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maio 30, 2005

Votar NÃO

O rotundo NÃO à Constituição Europeia proferido pelos franceses veio dar uma chapada nos rostos anafados dos eurodeputados que "descansam" em Estrasburgo e à eurocracia que suga os contribuintes a partir de Bruxelas.

Este simulacro de democracia que nos governa e que tem no "governo europeu" a melhor concretização não vai hesitar em manipular a realidade e fazer-se aprovar mais cedo ou mais tarde. Se a este Referendo dissermos que não, eles farão outro e outro ainda, até que a maioria dos eleitores de canse e eles vençam, mas a hoste de seguidores que sempre acolhem qualquer coisa que os seus partidos lhes digam para acolher.

Quem elegeu o senhor Fujão Barroso para Comissário Europeu e os Juízes do Tribunal de Justiça Europeu? E os comissários? E o "senhor PESC"? E o presidente da UE e o ministro do estrangeiros que esta Constituição nos quer impingir?

Esta Constituição visa sobretudo perpetuar e reforçar o poder da alta finança e dos magnates (como aquele grego que pagou as férias a Fujão) sobre os órgãos políticos da União. Esta Constituição era apenas mais uma forma dos mesmos se perpetuaram no poder, entregando tachos aos amigos e estes aos amigos dos amigos, alheando sempre os eleitores e os cidadãos europeus.

Este voto foi sobretudo um voto contra a eurocracia e não um voto contra o governo françês conforme os nossos Media repetem até à exaustão, só se calando quando nos convencerem.

No passo seguinte, o "centrão" PS-PSD e os Media por eles controlados vão dizer-nos que votar NÂO em Outubro é ser retrógado, anti-europeu, recusar as verbas do fundo de coesão. Tudo balelas com que nos querem enganar.

Votar NÃO é dizer não a este modelo liberal e não-democrático de Europa, mas pode ser dizer SIM a uma Europa solidária, social, forte e militarmente resistente (mas com um presidente e ministro dos estrangeiros eleitos por todos os europeus). Votar SIM, pode ser também dizer SIM à entrada da Turquia otomana, muçulmana e chacinadora de curdos e arménios que os financeiros e industriais alemães nos querem impingir.

Publicado por Rui Martins às maio 30, 2005 02:36 AM

Comentários

Votar não, tb pode ser dizer não a esta nova Europa alargada. O não nacionalista e ultra nacionalista, que apregoa a defesa da identidade nacinal. Muito gostava eu de saber o q isso é...
Neste momento estou mais nim...

Publicado por: eva lima às maio 30, 2005 02:47 PM

Bem dito. Um dos principais argumentos usados pela esclerosa FN de Le Pen em França era precisamente "Não à Europa dos Turcos".

Os líderes europeus não avaliaram correctamente o impacto na popularidade da ideia de Europa que teve a aceitação da adesão turca, uma percentagem destes 54% vem precisamente desta adesão eminente.

Publicado por: Rui Martins às maio 30, 2005 07:39 PM

E agora está aberto o caminho a repensar-se a União de forma diferente, mais democrática e mais solidária e também menos ambiciosa e mais prudente (Como exemplo, a entrada da Turquia que referes).
Não penso que os adeptos do NON estejam ao lado de Le Pen, a ilação é pejorativa assim como dizer-se que foi contra Chirac, creio que o NON foi de facto contra esta Europa.
Quarenta milhões de exemplares da constituição da União, foram enviados para casa dos eleitores Franceses, podemos inferir que a maioria sabia do que se tratava e não devemos ter receio desta crise Europeia que agora se abre.
Agora venha o debate e com respeito pela inteligência dos Portugueses, ou não fossemos nós o "futuro do mundo" como dizia Agostinho da Silva.

Publicado por: pf às maio 31, 2005 01:52 PM

Muita gente esteve junta do lado do NÂO que pouco tinha em comum. Le Pen defendeu as teses nacionalistas, mas outros defenderam o NÃO por razões que têm a ver com o pendor ultraliberal, globalizador e antidemocrático do texto.

Ou seja, diferentes causas, a mesma batalha.

Neste caso: vencida.

Publicado por: Rui Martins às maio 31, 2005 09:08 PM

Ontem assisti a alguns debates sobre o tema na Tv e cada vez me inclino mais para o não, ainda não decidi de que lado vou estar, mas tenho para já uma certeza, a discussão tem de ser feita, os apoiantes do sim não vão poder descansar se quiserem fazer prevalecer as suas ideias que até agora eram favas contadas.

Hoje vota a Holanda são 11,6 milhões de eleitores e todas as sondagens indicam que o não vencerá, até porque o grande argumento do sim tinha sido, até ao non francês, que seriam eles o único País a rejeitar a constituição caso o não ganhasse, argumento que caiu por terra mantendo-se os argumentos do sim, tais como a falta de confiança na classe politica, ao reconhecimento recente de que a moeda holandesa foi desvalorizada em relação ao marco alemão, quando da entrada em vigor do euro etc. se assim for e o não ganhar como se espera, será que o Blair aproveita para anular o referendo como alguns dizem?
Ontem fiquei com mais um argumento para votar não, soube que depois da constituição da união ser aprovada, os caso como a Portucale deixam de ser problema, pois passam a estar legais, é que enquanto agora e na nossa constituição, o ambiente é um direito fundamental e portanto se sobrepõe aos direitos económicos, no tratado o ambiente deixa de ser um direito fundamental, pelo que já se podem arrancar os sobreiros, com vista aos direitos económicos, de qualquer forma, devemos sempre pensar que nós temos o ambiente como direito fundamental na nossa constituição, mas depois somos o país que menos liga ás questões ambientais.

Publicado por: pf às junho 1, 2005 10:47 AM

Desconhecia essa leitura e a sua aplicação à questão da portucale.

Não estou contra o conceito de "constituição europeia", nem sequer contra o conceito do seu primado sobre as constituições nacionais, mas.
a) todos os países onde ela se aplica têm que referendar e isso só acontecerá numa minoria dos 25
b) estou contra os cargos políticos não-electivos (presidente e mne europeu)
c) repugna-me a atitude dos eurocratas (encabeçados por Fujão) de que "avançamos na mesma com o processo, apesar dos vetos dos referendos)
d) os ingleses nunca votarão sim, sobretudo agora que a França e a Holanda (o RU sente-se muito mais próximo da Holanda do q de qq outro país europeu) votaram não

Publicado por: Rui Martins às junho 2, 2005 09:08 PM

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