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maio 22, 2005

O Filme "O Reino do Céu": verdades e mentiras

O que é verdadeiro:

* Balduíno, rei de Jerusalém, era efectivamente leproso;
* Balduíno, combateu com Saladino com 16 anos apenas Montgisard (25 de Novembro de 1177), com algumas centenas de cavaleiros bateu os 26 mil cavaleiros muçulmanos comandados pelo próprio Saladino;
* A irmão do rei Balduíno, chamava-se de facto Sibila e casou com um nobre franco de nome Guy de Lusignan, este formou um dos vários partidos pela sucessão a Balduíno. Raimundo de Tripoli, regente de Balduíno e os barões nascidos no Além-Mar formavam o outro partido de sucessão, defendiam a paz com os sarracenos enquanto o partido de Guy, advogada a guerra com Saladino;
* Em 1180 foi assinada uma trégua de dois anos entre Balduíno e Saladino;
* Reinaldo, era o senhor do castelo de Kerak, e foi nos seus arredores que atacou uma caravana muçulmana, quebrando a trégua existente, mas na altura, Balduíno estava confinado ao leito, cego e incapaz de qualquer acção, não ergueu nenhum exército nem saiu para Kerak, como afirma o filme;
* Balduíno, ainda em vida, entregaria a regência a Guy de Lusignan, pressionado pela mão, pelo patriarca e pela própria irmã, Sibila... Exactamente, o oposto da história narrada no filme.
* O regente Guy de Lusignan foi deposto em 1183 e o seu enteado sobrinho de Balduíno foi proclamado novo herdeiro do trono.
* Sibila, declarada rainha em Acra, e coroada por Heraclio, coroou Guy.
* A falta de água foi o grande problema e a maior causa da derrota cristão na batalha dos "Cornos de Hattin" entre Guy e Saladino.
* Após a derrota da Batalha dos "Cornos de Hattim" os cavaleiros das ordens militares foram efectivamente decapitados por ordem de Saladino.
* Saladino ofereceu de facto a Guy na sua tenda uma taça de água de rosas, refrescada com neve. Guido bebeu e passou a taça da Reynold, mas Saladino, furioso, enumerou os pecados de Reynold e decapitou-o. Disse, por fim, de facto, "um rei não mata um rei".
* Balião era casado e tinha filhos. Embora estive retirado em Tiro após a derrota da Batalha dos "Cornos de Hattin", tinha a mulher e filhos em Jerusalém. Balião pediu a Saladino um salvo-conduto para ir recolher a família a Jerusalém, e conseguiu-o, desde que não fosse armado e ficasse apenas uma noite em Jerusalém. Quando chegou à cidade santa, os seus habitantes não o deixaram sair, pedindo-lhe que organizasse a defesa. Balião aceitou, mas pediu a Saladino que deixasse sair na mesma a sua família, o que este acedeu, apesar do desrespeito pelo acordo inicial.
* Ricardo, Coração de Leão, empreendeu de facto uma cruzada para salvar o que restava do Outremer.

O que é "invenção":

* Na batalha de Montgisard, Balduíno não era o "jovem formoso" que o filme diz, mas combateu já com as mãos envoltas em ligaduras escondendo as chagas da lepra.
* Os templários com a construção da fortaleza de Chastelet em 1178/9 desafiaram as tréguas com Saladino e este respondeu com uma batalha travada nos arredores da fortaleza, mas, ao contrário do que diz o filme, Balduíno e o Senescal templário bateram-se lado a lado contra Saladino, sendo batidos por este. Pouco depois, o castelo seria tomado e arrasado por Saladino.
* Balian, combateu ao lado de Guy de Lusignan dos "Cornos de Hattin", não se deixando ficar em Jerusalém, como no filme.
* Na cena final, no cerco de Jerusalém, não há cavaleiros, mas de facto, havia dois cavaleiros, e a cena da consagração dos cavaleiros é totalmente fictícia.
* Após a conquista de Jerusalém, Saladino não deixou simplesmente sair todos os cristão... Dos 20 mil que havia na cidade, 7 mil foram resgatados com dinheiro do tesouro real e das ordens militares, mil e cem foram de facto soltos e os milhares remanescentes - que não podiam pagar resgate - foram feitos escravos.

Publicado por Rui Martins às maio 22, 2005 12:15 PM

Comentários

isso é que é conhecimento Rui !!!

Não gostei muito do Filme ( muitos cenários )

Publicado por: Finurias às maio 22, 2005 03:14 PM

Obrigado. Na verdade, não sabia nada disto. Mas o filme (excelente, do ponto de vista da acção e do enredo, péssimo na fidelidade histórica) puxou-me o apetite para ler sobre o tema...

Publicado por: Rui Martins às maio 22, 2005 05:16 PM

Ontem fui ver o filme e até gostei... no entanto a nível histórico há por ali umas inverdades mundialmente reconhecidas e que históricamente incutem em erro os incautos...

Ora num mundo de desconhecimento pela história mundial, (onde nem sequer é a história de Jerusalem o mais importante ou interessante...) a única fonte de conheciemnto que se vai tendo nos nossos dias (porque a leitura é considerada enfadonha) é o cinema acho que se devia ter mais cuidado com este tipo de filmes que supostamente deveria ser histórico...
Para alguem que se interessa pela história é subejamente sabido que os "martires" que ficaram dentro das muralhas de Jerusalem foram tornados escravos dos "infieis" e maltratados por estes...impedido de praticar a sua fé...
Os "infieis" não eram muito diferentes dos cruzados, eram ligeiramente melhores mas sedentos de vingança... é a história da condiçaõ humana... submeter e oprimir os mais fracos, atacar o desconhecido, não tolerar o deiferente...

Até a nível de guarda-roupa, houve uns "errozitos de nada"... o Balião "passaiava-se alegremente" pela SUA aldeia de calças compridas, botas e camisa por fora das calças, algo entre as calças dos Mosqueteiros e o meu director finananceiro á sexta-feira...

Mas pronto, tirando estas calinadas o filme tem uma fotografia taciturna e doentia, que é a ideia que se tem daqueles tempos de peste e guerra pelas posses da terra por razões estupidas...

Liah

Publicado por: Liah às junho 7, 2005 05:31 PM

Eu até nem desgostei do filme, que tinha um bom enredo, prendia o espectador e tinha apesar dos erros (intencionais?) um nível razoável de fidelidade histórica.

Saladino, pelos padrões da época, era um verdadeiro filantropo... Quando os cruzados ocuparam Jerusalém passaram toda a gente pela espada, mulheres, crianças, etc. E gentes de todos os credos, judeus, muçulmanos e até cristão e padres que oficiavam nas basilicas da cidade... Diz um cronista que "o sangue das vítimas chegava aos tornozelos dos cruzados". Saladino, escravizou, é certo, mas não fez nada de semelhante, e por isso a História ainda hoje o lembra.

Publicado por: Rui Martins às junho 9, 2005 09:19 PM

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