mais multa, é mais prejudicado, pois tem de "escrever" mais, e agora com o novo código da estrada, se o infractor não pagar no acto, têm de ser "escritos" pelo menos 5 papeis.
Qq coisa que queira saber sobre a polícia, pergunte, não insinue!
Obrigado!
Publicado por: SPP às abril 18, 2005 06:12 PM
Sobre o primeiro ponto: fica a informação, que efectivamente desconhecia. E já agora: ainda bem que assim o é, dada a multiplicação actual de agentes em serviços gratificados.
Sobre o segundo ponto: Aquilo que soube referia-se ao funcionamento de uma esquadra de Lisboa (desconheço qual) e onde o comandante distribuiria os gratificados pelos agentes de acordo com o seu nível de multas. Pode tratar-se de um caso isolado, ou mesmo infundado. Mas que o rumor corre a praça, corre. Com efeito, tal foi-me contado por um taxista, pelo que a informação vale o que valer a confiança da pessoa, e essa desconheço qual seja.
Da última frase, fica a ideia que existe da minha parte uma atitude negetiva em relação à polícia. Nada mais longe da verdade! Para o constatar basta ver outros posts neste blogue.
Por fim, o mecanismo do "gratificado" assenta em bases imorais e depende dos baixos salários auferidos pela Polícia. Retira dignidade aos agentes e ao Estado transformando em "seguranças" ao serviço de interesses privados. Choca-me particularmente o facto de saber que um agente colocado numa joalharia poder assistir a uma violação e não poder intervir. É assim?
Publicado por: Rui Martins às abril 18, 2005 08:09 PM