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maio 09, 2005
Parte 12: A Escrita Cónia: As Raízes Étnicas do Povo Cónio
Autores gregos e latinos referem que a região hoje chamada Algarve foi habitada, em tempos pré-romanos, pelos Cónios. E contudo, é provável que em épocas mais antigas fosse maior a área ocupada por esta civilização, como se pode depreender do nome romano de Conimbriga (uma variação a partir de “ Os capcenses foram antecedidos por outra cultura paleolítica que surge no Marrocos e no sul da Península Ibérica, designada por “Iberomarusience” que se desenvolveu em 7.500 a.C. Os capcenses eram caçadores, recolectores e pescadores, mas era o seu apreço por caracóis que os tornaria famosos, sendo os depósitos de cascas destes animais um vestígio típico desta cultura. As pinturas rupestres que surgiram no Saara por volta de 3.500 a.C. revelam uma cultura em que a pastorícia e o gado detinham um papel fundamental. Estas pinturas mostram uma população que por vezes possui rostos caucasianos, e outros, negróides. Esta aparente mistura ter-se-á produzido sobretudo no centro do Norte de África enquanto que a norte haveriam zonas de influência predominantemente caucasiana no norte a par de uma zona povoada por negróides mais a sul. Cavalli-Sforza encontrou nos contemporâneos Fulani os descendentes destes capcenses , que vivem nos dias de hoje na África Ocidental Sub-Saariana. Para além dos Fulani, os descendentes vivos dos Capcenses podem ser encontrados nas populações berberes do Marrocos e da Argélia, com prolongamentos até ao Egipto e Sinai, mas também até à Península Arábica e à ilha de Socotorá. Sujeitos a intensa pressão por parte dos seus vizinhos árabes e beduínos, muitos berberes adoptaram a língua árabe nos séculos VII e XI, resistindo as suas línguas afro-asiáticas nas regiões montanhosas e mais inacessíveis do interior. Os berberes atravessaram o Atlântico e povoaram as Canárias durante o Neolítico onde os guanches de olhos azuis ou cinzentos e cabelos loiros espantaram os invasores castelhanos do século XV. Os primeiros povos indo-europeus chegaram ao sul de Portugal durante o período conhecido como Bronze III fixando-se em torno das minas de cobre desta região, encontrando neste local, os cónios, um povo que parece provir de uma matriz étnica anterior. Durante o período conhecido como “Bronze IV”, terão chegado aquele que é actualmente o nosso território as primeiras vagas demograficamente significativas de Celtas e Iberos, acompanhados pela vanguarda das vagas comerciais fenícias por volta de 1000 a.C. e, pouco depois, dos primeiros navegadores gregos. Estes mercadores estrangeiros provinham de civilizações mediterrâneas – embora de origem oriental -, e essa comunhão de substratos culturais haveria de facilitar a integração desses elementos culturais estranhos nas culturas locais. E foi sem dúvida com estas populações exógenas que se refundou a matriz étnica do povo cónio, num processo que haveria de produzir a aparição de um sistema de escrita autónomo. Mário Saa, citando o Itinerário de Antonino Pio, divide a Lusitânia em três regiões: Lusitânia, Vetónia (segundo o nome dos Vetões) e, finalmente, o “país dos célticos”, situado a sul do Tejo e a Ocidente do Guadiana. Daqui conclui Saa sobre a matriz céltica dos cónios, o que não é certo, mesmo aderindo exclusivamente às suas próprias palavras. As citações do “Itinerário” indicam que as populações célticas eram na época romana dominantes a sul to Tejo, mas não implicam que eram as únicas que aqui viviam. Aliás, a diversidade étnica da Península está bem documentada em muitas fontes clássicas, como se pode observar por exemplo em Heródoto de Heracleia, que no seu décimo livro das “Histórias de Heracles” afirma: “Este povo ibérico, que digo que habita a costa do Estreito, recebe vários nomes, sendo um só povo com distintas tribos. Primeiro os que habitam a parte ocidental, chamam cinetes, depois dos quais (para sueste) se encontram os gletes, depois os tartessis, os elbisínios, os mastienos, depois os celcianos e depois se encontra já o Estreito.” Este Heródoto distingue cuidadosamente os Cónios (cinetes) dos Tartéssios e das demais populações da zona do Estreito e nem sequer menciona, a presença de celtas nestas regiões do Estreito de Gibraltar... Não é difícil deduzir que a presença celta ou celtizante poderia ser relativamente intensa no interior (várias cidades com nomes em –briga) do Alentejo, mas que não teria alcançado ainda, em época romana, o litoral sul atlântico e a margem ocidental do Guadiana, onde os cónios seriam ainda a população maioritária, após a sua expulsão dos territórios do interior pelas vagas invasoras de populações indo-europeias vindas da Meseta Ibérica. Sendo assim, chegamos à conclusão da origem pré-céltica dos cónios. Mas se não eram indo-europeus, seriam então populações lígures, como defendia Oliveira Marques? Nada o permite afirmar. Com efeito, os Lígures funcionam para alguns historiadores como um cómodo “depósito”. Isto é, quando alguma população não é céltica nem semita, então só pode ser lígure, e isto apesar de não se conhecer praticamente nada da expansão geográfica deste povo e de não existirem provas arqueológicas da sua presença no nosso território. O estado actual do conhecimento das populações do extremo sul da Península não indicia a presença de populações lígures, embora a referência a um “Lago Lígure” na proximidade de Tartessos tenha excitado alguns autores pró-lígures essa é ainda uma prova isolada das suas posições pró-líguricas e continua insubstanciada pelas evidências arqueológicas, as quais denunciam contactos com o Mediterrâneo Oriental e até com o norte de África, mas que são omissos quanto a paralelismos culturais directos ou quanto a contactos comerciais com o norte de Itália. Muito para além das teses celta e lígure, encontra-se o sempre polémico Moisés Espírito Santo. Este sociólogo e investigador das raízes da religião popular portuguesa, recorda que os cartagineses se auto-designavam como cani, coni, canani, isto para além dos termos mais conhecidos puni, pheniku e punices. É sem dúvida curiosa esta coincidência de nomes tanto mais porque a presença púnica no território cónio está bem documentada. Talvez resida aqui a explicação. Não é de todo impossível que os mercadores e militares cartagineses tenham aculturado tão intensamente os cónios que estes – com alguma miscigenação – podem ter chegado inclusive a adoptar um dos seus nomes étnicos. Esta hipótese parece-nos muito mais razoável do que a de Moisés Espirito Santo segundo a qual os cónios são classificados simplesmente como resultantes de uma migração massiva de colonos semitas. Com efeito, a tentativa de M. E. S. para encontrar palavras fenícias nas estelas cónias não é particularmente bem sucedida, e a sua leitura das estelas funerárias romanas como inscrições fenícias ou hebraicas não encontra grandes fundamentos e caí frequentemente em contradições, sendo, no geral, particularmente infeliz. Publicado por Rui Martins às maio 9, 2005 09:06 PM http://www.uwm.edu/Dept/celtic/ekeltoi/volumes/vol6/index.html Volume 6: The Celts in the Iberian Peninsula Publicado por: Va' Ja'... às maio 10, 2005 04:49 PM E contudo... Continuo a não acreditar nas ligações célticas dos cónios... A Sul terá havido apenas "celtici" ("celtizados") não celtas (indo-europeus) a crer nas crónicas. Publicado por: Rui Martins às maio 10, 2005 08:12 PM Ena pa que V le rapidamente!!! Sao 287 paginas dedicadas aos temas de os celtas na Peninsula, e V ja resumiu/ abreviou e sentenciou!!!!! Carago!!!! Publicado por: Viva Espana às maio 10, 2005 09:33 PM Nope. Ainda nã li. Mim papa-letras ma non troppo! Estão em fila-de-espera para print no job, q cá por casa o tinteiro tá caro. Publicado por: Rui Martins às maio 10, 2005 11:19 PM Eureka! esta manhã no bus tive uma epifania! Eu não tinha entendido a sua "equivalência" entre o meu termo "self-hating" e aquilo que v. entendeu por "autofagismo." Ora "autofagismo" parece-me ser aquilo que se poderá chamar de "devouring oneself," ou em termos de brincadeira: "self-eating." Eis-lo: Creio que v. entendeu "eating" ("comer") onde devia ter lido "hating" ("odio", ou melhor ainda: "desprezo"...). Em questões de "self"-hífen-qualquer-coisa temos as seguintes que são um tanto ou quanto, digamos, "homofanas"... 1)Self-hating; A minha intenção não era - garanto! - canabilistica ..... Publicado por: Confusões às maio 11, 2005 03:44 PMComentários
Edited by Manuel Alberro and Bettina Arnold
e-Keltoi Journal of Interdisciplinary Celtic Studies
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Center for Celtic Studies, University of Wisconsin-Milwaukee
Last Updated: March 10, 2005
2)Self-eating;
3)Self-heating;
4)Self-healing...Comente