« abril 2005 | Main | junho 2005 »
maio 31, 2005
Nove Soluções para a Misteriosa Origem de "OK"
Existem várias variantes de explicações para a expressão "OK".
1) Uma das mais populares (mas também uma das menos credíveis) baseia-se na lenda de que durante a Guerra Civil americana (1861-1865), os oficiais nortistas que tinham a responsabilidade de contar as baixas usavam a fórmula "0 Killed" (0 mortos) que escreviam numa placa, daí a "OK" seria apenas um passo.
2) A palavra índia "oke", da tribo Choctaw que significava "tudo está bem".
3) "Ok" seria uma forma incorrecta de abreviar a frase "All Correct" (Oll Korrect), que teria sido usada pela primeira vez pelo presidente americano Andrew Jackson.
4) O controlo de qualidade na fábrica de Henry Ford era da responsabilidade de um alemão de nome Otto Kaiser: O.K.
5) Segundo a teoria de um catedrático equatoriano na época do telégrafo, o alfabeto Morse não era no início usado por todos os telegrafistas, mas um deles tinha um particular cuidado nas suas mensagens: o seu nome era Oscar Kevin: "O.K."
6) No começo do século, em Nova Iorque muitos emigrantes gregos trabalhavam no cais como estivadores. No seu trabalho de carga e descarga, quando davam um caixote como pronto para ser embarcado escreviam nele "Olá Kalá", "tudo bem", em grego...
7) Em irlandês, a expressão "Och Aye" significa "Oh, sim", lendo-se "Ock-Ai", resultaria assim em "OK".
8) "OK" é o oposto de "K.O." expressão usada no pugilismo e que corresponde a derubar e deixar inconsciente um adversário, seguindo esta tese, o oposto de estar derrubado (K.O.) seria estar "OK"...
9) Na década de trinta do século XIX o jornal Boston Morning Post tinha por hábito escrever iniciais e logo a seguir o seu significado. Por vezes, para introduzir uma nota de humor, escrevia mal esse significado. Numa dessas ocasiões escreveram "OK (All Correct)"...
Posted by ruipmartins at 12:22 AM | Comments (0)
maio 30, 2005
Votar NÃO
O rotundo NÃO à Constituição Europeia proferido pelos franceses veio dar uma chapada nos rostos anafados dos eurodeputados que "descansam" em Estrasburgo e à eurocracia que suga os contribuintes a partir de Bruxelas.
Este simulacro de democracia que nos governa e que tem no "governo europeu" a melhor concretização não vai hesitar em manipular a realidade e fazer-se aprovar mais cedo ou mais tarde. Se a este Referendo dissermos que não, eles farão outro e outro ainda, até que a maioria dos eleitores de canse e eles vençam, mas a hoste de seguidores que sempre acolhem qualquer coisa que os seus partidos lhes digam para acolher.
Quem elegeu o senhor Fujão Barroso para Comissário Europeu e os Juízes do Tribunal de Justiça Europeu? E os comissários? E o "senhor PESC"? E o presidente da UE e o ministro do estrangeiros que esta Constituição nos quer impingir?
Esta Constituição visa sobretudo perpetuar e reforçar o poder da alta finança e dos magnates (como aquele grego que pagou as férias a Fujão) sobre os órgãos políticos da União. Esta Constituição era apenas mais uma forma dos mesmos se perpetuaram no poder, entregando tachos aos amigos e estes aos amigos dos amigos, alheando sempre os eleitores e os cidadãos europeus.
Este voto foi sobretudo um voto contra a eurocracia e não um voto contra o governo françês conforme os nossos Media repetem até à exaustão, só se calando quando nos convencerem.
No passo seguinte, o "centrão" PS-PSD e os Media por eles controlados vão dizer-nos que votar NÂO em Outubro é ser retrógado, anti-europeu, recusar as verbas do fundo de coesão. Tudo balelas com que nos querem enganar.
Votar NÃO é dizer não a este modelo liberal e não-democrático de Europa, mas pode ser dizer SIM a uma Europa solidária, social, forte e militarmente resistente (mas com um presidente e ministro dos estrangeiros eleitos por todos os europeus). Votar SIM, pode ser também dizer SIM à entrada da Turquia otomana, muçulmana e chacinadora de curdos e arménios que os financeiros e industriais alemães nos querem impingir.
Posted by ruipmartins at 02:36 AM | Comments (6)
maio 29, 2005
Carrilho passeando pela Avenida
Hoje encontrei o candidato do PS à Câmara de Lisboa, Manuel Maria Carrilho passeando pela avenida de Roma carregando às costas o seu infante. Carrilho dirigiu-se à Livraria Bertrand e entrou nela caminhando directamente para a prateleira de arquitectura e urbanismo. Óbviamente, anda a actualizar-se sobre o tema...
O que levanta a questão: que curriculum tem Carrilho para ocupar a presidência da mais importante Câmara do país, da Câmara que gere um orçamento maior do que muitos ministérios e mais generoso do que o de alguns pequenos países (e também um dos mais deficitários do mundo...)? Onde estão as suas provas como gestor, como autarca, administrador, etc?
Essa provas não existem. De professor universitário a ministro da Cultura, passando por aparições televisas e nos jornais, Carrilho não tem esse perfil. É uma criação dos Media, com uma coragem política notável (veja-se o seu desempenho no Congresso do PS) e uma inteligência e culturas raras neste pequeno Portugal, mas não é a figura que se esperaria encontrar à frente dos destinos da maior Câmara do país, ainda seriamente ferida depois de anos da incompetente e desnorteada gestão santanista.
Carrilho é uma testa-de-ferro que os eleitores conhecem da televisão, e, provavelmente, por essa razão, irão colocar no poder.
Carrilho é a consumação acabada de um modelo de democracia falhado, onde os Media fazem e desfazem os seus "monstros" e onde o mérito dos políticos pouco ou nada tem a ver com as suas vitórias eleitorais.
Posted by ruipmartins at 10:23 PM | Comments (10)
“Reflexão” de Agostinho da Silva: A grande façanha de Portugal
“Reflexão” de Agostinho da Silva; Guimarães Editores, Lisboa, 1990
página 29
“(...) a grande façanha de Portugal. O que Portugal fez de maior no mundo não foi nem o descobrimento, nem a conquista, nem a formação de nações ultramarinas: foi o ter resistido a castela. O ter mantido, através de sangue e fogo, o princípio de independência dos territórios periféricos. E o ter mostrado, naquilo que cabia em suas forças, e mais do que isso, porque verdadeira história só se faz assim, naquilo que estava muito para além de suas forças, de que modo uma Espanha livre e convivente poderia ter transformado a face do mundo.”
Posted by ruipmartins at 06:45 PM | Comments (0)
Parte 14: A Escrita Cónia: A Sociedade Cónia Decadente e as Razões para o seu Colapso
Os locais de povoamento cónio que os trabalhos arqueológicos nos permitiram conhecer são formadas por pequenos agrupamentos de habitações rectangulares, apresentando vários núcleos contíguos. Em comum, para além da sua pequena dimensão, têm também o facto de não terem sido construídas em locais elevados, adequados a posições defensivas naturais. Esta quebra de tradição com os povoados calcolíticos que os precederam na região, indicia uma época sem ameaças militares significativas e mas que também seria a causa principal para o rápido e fulminante sucesso dos invasores indo-europeus vindos do centro da Península Ibérica.
Com efeito, o sucesso dos invasores célticos resulta em primeiro lugar da falta de preparação militar dos cónios, habituadas a séculos de paz e à ausência de fortificações nas suas povoações, mas, sobretudo, ao carácter descentralizado da sua civilização, muito semelhante a uma federação de cidades como a da Etrúria e destituída de um centro político e de um comando unificado. E contudo, tudo poderia seria diferente se estes invasores tivessem encontrado uma civilização no seu apogeu. Não foi efectivamente esse o caso. Temos testemunha disso mesmo nos túmulos. Se inicialmente chegavam a apresentar estruturas envolventes, com círculos de pedras ou muros em ser redor, na fase mais tardia esta monumentalidade decresce e a riqueza das oferendes funerárias diminui.
Posted by ruipmartins at 02:41 PM | Comments (0)
Observada Mancha Desconhecida em Titã

A nave Cassini operada em conjunto pela ESA, NASA e ASI (Agência Espacial Italiana) detectou um clarão estranho na superfície do satélite saturniano Titã que orbita desde que lançou a sonda Huygens para a superfície de Titã.
A mancha avistada tem as dimensões da Irlanda, com cerca de 483 de circunferência. Os cientistas acreditam que pode ser resultado de actividade vulcânica ou um impacto de um grande meteorito. Existe igualmente a possibilidade de se tratar de actividade atmosférica de natureza desconhecida.
Para saber mais clique aqui
Posted by ruipmartins at 02:25 PM | Comments (0)
"Reflexão" de Agostinho da Silva: A Europa da gente loira
“Reflexão” de Agostinho da Silva; Guimarães Editores, Lisboa, 1990
página 26
“(...) daquilo a que hoje se chama Europa, não creio que a Europa da gente loira, ordenadora e filosófica seja muito mais do que isso, ordenadora e filosófica, e possa ver-se livre, a não ser por uma transformação que lhe atingiria o próprio cerne, daquele feitio utilitário, prático e mecânico, que a América do Norte, sua herdeira, lebou às últimas consequências.”
Posted by ruipmartins at 01:49 PM | Comments (0)
O Fim da Agfa e o Sim
A Agfa Photo acaba de declarar falência. A histórica empresa de origem belga empregava actualmente 2400 pessoas, 1800 das quais na Alemanha. Havia sido adquirida à pouco tempo por um grupo financeiro, que se esperava que desse continuidade à empresa. Em vez disso, encerram uma das mais emblemáticas empresas europeias...
A situação da empresa era financeiramente estável e havia sido aprovado um novo logotipo para a marca há poucos meses atrás. Nada fazia prever o seu encerramento. E contudo...
É esta a Europa das Falências e do Primado da Especulação que nos querem fazer votar. Vamos dizes que Sim a isto?
Posted by ruipmartins at 11:52 AM | Comments (0)
Novamente a Obsessão do Déficit
Portugal anda novamente obcecado com o déficit.
Nas televisões, nos jornais, nas ruas, nos empregos, nos cafés, em todo o lado se debate, bate, fala, refala, sobre o maldito e enfastiante déficit.
Portugal parece sofrer de uma amnésia súbita que o fez esquecer a mais grave crise económica desde a década de quarenta do século passado. Esqueceu também a crescente massa de desempregados que começa a tocar todas as famílias, as faltas de perspectivas para a juventude, a estagnação do seu meio cultural, enclausurado entre os "cultos" que orbitam nas televisões.
Na pequenez que caracteriza o português pós-Alcácer Kebir, ansiamos por agradar aos "Outros", por nos mostrarmos o "bom aluno" cavaquista e não hesitamos em sacrificar a nossa Economia desde que os europeus "gostem de nós".
É óbvio que um país que atravessa uma crise tão grave tem que injectar dinheiro na economia; é ónvio que para combater uma crise desta grandeza o governo tem que investir mais do que os 5% de orçamento que foram previstos para este ano. A França e Alemanha não hesitaram em violar os limites do PEC em anos de crise, porque é que uma das mais fracas economias da Europa tem que cumprir onde os grandes incumpriram?
Basta de cobardia. Diga-se não aos senhores da Europa.
E podemos começar a dizer NÃO no Referendo Europeu. Sigamos o exemplo françês e holandês que certamente vão dar um chuto no rabo da eurocracia que nos quer governar.
Posted by ruipmartins at 12:17 AM | Comments (0)
maio 26, 2005
A Carne será mais forte que o Aço?
Uma estranha e lacónica notícia da TSF desta manhã dizia que "um veículo militar norte-americano ficou completamente destruído por um engenho explosivo. Nao houve feridos nem mortos resultantes do incidente".
Assim se prova que o governo dos EUA anda a sonegar informação quanto às suas baixas no Iraque. Ou isso, ou a carne é mais forte do que aço...
Posted by ruipmartins at 01:08 PM | Comments (0)
Facturas Dedutíveis no IRS para tudo!
Porque é que o governo não abre a todas as despesas a exigência de facturas e a sua dedução no IRS? Em troca de umas migalhas devolvidas no IRS, todas as despesas seriam dedutíveis, e toda a economia parelela que sobrevive da não apresentação de facturas cessaria.
Ora aí está uma medida fácil de implementar e de alto rendimento.
Posted by ruipmartins at 01:03 PM | Comments (2)
Premiando o desempenho orçamental no Estado
Sem dúvida que é na função pública, no chamado "funcionalismo" que se encontram algumas das raízes para este deficit estrutural que assola este país desde pelo menos meados da década de oitenta.
Nas empresas privadas é comum a existência de prémios de desempenho pagos aos funcionários em função do desempenho económico da empresa. E se um sistema semelhante fosse aplicado ao Estado? E se de acordo com a execução do Orçamento, fosse atribuído um prémio pecuniário a cada funcionário? Um prémio que seria percentual, de modo a respeitar o princípio de maior ordenado -> maior responsabilidade. Se o desvio em relação ao orçamentado fosse negativo, o prémio seria muito alto, se pelo contrário se desse o inverso, pagar-se-ia mais. Tudo podia ser feito sem recorrer a pagamentos directos, fazendo subir ou descer o escalão do IRS do funcionário público, por exemplo.
Posted by ruipmartins at 12:54 PM | Comments (0)
O Monstro Imobiliário que nos devora a todos por dentro
Se os preços da habitação estão ao Portugal ao nível mais alto de sempre - apesar da mais série crise económica desde 1940 - muito desta irracionalidade se deve certamente às "Agências Imobiliárias".
São estas que inflacionam os preços para cobrarem mais comissão, são estas que puxam o preço para cima, porque como recebem sobre uma percentagem da venda (normalmente 3%) se o valor absoluto fôr 100 mil contos, cobram 3% sobre 100 mil, e logo, têm um interesse em que as casas se vendam sempre mais caras. Como consequência deste inflacionamento, os compradores, anos depois, quando tornam a vender as casas, têm que encaixar este aumento no valor da venda, e como as colocam à venda em agências, estas, tornam de novo a aumentar ainda mais o preço. E assim se entra nesta louca espiral inflacionista.
O imenso e escandaloso sucesso do ramo da intermediação imobiliária está a estrangular a vida de todos nós em prol do lucro babilónico de uns quantos. O mercado é aliás tão rentável que multinacionais como a Remax e Forêt vieram para Portugal para contribuirem ainda mais com o agravamento dos preços da habitação.
E quando uma família portuguesa dedica 60%/70% do rendimento para o pagamento do empréstimo, algo está muito mal... É necessário quebrar este ciclo vicioso imposto pela imobiliárias.
É necessário que o Governo aja e cumprindo o seu papel de regulador, regule aquilo que está desregulado.
E pode começar por definir patamares e percentagens máximas de aumento de uma habitação por ano e por zona geográfica. Pode depois, e com urgência, obrigar as agências a não cobrarem comissão e, percentagem, mas num valor fixo, ou seja, o trabalho de vender uma casa de 30 mil contos e uma de 300 mil é assim tão diferente? Porque é que não se cobra um valor fixo pela venda, em vez de uma percentagem sobre o valor da venda?
Ora aí está mais um lobby para enfrentar...
Posted by ruipmartins at 10:47 AM | Comments (4)
maio 24, 2005
Parte 13: A Escrita Cónia: Os Cempsii
Octávio da Veiga Ferreira e Seomara Bastos da Veiga Ferreira, A Vida dos Lusitanos no Tempo de Viriato: "Assim, no antigo Algarve ou Cyneticum, habitavam, fazendo parte dos cynetes, a tribo dos Cempsii e, por isso, mais tarde, Avieno chama ao actual cabo Espichel lugum cempsicum." Segundo estes historiadores, os cempsii viveram em pleno “Cuneum Ager”, seriam assim uma variante étnica dos cónios, talvez com fortes influências lígures ou célticas? Hipóteses que permanecem em aberto, na falta de qualquer indício significativo que permita elucidar melhor esta questão da relação entre Cempsii e Cónios.
Posted by ruipmartins at 08:09 PM | Comments (0)
Mau Mau, José...

O discurso socrático de "estou estupefacto", as pressões dos economistas e dos "opinion makers" residentes nas televisões, e até notícias que surgiram na imprensa de que ou havia aumento de impostos ou o Ministro das Finanças apresentava a sua demissão, tudo, mas tudo mesmo, aponta para a preparação da quebra da promessa eleitoral de que mão haveria aumento de impostos nesta legislatura.
Sócrates disse muito claramente que "comigo, não haverá aumento de impostos", e agora, tudo parece encaminhar-se nesse sentido? Mas não há aqui um certo "deja vu" em relação ao governo Fujão Barroso?
Mais do mesmo, outra vez?
Esperemos que este rumores do aumento, do IA, do Imposto sobre o Tabaco, do IVA, não se concretizem. A economia não está em estado de suportar um aumento generalizado dos impostos. Um pequeno aumento é contudo razoável, especialmente, em consumos não essenciais, criando talvez uma nova classe de items sujeitos a um IVA mais alto, mas aumentar a carga fiscal (sobretudo no IRS) seria comprometer a retoma que tem que acontecer - custe o que custar - até finais deste ano.
Posted by ruipmartins at 08:02 PM | Comments (2)
maio 23, 2005
Ainda o Deficit...
Agora o relatório do muito injustamente idolatrado "Constâncio" veio dizer o que já todos sabiam: o deficit orçamental português está acima dos 6.8%. Recordemo-nos de que este Constâncio é o mesmo que renovou a frota de Mercedes do Banco de Portugal no mesmo mês em que apelava à "contenção salarial".
Ora isso não é nenhuma novidade. Sabia-se que o anterior orçamento tinha cumprido (no limite) os patamares impostos por Bruxelas apenas pela armadilha das "receitas extraordinários" que nada mais fazem do que hipotecar o futuro em troca da resolução fugaz de um problema conjuntural (i.e. "o que podemos fazer para desenrascar esta bronca do buraco do deficit?"). Mas a novidade está em sabermos que os sacrifícios dos governos Barroso (cuja Comissão paira agora sobre nós como abutres aguardando o termo do moribundo) para nada serviram. Não só mantiveram o deficit de 4.8% do Guterrismo, como o conseguiram aumentar para 6.8%!
Portugal tem claramente um problema nas mãos: Temos um Estado demasiado grande e ineficiente para aquilo que podemos pagar.
A solução, apesar do que dizem os economistas (justificando assim a existência da sua nebulosa e inútil profissão), só pode consistir numa ofensiva simultânea a três frentes:
a) Gastar menos
b) Gastar melhor
c) Cobrar mais
Nestas vertentes a terceira é de longe a mais perigosa. Se o Estado aumentar dramaticamente a sua cobrança arrisca-se a estrangular a nossa já débil economia. Em vez de salvar a criança, arrisca-se a matá-la de fome... Nenhuma economia consegue recuperar com um aumento dramático da carga fiscal. Isso até os "economistas" reconhecem... O mais sensato poderia ser gastar menos e melhor. Todas as despesas devem ser justificadas, tendo sempre em vista o retorno financeiro de curto ou médio prazo. Todos os investimentos de longo prazo devem ser suspensos (Aeroporto, TGV, etc.); todos os investimentos de retorno imediato ou de curto prazo devem ser antecipados (renovação de material militar em industrias portuguesas, rede de água do Alqueva, etc.) E o Estado deve identificar os seus órgãos onde estão pessoas a mais e transferi-las para os sectores onde este escasseia (Assistentes sociais, sempre cronicamente insuficientes; muito mais assistentes e funcionários para os Tribunais; mais pessoal para os postos de atendimento dos vários serviços do Estado, etc.). Finalmente, os impostos sobre as empresas devem ser reduzidos e a sua fiscalização aumentada em igual proporção para que todos possam pagar muito menos, mas que todos paguem.
Nada disto é novo. Nada disto é revolucionário.
E contudo, nada disto é feito, por crónico medo de mudar, por adesão fatalista ao "estado das coisas", por tradicionalismo bacaco, como muito justamente diagnosticou o filósofo José Gil, em "Portugal, o Medo de Existir" (Relógio de Água).
Posted by ruipmartins at 08:36 PM | Comments (0)
maio 22, 2005
O "Reino dos Céus" e o Rigor/DesRigor Histórico

Embora o rigor histórico do "Reino dos Céus" seja geralmente muito reduzido, um episódio demonstra que o argumentista leu as crónicas com muita atenção... É o episódio em que Reynold e Guy de Lusignan são levados à presença de Saladino.
No filme, Saladino oferece a Guy uma taça de gelo (na verdade, uma taça de água de rosas com gelo) como sinal de que poupará a vida do Rei cristão. Guy passa-a a Reynold, crendo que também este teria a vida poupada, mas não era essa a intenção de Saladino, que furioso a tira da mão do nobre e o mata pelas suas próprias mãos.
Toda a cena é idêntica à descrita pelo cronista, inckuindo a frase "um rei não tira a vida a outro rei", exceptuando o pormenor da decapitação de Reynold que Riddley Scott alterou para um punhal cravado no pescoço.
Se conheciam os textos, porque é que no resto do filme se optou pela fuga sistemática à verdade (bem diversa, do Alexander de Oliver Stone, diga-se)? Se se pretendia reforçar a espectacularidade do filme ou o enredo podia-se omitir aqui e além, inventar personagens em vez de usar personagens históricos com comportamentos deturpados. O que se passa em Hollywood para um realizador tão conceituado não hesite em fugir à verdade e se ponha a inventar treta sobre treta? E o filme, até é mais rigoroso que a maioria... Agora imagine-se o que não são os telefilmes que as nossas televisões de vez em quando nos apresentam...
Posted by ruipmartins at 05:17 PM | Comments (0)
O Filme "O Reino do Céu": verdades e mentiras

O que é verdadeiro:
* Balduíno, rei de Jerusalém, era efectivamente leproso;
* Balduíno, combateu com Saladino com 16 anos apenas Montgisard (25 de Novembro de 1177), com algumas centenas de cavaleiros bateu os 26 mil cavaleiros muçulmanos comandados pelo próprio Saladino;
* A irmão do rei Balduíno, chamava-se de facto Sibila e casou com um nobre franco de nome Guy de Lusignan, este formou um dos vários partidos pela sucessão a Balduíno. Raimundo de Tripoli, regente de Balduíno e os barões nascidos no Além-Mar formavam o outro partido de sucessão, defendiam a paz com os sarracenos enquanto o partido de Guy, advogada a guerra com Saladino;
* Em 1180 foi assinada uma trégua de dois anos entre Balduíno e Saladino;
* Reinaldo, era o senhor do castelo de Kerak, e foi nos seus arredores que atacou uma caravana muçulmana, quebrando a trégua existente, mas na altura, Balduíno estava confinado ao leito, cego e incapaz de qualquer acção, não ergueu nenhum exército nem saiu para Kerak, como afirma o filme;
* Balduíno, ainda em vida, entregaria a regência a Guy de Lusignan, pressionado pela mão, pelo patriarca e pela própria irmã, Sibila... Exactamente, o oposto da história narrada no filme.
* O regente Guy de Lusignan foi deposto em 1183 e o seu enteado sobrinho de Balduíno foi proclamado novo herdeiro do trono.
* Sibila, declarada rainha em Acra, e coroada por Heraclio, coroou Guy.
* A falta de água foi o grande problema e a maior causa da derrota cristão na batalha dos "Cornos de Hattin" entre Guy e Saladino.
* Após a derrota da Batalha dos "Cornos de Hattim" os cavaleiros das ordens militares foram efectivamente decapitados por ordem de Saladino.
* Saladino ofereceu de facto a Guy na sua tenda uma taça de água de rosas, refrescada com neve. Guido bebeu e passou a taça da Reynold, mas Saladino, furioso, enumerou os pecados de Reynold e decapitou-o. Disse, por fim, de facto, "um rei não mata um rei".
* Balião era casado e tinha filhos. Embora estive retirado em Tiro após a derrota da Batalha dos "Cornos de Hattin", tinha a mulher e filhos em Jerusalém. Balião pediu a Saladino um salvo-conduto para ir recolher a família a Jerusalém, e conseguiu-o, desde que não fosse armado e ficasse apenas uma noite em Jerusalém. Quando chegou à cidade santa, os seus habitantes não o deixaram sair, pedindo-lhe que organizasse a defesa. Balião aceitou, mas pediu a Saladino que deixasse sair na mesma a sua família, o que este acedeu, apesar do desrespeito pelo acordo inicial.
* Ricardo, Coração de Leão, empreendeu de facto uma cruzada para salvar o que restava do Outremer.
O que é "invenção":
* Na batalha de Montgisard, Balduíno não era o "jovem formoso" que o filme diz, mas combateu já com as mãos envoltas em ligaduras escondendo as chagas da lepra.
* Os templários com a construção da fortaleza de Chastelet em 1178/9 desafiaram as tréguas com Saladino e este respondeu com uma batalha travada nos arredores da fortaleza, mas, ao contrário do que diz o filme, Balduíno e o Senescal templário bateram-se lado a lado contra Saladino, sendo batidos por este. Pouco depois, o castelo seria tomado e arrasado por Saladino.
* Balian, combateu ao lado de Guy de Lusignan dos "Cornos de Hattin", não se deixando ficar em Jerusalém, como no filme.
* Na cena final, no cerco de Jerusalém, não há cavaleiros, mas de facto, havia dois cavaleiros, e a cena da consagração dos cavaleiros é totalmente fictícia.
* Após a conquista de Jerusalém, Saladino não deixou simplesmente sair todos os cristão... Dos 20 mil que havia na cidade, 7 mil foram resgatados com dinheiro do tesouro real e das ordens militares, mil e cem foram de facto soltos e os milhares remanescentes - que não podiam pagar resgate - foram feitos escravos.
Posted by ruipmartins at 12:15 PM | Comments (4)
maio 18, 2005
Parte 4, "A Ditadura Benigna": Alternativas ao Sistema Democrático
Com as taxas de abstenção existentes na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, cada vez mais assistimos ao fenómeno de uma minoria de votantes exercer a sua vontade sobre a maioria de abstencionistas. Com o primado do económico e sobretudo com a ditadura dos Media e dos magnates dos Media sobre a Opinião Pública, o espaço da democracia tende mais a reduzir-se e, eventualmente, a desaparecer.
Por isso, uma opção de governo é suprimir de vez o sistema democrático e reconhecer a sua erosão e obsolescência, instaurando o último modelo de governo que apresentámos nesta breve passagem pelos sistemas de governo alternativos à nossa "democracia parlamentar": A "Ditadura Benigna".
Na verdade, já existem alguns núcleos de "Ditadura Benigna" um pouco por todo o lado, por exemplo, na administração do Banco de Portugal (com o seu papel vital na Política Económica), na gestão das empresas, no papel da hierarquia e do comando nas polícias e nas Forças Armadas, etc.
Será que um sistema de governo semelhante, entregando todo o poder a um conjunto de "sábios" oligarcas poderia reger com mais sabedoria o destino das nações? Tendo em vista a qualidade de alguns governos democraticamente eleitos (o caso "Santana" é aqui paradigmático), dificilmente poderia governar pior...
O sistema iria certamente acabar com a partidocracia que infecta o sistema democrático, mas deixaria portas escancaradas para ditaduras menos benignas e suprimiria toda a forma de controlo governamental... Ou seja, seria extremamente fácil á "Ditadura Benigna" transmutar-se em "Ditadura Maligna"...
Posted by ruipmartins at 11:20 PM | Comments (1)
Abaixo a Bola!
O Sporting perdeu: Ainda bem.
Se todos os clubes de futebol portugueses perdessem sempre todos os encontros com equipas estrangeiras: Ainda bem.
Se todos os clubes declarassem falência e fechassem as portas: Ainda bem.
O Futebol é o maior cancro da sociedade portuguesa, verdadeiro ópio de massas que embrutece a mole popular e a empurra para reacções irracionais e para a movimentação aleatória e errática que caracteriza os grande agrupamentos humanos.
O Futebol desumaniza, porque o "humano" é um ser racional, e o adepto de futebol um ser irracional, devorado pela paixão clubística, pela emoção do momento, violenta e absorvente, sanguínea, que "desliga" a mente e suprime a Razão no Homem.
O Futebol - mundo impune - rodeado de milhões de natureza duvidosa alimenta toda uma turba de gente de carácter cinzento e milhares de corruptos que sugam nas suas tetas, alimentadas por sua vez por adeptos fanatizados que não hesitam em tirar à alimentação das suas famílias o dinheiro que desviam para a compra de bilhetes de futebol.
Os Media alimentam esta febre futebolística que devora a Alma Portuguesa, com permanentes injecções de entrevistas a futebolistas que repetem "ad nausea" as mesmas palavras em diferentes comninações frásicas. A Febre que alimentam, alimenta-os também, como se vê pelo número assombroso de publicações desportivas nos quiosques do país, em franco contraste com a escassez de público e publicações culturais.
Não sendo possível acabar com o Futebol por decreto, podemos pelo menos sonhar com o dia em que a crónica insolvência dos grandes clubes os leva à extinção, e que a pobreza dos resultados desportivos provoque tal desilusão nos adeptos, que estes deixem a "paixão autofágica" do Futebol e olhem, finalmente, para dentro de Si e dos Seus, despertando enfim de um sonho drogado chamado: Futebol.
Posted by ruipmartins at 11:02 PM | Comments (9)
maio 16, 2005
A Índia a Caminho da Lua
A União Indiana lançou o seu primeiro foguete com dois satélites. Este é um passo importante para o plano indiano de colocar uma sonda na Lua entre 2007 e 2008 e reflecte bem o grau de desenvolvimento que a industria aeroespacial atingiu na União Indiana.
A China e a Índia posicionam-se cada vez como sérios concorrentes na corrida ao Espaço, aproveitando a letargia americana e russa. Ainda lhes falta um longo caminho a percorrer, sobretudo frente aos níveis de despesa dos EUA e ao engenho e know-how acumulado russo, mas dentro de dez anos, a China encontrar-se-á ao mesmo nível de desenvolvimento aeroespacial da Europa e concorrerá quase ao mesmo nível com a NASA. A Índia, merçê dos seus problemas demográficos, parte em desvantagem, mas a sua determinação e a riqueza e qualidade dos seus quadros científicos permitir-lhe-á ultrapassar rapidamente este atraso. Neste contexto, o sucesso da missão lunar pode revelar-se determinante para o futuro programa espacial indiano.
Posted by ruipmartins at 09:51 PM | Comments (0)
maio 13, 2005
"Uma Batalha de Vida ou de Morte" ???

Num spot que passou à minutos na "SIC Notícias", dizia-se que o próximo encontro entre Sporting e Benfica seria uma "Batalha de Vida ou de Morte". Passando ao lado do compreensível excitamento de alguns fanáticos por esta partida de futebol, surge o óbvio: Só um país muito doente pode achar normal uma expressão desta gravidade aplicada apenas a um desafio de futebol que se repete todos os anos e do qual resultam muito poucas consequências para a vida dos portugueses.
Esta expressão é um insulto a todos aqueles que verteram o sangue por este país ao longo dos mil anos da sua História e devia ser banida do vocabulário jornalístico.
Indica a importância exagerada e doentia que o Futebol tem na nossa sociedade e que provoca impunidades consecutivas que esperemos que a Operação Apito Dourado venha a colmatar. Aliás, a quebra dos resultados desportivos do FCP pode ser já uma consequência dessa Mini-"Operação Mãos Limpas".
É urgente que Portugal dê ao Futebol a importância que ele realmente merece: a de um Desporto, e rejeitar nele a posição de "Religião de Massas" que usurpou. Só assim se pode impedir que "Papas Negros" como Pinto da Costa se assenhoreiem dos destino da segunda cidade do país.
Posted by ruipmartins at 09:28 PM | Comments (0)
O Papa Ratzinger I acha que Harry Potter "dilui a alma"
..."trata-se de subtis seduções, que, de forma despercebida, e precisamente por isso, actuam em profundidade, diluindo o cristianismo e a alma, antes de terem conseguido crescer."
Carta Aberta de Ratzinger à editora britânica de Harry Potter, Gabriele Kuby.
e provavelmente acha que a série devia ir toda para o Index dos Livros Proíbidos.
Posted by ruipmartins at 08:17 PM | Comments (1)
A MG Rover britânica será comprada por um consórcio iraniano?
Circulam rumores - aparentemente credíveis - de que a última grande empresa britânica de construção automóvel, a MG Rover, estaria a ser comprada por um consórcio formando por três fabricantes iranianos de automóveis (Saipa, Khodro e Dastaan).
A venda da MG Rover surge num contexto em que as vendas de Abril de 2005 foram apenas 10% das de Abril de 2004.
O trio de empresas iranianas planeia reabrir todas as cadeias de produção da Rover (entretanto encerradas), nomeadamente as dos modelos 75, 45, 25 e desportivos.
O negócio revela o dinamismo das empresas iranianas e coloca em questão que colocam o Irão na prateleira fácil dos países subdesenvolvidos. Revela igualmente o recuo do sector produtivo no mundo ocidental, subjugado como está por uma tirania implacável do sector financeiro e da especulação bolsista.
Posted by ruipmartins at 08:10 PM | Comments (0)
maio 11, 2005
O Santanismo Retrospectivo do escândalo BES/PP
Santana Lopes igual a si próprio respondeu a um repórter que o interrogava a propósito do escândalo BES/PP: "Os despachos foram assinados pelos ministros, voçê vê nesses despachos a minha assinatura? Se não vê, é porque não sou responsável por esses despachos" (a citação pode não ser exacta).
SL não era responsável pelos despachos dos seus ministros? Por mais esta se vê o tipo de governo que nos ocupou durante aqueles quatro longos meses. O homem nem se sentia "responsável" pelo "seu" governo. Os despachos que os "seus" ministros assinavam não lhe diziam respeito e pelos vistos, nem se ralava muito com eles e acha isso normalíssimo...
E era este que queriam colocar na Presidência da República?
Posted by ruipmartins at 09:56 PM | Comments (1)
maio 10, 2005
Hitler

O recente filme alemão sobre os últimos dias de Adolf Hitler tem provocado alguma inquetitude naqueles que acreditam que esse filme peca por apresentar uma faceta demasiado humana do ditador nazi. Segundo estes críticos, Hitler seria um monstro inumano, uma espécie de excepção incompreensível, um fenómeno não-humano.
E contudo, Adolf Hitler era efectivamente um homem como os demais.
Pretender demonizá-lo, é retirar à sociedade alemã da época (que o apoiou massivamente até ao fim) responsabilidades por aquilo que aconteceu durante o Regime Nazi. Não foi Hitler quem deitou pessoalmente o gás letal Zyklon B para as câmaras de gás; não foi Hitler que fuzilou civis na frente russa; não foi Hitler quem violou e assassinou a dignidade e a vida de milhões de judeis, ciganos, homosexuais e esquerdistas por toda a Europa. Ou melhor, não só Hitler, mas toda uma sociedade auxiliada por muitos fiéis "auxiliarii" ucranianos, croatas, letões, etc.
Demonizar Hitler é negar à sociedade alemã a sua quota parte de responsabilidades pela tragédia da II Grande Guerra, e se esse discurso de desresponsabilização é o Oficial assim é porque essa leitura serve os interesses da Alemanha moderna que continua a não ser capaz de digerir a sua História Recente.
Surgiu Hitler, onde podia ter surgido Doenitz, Karl, Jugger, etc. Hitler foi a cristalização de uma sociedade doente, humilhada pelas indemnização da I Grande Guerra, pela crise económica e pela desmilitarização. Hitler, foi em última consequência dos exageros dos Aliados da I Guerra e, logo, a criatura que os vencedores formaram em 1918. Louco? Talvez, mas não mais do que a sociedade que o elegeu e que apoiou (sem grandes excepções) até ao fim.
Se insistirmos em ver Hitler como uma excepção arriscamo-nos a não reconhecer o próximo Adolfo que se fizer ao poder...
Posted by ruipmartins at 11:19 PM | Comments (2)
A Igreja e o PCP
Existem algumas semelhanças algo irónica entre o actual estado do PCP e o da Santa Sé que têm passado desapercebidas...
a) O Vaticano elegeu um Papa conservador, o PCP, um líder conservador;
b) Podendo aproximar-se dos Homens e dos seus problemas, o Vaticano, como o PCP, escolheram manterem-se fiéis a uma Utopia distante da realidade e que ignora alguns dos seus aspectos;
c) Ignorando os sinais da decadência (perca de militantes/perca de vocações;perca de eleitores/perca de prestígio da Igreja), ambas as instituições optaram pela pureza das ideias em vez da renovação e actualização;
d) Ambas, revelam em suma, uma grande dificuldade em se adaptar aos novos tempos...
Posted by ruipmartins at 07:31 PM | Comments (2)
maio 09, 2005
Parte 12: A Escrita Cónia: As Raízes Étnicas do Povo Cónio
Autores gregos e latinos referem que a região hoje chamada Algarve foi habitada, em tempos pré-romanos, pelos Cónios. E contudo, é provável que em épocas mais antigas fosse maior a área ocupada por esta civilização, como se pode depreender do nome romano de Conimbriga (uma variação a partir de “ Os capcenses foram antecedidos por outra cultura paleolítica que surge no Marrocos e no sul da Península Ibérica, designada por “Iberomarusience” que se desenvolveu em 7.500 a.C. Os capcenses eram caçadores, recolectores e pescadores, mas era o seu apreço por caracóis que os tornaria famosos, sendo os depósitos de cascas destes animais um vestígio típico desta cultura. As pinturas rupestres que surgiram no Saara por volta de 3.500 a.C. revelam uma cultura em que a pastorícia e o gado detinham um papel fundamental. Estas pinturas mostram uma população que por vezes possui rostos caucasianos, e outros, negróides. Esta aparente mistura ter-se-á produzido sobretudo no centro do Norte de África enquanto que a norte haveriam zonas de influência predominantemente caucasiana no norte a par de uma zona povoada por negróides mais a sul. Cavalli-Sforza encontrou nos contemporâneos Fulani os descendentes destes capcenses , que vivem nos dias de hoje na África Ocidental Sub-Saariana. Para além dos Fulani, os descendentes vivos dos Capcenses podem ser encontrados nas populações berberes do Marrocos e da Argélia, com prolongamentos até ao Egipto e Sinai, mas também até à Península Arábica e à ilha de Socotorá. Sujeitos a intensa pressão por parte dos seus vizinhos árabes e beduínos, muitos berberes adoptaram a língua árabe nos séculos VII e XI, resistindo as suas línguas afro-asiáticas nas regiões montanhosas e mais inacessíveis do interior. Os berberes atravessaram o Atlântico e povoaram as Canárias durante o Neolítico onde os guanches de olhos azuis ou cinzentos e cabelos loiros espantaram os invasores castelhanos do século XV. Os primeiros povos indo-europeus chegaram ao sul de Portugal durante o período conhecido como Bronze III fixando-se em torno das minas de cobre desta região, encontrando neste local, os cónios, um povo que parece provir de uma matriz étnica anterior. Durante o período conhecido como “Bronze IV”, terão chegado aquele que é actualmente o nosso território as primeiras vagas demograficamente significativas de Celtas e Iberos, acompanhados pela vanguarda das vagas comerciais fenícias por volta de 1000 a.C. e, pouco depois, dos primeiros navegadores gregos. Estes mercadores estrangeiros provinham de civilizações mediterrâneas – embora de origem oriental -, e essa comunhão de substratos culturais haveria de facilitar a integração desses elementos culturais estranhos nas culturas locais. E foi sem dúvida com estas populações exógenas que se refundou a matriz étnica do povo cónio, num processo que haveria de produzir a aparição de um sistema de escrita autónomo. Mário Saa, citando o Itinerário de Antonino Pio, divide a Lusitânia em três regiões: Lusitânia, Vetónia (segundo o nome dos Vetões) e, finalmente, o “país dos célticos”, situado a sul do Tejo e a Ocidente do Guadiana. Daqui conclui Saa sobre a matriz céltica dos cónios, o que não é certo, mesmo aderindo exclusivamente às suas próprias palavras. As citações do “Itinerário” indicam que as populações célticas eram na época romana dominantes a sul to Tejo, mas não implicam que eram as únicas que aqui viviam. Aliás, a diversidade étnica da Península está bem documentada em muitas fontes clássicas, como se pode observar por exemplo em Heródoto de Heracleia, que no seu décimo livro das “Histórias de Heracles” afirma: “Este povo ibérico, que digo que habita a costa do Estreito, recebe vários nomes, sendo um só povo com distintas tribos. Primeiro os que habitam a parte ocidental, chamam cinetes, depois dos quais (para sueste) se encontram os gletes, depois os tartessis, os elbisínios, os mastienos, depois os celcianos e depois se encontra já o Estreito.” Este Heródoto distingue cuidadosamente os Cónios (cinetes) dos Tartéssios e das demais populações da zona do Estreito e nem sequer menciona, a presença de celtas nestas regiões do Estreito de Gibraltar... Não é difícil deduzir que a presença celta ou celtizante poderia ser relativamente intensa no interior (várias cidades com nomes em –briga) do Alentejo, mas que não teria alcançado ainda, em época romana, o litoral sul atlântico e a margem ocidental do Guadiana, onde os cónios seriam ainda a população maioritária, após a sua expulsão dos territórios do interior pelas vagas invasoras de populações indo-europeias vindas da Meseta Ibérica. Sendo assim, chegamos à conclusão da origem pré-céltica dos cónios. Mas se não eram indo-europeus, seriam então populações lígures, como defendia Oliveira Marques? Nada o permite afirmar. Com efeito, os Lígures funcionam para alguns historiadores como um cómodo “depósito”. Isto é, quando alguma população não é céltica nem semita, então só pode ser lígure, e isto apesar de não se conhecer praticamente nada da expansão geográfica deste povo e de não existirem provas arqueológicas da sua presença no nosso território. O estado actual do conhecimento das populações do extremo sul da Península não indicia a presença de populações lígures, embora a referência a um “Lago Lígure” na proximidade de Tartessos tenha excitado alguns autores pró-lígures essa é ainda uma prova isolada das suas posições pró-líguricas e continua insubstanciada pelas evidências arqueológicas, as quais denunciam contactos com o Mediterrâneo Oriental e até com o norte de África, mas que são omissos quanto a paralelismos culturais directos ou quanto a contactos comerciais com o norte de Itália. Muito para além das teses celta e lígure, encontra-se o sempre polémico Moisés Espírito Santo. Este sociólogo e investigador das raízes da religião popular portuguesa, recorda que os cartagineses se auto-designavam como cani, coni, canani, isto para além dos termos mais conhecidos puni, pheniku e punices. É sem dúvida curiosa esta coincidência de nomes tanto mais porque a presença púnica no território cónio está bem documentada. Talvez resida aqui a explicação. Não é de todo impossível que os mercadores e militares cartagineses tenham aculturado tão intensamente os cónios que estes – com alguma miscigenação – podem ter chegado inclusive a adoptar um dos seus nomes étnicos. Esta hipótese parece-nos muito mais razoável do que a de Moisés Espirito Santo segundo a qual os cónios são classificados simplesmente como resultantes de uma migração massiva de colonos semitas. Com efeito, a tentativa de M. E. S. para encontrar palavras fenícias nas estelas cónias não é particularmente bem sucedida, e a sua leitura das estelas funerárias romanas como inscrições fenícias ou hebraicas não encontra grandes fundamentos e caí frequentemente em contradições, sendo, no geral, particularmente infeliz.
Posted by ruipmartins at 09:06 PM
| Comments (5)
Hoje ao passar pelo concelho de Loures reparei num dos primeiros cartazes para a campanha eleitoral que se avizinha. Neste cartaz surge um certo candidato do PCP ao município e até aqui, nada de novo, mas reparo que debaixo do braço este candidato carrega um laptop prateado, último modelo. Aparentemente, alguém decidiu que era bom para a imagem do candidato ser visto com um laptop debaixo do braço... Antes seria fotografado com uma foice, uma enxada ou algo assim, agora, aparecem com laptops... Qual é a ideia? Transmitir uma ideia de modernidade e renovação? Ou será apenas puro "marketing político", ou seja, uma construção mediática em que o homem nem sabe usar a coisa que lhe meteram debaixo do braço?
Posted by ruipmartins at 09:01 PM
| Comments (0)
A Idade do Ferro é frequentemente dividida por três períodos. Na primeira, as influências mediterrâneas são preponderantes numa cultura que Caetano Beirão não hesita em classificar de “verdadeira civilização” e que nós identificaremos como “Civilização Cónia”, uma designação que fundamentamos no nome étnico do povo que dominou o território onde foram encontrados vestígios arqueológicos desta I Idade do Ferro. A II Idade do Ferro, com evidentes influências vindas do centro da Península Ibérica, talvez celtibérica, é a civilização já decadente que os romanos iriam encontrar no sul e que submeteriam sem grande dificuldade e quase sem oposição militar significativa, ao contrário do que haveria de suceder no centro e norte do nosso território.
Posted by ruipmartins at 12:26 AM
| Comments (2)
Rex Stout (1886 - 1975) escritor americano de policiais: "Existem dois tipos de estatísticas, o tipo que se consulta, e o tipo que se adultera."
Posted by ruipmartins at 12:06 AM
| Comments (1)
"Os bispos devem defender a gente simples frente ao poder dos intelectuais." Cardeal Ratzinger Citação de artigo da revista Visão nº 633
Posted by ruipmartins at 11:58 PM
| Comments (0)
Os juízes ameaçam "greve de zelo" porque o governo quer acabar com as férias judiciais de dois meses e meio? Tenham dó, senhores! Pensem em todos os desempregados do Vale do Ave, de Setúbal, nos criminosos que são soltos porque suas excelências estão de férias e deixam prescrever os seus casos, etc, etc, etc. A inércia e os previlégios dos juízes não são certamente o único mal do nosso sistema judicial (o vício dos recursos da advocacia, a lentidão e escassez dos funcionários judiciais e a burocracia das leis, também têm o seu papel. Mas neste aspecto, esta atitude egoísta e corporativista dos juízes, mete asco.
Posted by ruipmartins at 07:59 PM
| Comments (0)
Embora os EUA possuam o melhor equipamento militar na generalidade dos ramos, a Rússia continua a deter alguns sistemas de armas de primeira categoria e que - em algumas classes - estão consideravelmente acima dos sistemas ocidentais equivalentes. Iremos dedicar a este tema algumas das futuras entradas deste Blog, com o objectivo de quebrar o mito da "superioridade tecnológica americana" e da "decadência russa" que invadiu cegamente os nossos Media. Segundo alguns analistas norte-americanos, no domínio dos mísseis anti-navio, a Rússia detém sobre os EUA um avanço de "pelo menos uma década". Este avanço é materializado no míssil Moskit (3M80) (SS-N-22 "Sunburn", na designação NATO). Durante a Guerra Fria, os estrategas soviéticos decidiram que era impossível acompanhar os EUA em massa construída, equivalendo os seus porta-aviões com porta-aviões, os submarinos com submarinos, etc. Data da época a orientação para a construção de sistemas de armas mais baratos, mas tecnologicamente superiores. O míssil - já adquirido pelo Irão - tem um alcance de 150 Km, que percorre a Mach 3. Capaz de manobras evasivas para evitar ataques, o míssil foi concebido para voar rente às ondas de modo a evitar a detecção até ao momento do embate. O 3M82 é o míssil anti-navio mais veloz da actualidade, o triplo da velocidade do seu equivalente americano Harpoon. Com efeito ao "Moskit" chegam apenas dois minutos para alcançar o limite do seu alcance operacional. Segundo a Raduga, o seu fabricante, 1/2 "Moskit" podem incapacitar um destroyer e 1/5 poem afundar um navio de 20 mil toneladas. Existe igualmente uma versão de grande alcance, a 9M80E. A incrível rapidez do 3M82 concede ao navio atacado apenas um tempo de reacção entre os 25 a 30 segundos, o que lhe torna muito difícil o uso de contramedidas electrónicas, deixando apenas o uso de artilharia de tiro rápido e antimísseis como única linha de defesa. Semelhante ao SS-N-22, pertence ainda ao inventário da Raduga, o SS-NX-26 Yakhont, de Mach 2,9 e alcance de 290 Km, igualmente operado pelo Irão. Fontes:
Posted by ruipmartins at 07:32 PM
| Comments (0)
Esta é a forma suíça de governo. O país está divido por pequenas regiões conhecidas como "cantões", os quais, por sua vez, se dividem em três mil comunas, cada. Um governo central liga estes cantões entre si e transforma o conjunto num estado unificado, mas o governo central é apenas responsável pelas áreas de interesse comum, tais como a política externa, a defesa, etc. Todos os outros temas, como os assuntos económicos, são da competencia dos cantões. A nova legislação tem que ser aprovada em referendo, o qual pode ser convocado por petições com 50 mil ou mais assinaturas.
Posted by ruipmartins at 02:21 PM
| Comments (0)
O senhor presidente declarou recentemente na sua tournée nacional que "os portugueses conduziam depressa demais, mas que achavam sempre que eram os outros que conduziam em velocidade excessiva" (perdi as palavras exactas, mas o sentido é mais ou menos este). Ora, a este propósito tenho uma experiência pessoal a comunicar: Logo no início do seu mandato, atravessava eu uma passadeira na Praça do Comércio, em Lisboa quando um cortejo de carros de luxo da presidência (reconheci o PR no interior de um deles), passa em alta velocidade por mim, e não me atropela por uma unha negra. Nesse dia, o senhor presidente não iria um tanto depressa demais? Ou são "só os outros que andam depressa demais"? Hum?
Posted by ruipmartins at 07:24 PM
| Comments (0)
O mundo sofre de graves desiquilíbrios estruturais: à riqueza crescente do Norte corresponde um empobrecimento massivo do Sul, se a Norte a população enevelheçe e retraí, a Sul a pirâmide etária é inversa e o crescimento populacional explosivo. A curto prazo todo o sistema global de economia corre o risco de colapsar. Famoso pela sua capacidade de autoregeneração, o capitalismo atravessa uma fase crítica provocada por estas desigualdades que alimentou e de que se alimentou desde o fim da Guerra Fria. Os maiores problemas que a economia global sofre são, resumidamente: Contudo, destes possíveis pontos de falha, alguns economistas apontam o crescente déficit norte-americano contrapondo-se ao superavit japonês, à acumulação de divisas nos países asiáticos, do Médio Oriente e da Rússia, como consequência do aumento brutal dos preços do crude. Para saber mais, clique aqui
Posted by ruipmartins at 07:59 PM
| Comments (0)
Na sua tournée (vulgo "Presidência Aberta") Jorge Sampaio declarou que era imoral que os promotores imobiliários tivessem enriquecido tanto com a especulação imobiliária no concelho de Sintra e contribuído tão pouco com os seus impostos para a manutenção e construção das vias de comunicação que servem o Concelho. Sampaio aproveitou para criticar esta construção desregrada e disse ainda que não havia espaço para construir parques de estacionamento porque existiam prédios de habitação praticamente encostados junto às estações ferroviárias. Mas, o senhor presidente esqueceu-se que se alguém é responsável pelo caos urbanístico dos concelhos de Amadora e Sintra esse alguém são os senhores políticos, colegas de profissão do senhor presidente, e ainda por cima, colegas de partido, porque as Câmaras de Amadora e Sintra são precisamente Câmaras que o PS controlava nos anos em que mais se construiu nesses concelhos. É ainda culpa dos políticos, e nomeadamente dos deputados e executivos, que as câmaras dependem tanto dos impostos cobrados pela construção o que os torna reféns das autorizações de construção. Assim, o problema não reside verdadeiramente nos construtores civis, mas sim na ausência de vontade política de resolver o problema: a) As Câmaras Municipais não deviam depender tanto dos impostos de construção; b) As Câmaras Municipais não deviam autorizar tanta construção em concelhos tão saturados como os de Amadora e Sintra; c) Os governos não deviam tolerar a fuga massiva aos impostos por parte dos construtoes civis; d) Os governos deviam impor limites e preços máximos por metro quadrado na construção e venda de terrenos numa quadrícula que incluísse todo o território nacional. Como se vê, existe muito a fazer, para além de atirar umas bocas inconsequentes para ar...
Posted by ruipmartins at 11:41 PM
| Comments (6)
Hoje, Jorge Sampaio afirmou que eram necessários mais polícias nas ruas, uma vez que estes seriam "um elemento dissuasor significativo" à acção dos criminosos, em resposta à afirmação do comando da PSP de Lisboa de que só para Lisboa seriam precisos mais 250 novos agentes para a Divisão de Trânsito. O nosso presidente ainda não se actualizou. O problema não está em colocar mais agentes na rua. Evidentemente, que seria mais seguro colocar um polícia à porta de cada loja, de cada casa, de cada jardim, etc. Mas seria viável? Haverá assim tanto polícia? Ou será que vamos duplicar a nossa população colocando ao lado de cada cidadão um polícia? O reforço simples do contingente policial não é solução. Se o presidente Sampaio quer aumentar a segurança dos seus cidadãos pode começar por perguntar quantos polícias estão desperdiçados à porta de bancos, supermercados e joalharias. Sampaio pode também perguntar quantos polícias estão a carimbar papéis à secretária. Sampaio pode também insistir no reforço da videovigilância. Em Rejquiavik, a capital da Islândia existem mais de 200 câmaras que vigiam toda a cidade e cada 10 câmaras são observadas por um polícia. Se é detectado algum incidente este agente envia uma patrulha e em menos de dez minutos está um grupo de polícias no local. Algo será melhor do que isto? É claro que muitos receiam a videovigilância, pelos riscos à liberdade individual que representa, mas estes riscos deixam de existir se forem criados mecanismos de controlo eficientes, e esse é o caminho a seguir
Posted by ruipmartins at 07:48 PM
| Comments (4)
A Europa arrancou à uns anos com um projecto que pretendia rivalizar com o sistema americano de localização global, designado por GPS. Este projecto recebeu o nome de "Galileu". O ambicioso projecto que passa pelo lançamento e colocação em órbita de uma rede de satélites de posicionamento global. Ora o director executivo da empresa que vai construir e gerir esta rede de satélites foi eleito à uns dias e será Pedro Pereira, um executivo português que até agora trabalhara em empresas portuguesas do sector das comunicações vem assim introduzir a nossa bandeira num sector muito importante da ofensiva tecnológica europeia e mostra que nesse domínio - o das telecomunicações - Portugal pelo menos no domínio do know-how se encontra na vanguarda, como provam as altas taxas de penetração do uso do telemóvel na nossa sociedade.
Posted by ruipmartins at 07:47 PM
| Comments (0)
O Candidato e o Laptop
maio 08, 2005
Parte 11: A Escrita Cónia; A Idade do Ferro
Rex Stout (o pai de Nero Wolfe) e a Estatística
maio 07, 2005
O Papa Ratzinger no seu Melhor (Pior?)
Os Juízes Amuaram.
Parte 1: A Superioridade Militar Russa: SS-N-22 "Moskit"

Nº 5 do "Courrier Internacional", pág. 30
Global Security"
Sino Defense Parte 3, "O Sistema de Cantões": Alternativas ao Sistema Democrático
maio 06, 2005
O Presidente tem Pressa e Má Memória
maio 04, 2005
A Crise da Economia Global
a) Perca de interesse pelos investidores pelos Bonds do Tesouro Americano;
b) Afundamento do Dólar;
c) Subida das taxas de juro;
d) Crise na maioria dos países emergentes;
e) Recessão global;
f) Deficit das contas públicas dos EUA de 5,7% do PIBmaio 03, 2005
Sampaio e a Especulação Imobiliária
Sampaio e a Segurança
O português do projecto Galileu