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junho 16, 2005
Cunhal

O funeral de Álvaro Cunhal vem colocar uma pedra sobre uma parte muito significativa do passado recente de Portugal. Figura política determinante deste século, a marca que deixou em todas as correntes políticas é indelével e definitiva. Gostássemos ou não das suas ideias, a sua coerência, a sua grandeza intelectual e cultural, o seu génio oratório e argumentativo colocavam-no muito acima da maioria dos seus adversários.
Com o desaparecimento de Cunhal desaparece um lutador. Alguém que sempre se bateu pelas suas causas e que a elas dedicou toda uma vida...
Quantos de nós poderão o dizer o mesmo?
Publicado por Rui Martins às junho 16, 2005 01:29 AM
Comentários
Grande pergunta !
Publicado por: Pindérico às junho 16, 2005 09:53 AM
A imponência da homenagem póstuma que tive ocasião de ver nos jornais da noite, foi esmagadora, revela bem a grande militância de uma esquerda que continua a ter de ser levada em conta.
Cunhal, quando chegou do exílio à 31 anos foi triunfal, era o único que sabia ao que vinha, antes como Daniel ou Duarte e depois como Cunhal nunca deixou de ser a personificação da convicção de um ideal comunista, foi um homem de sentido único de uma verticalidade impressionante, pregou até ao fim sem tergiversações
Fascinante a história e a resistência moral deste Homem.
Publicado por: pf às junho 16, 2005 03:28 PM
Creio que ainda não se coloca uma pedra sobre...
A homenagem de ontem parece mostrar que não será bem assim.
Publicado por: eva lima às junho 16, 2005 04:12 PM
Espero bem que a pedra seja colocada e que fique em paz, o ciclo terminou.
Permito-me dizer de memória e de Shakespeare, parte do discurso de Marco António, aos cidadãos após a morte de César.
Vim para julgar César e não para o louvar, o mal que os homens fazem permanece após a sua morte, o bem que puderam fazer, esse morre com eles.
(que me desculpe o RM se a minha memória não estiver muito fiel ao texto)
Não querendo evidentemente comparar César com Cunhal, sou dos que acha que é melhor ele ficar na memória e nos livros de história, eu pessoalmente não gostaria de viver na sociedade preconizada e definida por Cunhal como o Sol da Terra, pois sou avesso à miséria, à policia politica, a muros de Berlim, a deportações etc.
Publicado por: pf às junho 16, 2005 05:16 PM
Indesculpável esta minha adulteração do texto, só justificável por ter lido Shakespeare na adolescência e já lá vão uns bons anos.
Reponho agora com humildes desculpas, o texto original.
Júlio César, Acto terceiro, cena II.
Discurso de Marco António aos cidadãos.
Amigos Romanos, Compatriotas, prestai-me atenção. Vim para sepultar César, não para o louvar. O mal que os homens fazem vive depois deles. O bem que puderam fazer permanece quase sempre enterrado com os seus ossos. Que seja assim para César.
Publicado por: pf às junho 17, 2005 12:13 PM
Segundo os Blogs, durante a transmissão do funeral de Álvaro Cunhal, ouviram-se algumas pérolas de bom jornalismo. Destaco 4 como exemplo.
1) - Na SIC: Álvaro Cunhal prepara-se neste momento para ser cremado.
Parece que até ao fim, Álvaro Cunhal comandou literalmente o seu destino, foi ele que se preparou para a cremação.
2) – Na SIC: O senhor veio até aqui para dizer até sempre, camarada Cunhal.
Não fosse o popular dizer alguma parvoíce o jornalista foi logo dizendo o que ele queria dizer.
3) – Na SIC e RTP: Os jornalistas diziam que, se ia cantar a Internacional Socialista
Foi portanto criada a Internacional Socialista. Até agora só tínhamos conhecimento da Internacional, mas pareceu-me que era igual.
4) – Na RTP: uma jornalista dizia que, as pessoas estavam de pulso erguido
Agora já não se ergue o punho, mas sim o pulso. Não sei como conseguem.
Nota: Que me desculpem os autores das frases, mas não resisti à tentação de as comentar.
Publicado por: pf às junho 18, 2005 05:22 PM
Devia ter batido mais com a cabeca na esquina do muro...ja que nunca trabalhou um so unico dia na puta da vida dele. Que o enterrem na Bulgaria..."patria" que o MERECE!
Publicado por: Bento às junho 28, 2005 09:53 PM