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junho 30, 2005

O Taxista Fedorento

Tive o desprazer ontem de utilizar os serviços dos táxis que voam como varejeiras pelas "Chegadas" do aeroporto da Portela esperando vítimas com feridas abertas que possam sugar e alimentar os seus gordos ventres.

Embora devidamente aconselhado para evitar estes abutres, cometi o erro de escolher um Taxi nas "Chegadas" em vez de ter usado as "Partidas" ou mesmo um autocarro.

Coloquei-me pacientemente na fila e esperei pela minha vez. Quando esta chegou um japonê$ que se tinha confundindo e entrado no táxi errado (estava no meio da fila) sai deste e volta confuso ao começo da fila de táxis. É neste ponto que o taxista fedorento entra na história.

Esperando receber o turista japonê$ o fedorento (passarei de agora em diante a tratá-lo assim) julga acolher o dito mais uma choruda gorjeta e o longíssimo percurso que lhe iria impôr, mas, desilusão fatal, digo-lhe que não é a ele mas ao colega que estava na frente que competia transportar o japonê$. O fedorento fica danado, mete umas trompas mas aceita-me no taxi e entro neste.

Digo-lhe a direcção (no centro de Lisboa) e que diz o fedorento? "Com certeza.", "compreendido", "muito bem"? Nada. Rigorosamente nada. Um modelo de educação e de silêncio esfíngico.

Arranca de um golpe e leva-me como um doido pela cidade, sempre a mais de 180 Km! Passando semáforos! Chiando pneus nas curvas! Um verdadeiro louco do volante! Agarro-me ao assento rangendo os dentes, mas nada digo.

Quase a chegar ao destino, dou indicações mais precisas da morada. Resposta? Nenhuma... O silêncio mais profundo do mundo...

No momento de pagar a "corrida" (literalmente...) o valor é de 3,84 euro (normalmente pago entre 6 a 8, para que se veja a velocidade a que veio o fedorento). Como SEMPRE faço, digo que arredonde para 4, para facilitar os trocos (normalmente, os taxistas lamuriam-se sempre com os trocos). Em resposta, o tipo que recupera de súbito a fala e diz: "Aceito gratificações, mas não esmolas" e recusa o arrendondamento!

O que aconteceu daqui em diante, não será detalhado. Mas aquilo que escrevi já basta para constatar que os taxistas mais selvagens e ignóbeis continuam a frequentar as "Chegadas" do aeroporto da Portela, e que TODOS devemos ter muito cuidado com eles!

A fúria do fedorento vinha apenas do facto de ter perdido o seu sumarento japonê$ e de eu ter a infelicidade (para ele) de viver no centro de Lisboa!

Que gente! Que imagem da classe que estes tipos dão! Como é fácil obter uma carteira profissional! Porque é que a PJ interrompeu as suas acções de fiscalização a esta máfia de taxista que vivem das "Chegadas" da Portela? Porque é que o Ministério do Turismo não varre este lixo da principal porta de entrada do país e impede assim que muitos turistas fiquem com a imagem de Portugal que estes "fedorentos" lhe deixam? Porquê é que a ANTRAM não expulsa do seu seio estes taxistas que tanto prejudicam a imagem da sua classe?

Porquê?

Posted by ruipmartins at 10:25 PM | Comments (5)

A resposta ao "agente" das Imobiliárias...

A propósito da entrada deste Blog que pode ser consultado em clicando aqui

"Sr Rui Martins, certamente não trabalha no mercado imobiliário, pois não?!? Cobrar um preço fixo não só é muito mau e torna dificel vender uma casa, como o preço a pedir pela casa sobe bastante! Não deverá saber como trabalham imobiliarias como a Centurium21, a REMAX, a Homelife?? Pois não deverá saber.. Primeiro o imovél é avaliado e colocado um preço de mercado à casa, avaliação essa que tem um valor que deverá ser pedido como preço de compra, e sobre esse preço é deduzido uma comissão... QUE NESTE MOMENTO ANDA A VOLTA DE 5%, 6% COM IVA JÁ!!! é muito?? talvez sim, talvez não!!!
Antes de falar e comentar informe-se melhor sobre o mercado! obrigado.

Este comentário merece uma resposta ponto a ponto e é exactamente isto que passaremos a fazer:

"certamente não trabalha no mercado imobiliário"

* É óbvio que não. Se trabalhasse, como trabalha certamente, e sobretudo se fosse proprietário de uma dessas milhares de agências que infectam o nosso país como cogumelos, não teria certamente uma posição tão crítica sobre o vosso papel no estado absurdo em que se encontra o mercado imobiliário em Portugal.

* De facto, não trabalho no mercado imobiliário, tem razão: Sou uma das muitas vítimas da desregulação e do enlouquecimento que o imobiliário conhece em Portugal, sim senhor! Confesso!

"Cobrar um preço fixo não só é muito mau e torna dificel vender uma casa, como o preço a pedir pela casa sobe bastante!"

* "é muito mau", porquê? Mau para quem? Para os agentes? Se o vosso trabalho, se os vossos custos são os mesmos quando vendem uma casa de 100 mil contos e quando vendem uma de 10 mil contos, porque hão-de cobrar à percentagem, e logo um valor DEZ VEZES mais alto? Não é a isto que se chama especulação?

* Porque é que com um preço fixo, e contendo os vossos custos mais uma taxa de lucro razoável (não aquelas barbaridades com que agora se banqueteiam), "o preço a pedir pela casa sobe bastante"? Onde está o senso disto?

"QUE NESTE MOMENTO ANDA A VOLTA DE 5%, 6% COM IVA JÁ!!! é muito?? talvez sim, talvez não!!!"
* É MUITO, sim senhor! Tendo já vendido seis casas na minha vida e entregue largas centenas de contos (moeda antiga) a imobiliárias em troca de um serviço de que vi muito pouco, acho muito sim senhor! 5 a 6% de margem não parece muito num negócio normal, mas no negócio imobiliário voçês não adquirem bens nem matérias primas! Ou seja, não compram as casas para depois as venderam, voçês apenas "vendem" o serviço de as colocar no mercado e de tratar da parte burocrática, logo esses 5 a 6% são de facto 500 a 600% a que devem ser descontadas as comissões dos vendedores, os custos processuais e os vossos custos de funcionamento!

"Antes de falar e comentar informe-se melhor sobre o mercado!"

* Como a qualquer vendedor, NÃO LHE FALTA LATA! Meu caro, pareço estar melhor informado sobre o assunto que o senhor, como pode deduzir das minhas respostas ao seu
comentário, a menos que tenha usado nela de má fé ou de ingenuidade, querendo acreditar que foi a última que pesou mais.


Reitero por fim o seguinte:

As imobiliárias não são certamente as únicas responsáveis pelos preços absurdamente altos que se praticam em Portugal, sendo esta triste responsabilidade partilhada com construtores, proprietários de terrenos, o sempre passivo Estado, as não-fiscalizantes Câmaras Municipais, os Bancos, etc. Mas de todos estes elementos, as Agências Imobiliárias como a sua são certamente aqueles que mais lucram com o absurdo disparar dos preços no Mercado!

P.S.: Ainda nem faz um mês, na Avenida de roma onde moro, assisti a que a casa ao lado, um 1º andar com 50 (cinquenta) anos a ser vendida a 55 mil contos e a precisar de obras! Onde está a racionalidade deste preço? Dir-me-á que alguém a pagou, mas por quanto tempo a vão conseguir pagar? E que tipo de gente a comprou? Trabalhadores por conta de outrém é que não...

Posted by ruipmartins at 09:29 PM | Comments (6)

junho 26, 2005

"There are three kinds of lies: Lies, damned lies and statistics."

Mark Twain

Posted by ruipmartins at 01:10 PM | Comments (4)

O "branqueamento" de Albarran pela SIC

A entrevista de ontem na Sic Notícias a Artur Albarran raiou o cúmulo do descaramento.

Em primeiro lugar, o "jornalista" apresentou o administrador da Euroamer como concedendo uma "entrevista exclusiva" para a SIC a troco de nada? Mas quem pode acreditar nisto? Pouco depois - e nos dias seguintes - percebia-se qual fora o negócio SIC-Albarran: uma reportagem tendenciosa favorável à Euroamer e a Albarran onde esta multinacional era apresentada como tendo realizado investimentos imobiliários em 8 países, como tendo pretendido "revolucionar o mercado da habitação em Portugal", como tendo pretendido "vender habitações à classe média mantendo curtas margens de lucros", tudo rosas, como se esta multinacional já presidida pelo tenebroso Carlucci fosse uma ONG benemérita, sem fins lucrativos... Esta reportagem sobre a Euroamer tinha como objectivo claro resgatar a imagem pública de Albarran e a da empresa a que preside, usando um discurso demagógico que colheria apoios junto dos telespectadores. Manipulação televisiva ao mais alto grau...

Albarran na "entrevista exclusiva" era apresentado em rodapé como "Apresentador de TV" uma actividade que não exerce à quantos anos? Dez? Quinze? Numa patente tentativa de cativar a audiência, mais disposta a acreditar num "apresentador de TV" do que num "Administrador da Euroamer".

Esta "Euroamer" que até pretenderia "construir hospitais em Lisboa, Porto e no sul do país", num "autêntico" filantropismo capitalista parece - segundo estas reportagens tendenciosas da SIC - foi apenas bloqueado pela Justiça e pela Judiciária quando persecutoriamente investigou Albarran.

Porque é que a SIC agiu desta maneira manipuladora e favorecedora? Apenas para conquistar a "entrevista exclusiva" e as audiências decorrentes? Ou será que foi apenas uma defesa corporativa da classe jornalística?

Uma página negra na história da SIC "televisão independente"...

Posted by ruipmartins at 12:59 PM | Comments (5)

junho 25, 2005

Duas saídas para a crise demográfica europeia

Segundo um artigo da revista "Science e Vie" do número especial "Aviation 2005", a populaçâo europeia não activa (com idade inferior aos 14 anos e superior aos 65) formava actualmente 50% do total da população. Um número que só se irá agravar nos próximos anos com o decréscimo de 7% do total desta população (como observava em comentário anterior o amigo Pires...). No mesmo artigo referia-se que em 2012 a proporção ascenderia a 76%!

É óbvio que estes valores não são sustentáveis por nenhum sistema de Segurança Social... E medidas paliativas como o aumento da idade de reforma ou o aumento das contribuições não irão resolver o problema, porque as suas causas radicam na diminuição, estagnação e até retrocesso do crescimento demográfico por toda a Europa, mas com mais incidência a Leste e a Sul.

É urgente a tomada de medidas que abordem o problema na perspectiva de médio/longo prazo que pode realmente resolver o problema do envelhecimento da população europeia, e estas têm que ser tomadas em duas vertentes:

a) Aumentando os níveis de emigração extra-europeia: sobretudo a partir da Ásia (que terá 60% da população mundial e 2012) e de África (pela sua proximidade), mas controlando esta emigração de modo a excluir os elementos perturbadores e criminosos, e incentivando e premiando a migração de famílias inteiras, estáveis e estabilizantes e promovendo prioritáriamente a integração destes migrantes nas sociedade de acolhimento;

b) Como nenhuma política de incentivo à emigração controlada pode compensar o deficit demográfico europeu, há que conjungar esta política com um plano integrado de incentivo à natalidade como aquele que visionariamente os países escandinavos aplicam desde a década de 60 com tão bons resultados.

Abordando o problema por estas duas vias, a Europa pode sair da estagnação demográfica e assumir o papel de farol civilizacional do mundo em lugar da barbárie islamita e bushista que agora disputa o seu controlo.

Posted by ruipmartins at 01:24 PM | Comments (0)

Guiné-Bissau: O Regresso da Besta amiga do "major"

Aparentemente o ex-presidente Nino Vieira (o amigo do nosso famigerado "major" Valentim Loureiro) está prestes a regressar ao poder na Guiné-Bissau.

A confirmar-se o voto étnico que levara Nino Vieira de volta ao poder, confirma-se a incapacidade do modelo democrático ocidental se aplicar à realidade africana. Vieira foi um dos muitos governantes corruptos e incompetentes do continente africano e o seu regresso ao poder por vontade expressa da populaçao guineense revela a sua extrema falta de maturidade cívica e a inadequação do modelo da democracia parlamentar num país onde as clivagens étnicas e tribais são ainda dominantes sobre as clivagens políticas.

Impõe-se um redesenho radical do mapa africano, terminando com países como a Guiné-Bissau que não passam de meras abstracções do período colonial e fundar novos Estados-Nações que agrupem comunidades com as mesmas identidades étnicas e linguísticas em vez de se preserverar no erro de manter "vivos" estados coloniais europeus, cujas fronteiras foram desenhadas a esquadro no âmbito de nebulosos tratados de partilha entre potências europeias no século XIX.

Só com novos Estados, se podem formar uma identidade nacional superlativa à identidade étnica (na prática, fundindo ambas) e dar o primeiro passo para a criação de uma cultura cívica que expulse os "Nino Vieiras" deste continente, promova o desenvolvimento africano e estanque assim as vagas migratórias descontroladas que retiram a África os seus melhores quadros e os seus habitantes mais empreendedores.

Posted by ruipmartins at 01:14 PM | Comments (1)

junho 23, 2005

Parte 2: Os Descobrimentos Portugueses: A Questão das Canárias no Tempo de Dom Afonso IV

O Relato de Bocaccio

Através da leitura da Relação de Boccacio surge a seguinte questão:
As ilhas foram:
Descobertas ou
Achadas?

Por outro lado, surgem também mais duas perguntas:

O manuscrito de Boccacio é a primeira referência às ilhas Canárias?
A viagem nela descrita foi de conquista ou comércio?
Posteriormente ao Relato de Boccacio, surgem outras referências a expedições às Canárias:

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A Expedição de Dom Luís de la Cerda

Depois destas expedições - com intuitos comerciais - surge um projecto de conquista sistemática liderado por um nobre castelhano:

Dom Luís de la Cerda

O seu projecto arranca depois de uma Investidura do Papa que o qualifica como Principe da Canária, em troca da sua promessa em cristianizar os indígenas.

Esta expedição dependia largamente do apoio material e logístico dos estados cristãos da Europa. Será precisamente a sua ausência que explicará o falhanço do projecto.

Preocupado com esta eminência, o Papa em 11 de Dezembro de 1344 solicita que Dom Afonso IV municie a expedição de Dom Luís de la Cerda.

A intenção expressa na primeira carta papal é reforçada a 10 de Janeiro de 1345 por outra, também dirigida a Dom Afonso IV, concede ao monarca durante dez anos a dízima dos rendimentos eclesiásticos para que Portugal possa continuar a suportar a guerra contra o reino de Benamarim.

Uma bula, também datada de 10 de Janeiro de 1345 e dirigida aos bispos portugueses confirma a anterior seguindo-se-lhe ainda uma terceira desta vez dirigida aos prelados mais clero secular e regular.

Aparece ainda outra Bula que admite o fracasso de Dom Luís de la Cerda concedendo a Indulgência Plenária em Artigo de Morte.
A 13 de Janeiro de 1345, uma outra bula compara os expedicionários aos que participavam numa Cruzada à Terra Santa, desde que por 3 anos tomassem parte nessa guerra.

Todo o projecto virá a fracassar devido à recusa de Dom Afonso IV:
Em 12 de Fevereiro de 1345 uma carta de Dom Afonso IV a Clemente VI responde ao papa reclamando as ilhas para Portugal, porque:
os portugueses é que as descobriram;
estão mais próximas de Portugal;
ele próprio, Dom Afonso IV já lhes tinha enviado uma expedição.

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A Expedição de Jean de Bettencourt

Em 1402 Jean de Bettencourt organiza uma expedição de conquista das Canárias.

Seria esta a primeira a conseguir algum sucesso concreto. Com efeito, dela resultaria o estabelecimento de uma base de operações na ilha de Lançarote.

Devido ao sucesso obtido, este normando passaria a usar o título Rei da Canária.

Será desta ocupação que nascerá a disputa entre os reis de Castela e os de Portugal a propósito da soberania sobre o arquipélago. Contenda que duraria até ao Tratado de Alcanices e depois o de Toledo, que decidem a questão canariana a favor de Castela.

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A Viagem de Lançarote de França

São três as fontes documentais que se referem a esta viagem:

29 de Junho de 1370 Dom Fernando
7 de Julho de 1376 Dom Fernando
8 de Novembro de 1385 Dom João I. Aliás, é graças a este que se conhecem os dois anteriores.

Comentários:

Fortunato de Almeida: Identifica Lançarote de França com Lançarote Pessanha.

Luís de Albuquerque: Não concorda com a identificação de Fortunato de Almeida. Como Lançarote Pessanha tomou partido por Dona Beatriz foi linchado pela população do seu Senhorio, assim, não é provável que Dom João I que conhecia certamente as circunstâncias da sua morte tivesse escrito que tinha morrido nas Canárias.

Charles Verlinder: Para este historiador, Lançarote da França seria Lançarote Mallocelo:
Este Lançarote Mallocelo, segundo a Carta de Dulcert terá tomado as Canárias em 1339;
Lançarote da França e Lançarote Mallocelo seriam o mesmo personagem, um genovês que teria vindo para Portugal com o almirante Pessanha.
A admitirmos esta associação, Lançarote Mallocelo seria o comandante da expedição de Dom Afonso IV.
Entre 1370 e 1376, Mallocelo teria falecido num combate, a que se faz menção no Libro del Conoscimiento, onde se diz que Lançarote Mallocelo faleceu nas Canárias, dando origem ao nome de uma dessas ilhas, precisamente chamada de "Lançarote".
Luís de Albuquerque: Ataca a posição de Verlinder, lançando sérias dúvidas sobre a sua credibilidade.

Posted by ruipmartins at 01:06 PM | Comments (2)

junho 22, 2005

Absorvidos?

A multiplicação crescente de problemas com comunidades emigrantes e seus descendentes (Carcavelos, Quarteira, Linha de Sintra, etc.) vem colocar a questão de saber o que sucederá a este país quando estes elementos forem a maioria da população.

Se um casal português tem em média 0.9 filhos, um casal de origem africana tem em média 4. Isso significa que daqui a uns bons 50 anos, a maioria da população será de etnia africana. Dito assim, a coisa parece dramática. Pessoalmente, gostaria que Portugal continuasse a ser um país europeu, mas se fossemos absorvidos por africanos, não seria a primeira vez... De facto, o território actualmente português já conheceu no passado várias migrações massivas que absorveram completamente a população anterior, e falo das migrações calcolíticas do Norte de África (tardenoisences), dos celtas da Europa Central, dos romanos, dos visigodos, suevos e alanos, etc, etc, etc. Em todas estas vagas, as populações pré-existentes foram aculturadas, embora permanecessem sempre maioritárias. Agora, parece que seremos absorvidos, não só culturalmente, mas também étnicamente. Paciência.

P.S.:
É claro que estes altos índices de reprodução não são eternos... Teoricamente estes 4 filhos por casal vão diminuir para valores semelhantes aos 0.9 quando as famílias emigrantes alcançarem níveis económicos superiores (é sabido que a taxa de crescimento demográfico é inversamente proporcional à riqueza económica das famílias), pelo que esta previsão se pode afinal gorar.

Posted by ruipmartins at 06:39 PM | Comments (4)

Basta Misturar Água

Depois do saque deste fim-de-semana na estação da CP de Queluz-Belas, António Costa anunciou o reforço do policiamento na Linha de Sintra. Isto depois de na semana passada se ter dito o mesmo a propósito do Arrastão de Carcavelos.

Ou António Costa tem uma arca cheia de polícias liofilizados a que basta misturar água para renascerem ou anda aqui mentira ou deslocações daqui para lá dos mesmos agentes. O que vos parece mais provável?

Posted by ruipmartins at 12:50 AM | Comments (0)

Parte 17: "A Escrita Cónia": Os Cónios, Tartéssicos e Turdetanos, um mesmo povo? E a questão da designação da Escrita Sud-Lusitânica

Segundo o Itinerário de Antonino Pio, o território dos cónios era separado daquele ocupado pelos Turdetanos pelo rio Guadiana, ocupando os cónios a margem ocidental e os Turdetanos a oriental. Beja e Mértola eram habitadas por Turdetanos, assim como Myrtillis, Balsa e Ossonoba, no litoral, do Guadiana ao Cabo Espichel. A este juntava-se aquela que era provavelmente a capital do território, mercê da importância económica e do seu posicionamento geográfico, Imperatoria Salatia (a actual cidade e sede de concelho Santiago do Cacém). Esta profunda penetração de populações Turdetanos no seio da “terra cónia” é um dos maiores argumentos a favor da identidade entre Cónios e Turdetanos. Algo que aliás, está bastante claro nos autores clássicos, sobretudo no que respeita à cidade de Balsa. Com efeito, se Ptolomeu (2, 5, 2) e Marciano (2, 13) a classificam apenas como uma “cidade turdetana”, Mela (3, 7) vai mais longe e indica claramente que estaria situada no “ager Cuneus” (“Terra Cónia”).

Alguns historiadores espanhóis já tentaram classificar as inscrições sud-lusitânicas encontradas no território português (com penetrações até ao sul de Espanha) no universo das inscrições tartéssicas do Levante Espanhol. A designação “escrita turdetânica” foi também ensaiada, mas sem conseguir recolher grande adesão, especialmente entre nós. Quanto à inclusão das inscrições sud-lusitânicas nessa esfera tartéssica, encontramos num autor espanhol, Juan Carlos Alonso uma indicação sobre a área geográfica efectiva do “Império” de Tartessos: “a monarquia da cidade de Tartessos, homónima do rio, compreendia toda a actual Andaluzia mais a província de Múrcia e ocasionalmente o sul de Portugal; dominaram a costa desde Lisboa até Cartagena. Ao norte mantiveram fixas as suas fronteiras com os celtas (Cempsii) na barreira natural de Sierra Morena. (…) No Oeste, o sul de Portugal (Os Cinetes) permanecia unido a Tartessos, mais por laços comerciais que por submissão.” Desta citação ressalta a referida intenção de integrar o Cyneticum dentro do âmbito do Império Tartéssico, algo que não encontra nenhuma substância em textos clássicos ou em testemunhos arqueológicos, para além dos naturais paralelismos e contactos entre populações fronteiriças que mantinham sólidos e intensos laços comerciais. Este suposto “império” Tartéssico nunca encontrou nenhuma prova presencial no território nacional, e aliás, a prova disso mesmo está no emprego da expressão: “ocasionalmente o sul de Portugal”.

Estrabão, na Geografia III (1, 6) afirma que os Turdetanos são considerados os mais cultos de todos os iberos. Diz o autor, que conheciam a escrita e possuíam, inclusivamente, testemunhos do seu antigo passado: crónicas históricas, poemas e leis em verso, que afirmavam ser de uma antiguidade de seis mil anos. Acrescenta ainda que "as suas cidades são numerosíssimas, pois dizem ser duzentas. As mais importantes por seu tráfego comercial são as que se acham junto aos rios, nos estuários ou junto ao mar." Não se tratavam obviamente de duzentas grandes cidades, aliás, a maioria destas não deveria agrupar mais do que uma ou duas dezenas de famílias, à semelhança dos povoados cónios encontrados no Alentejo e no Algarve por Caetano Beirão. A concentração junto do litoral ou perto de cursos fluviais está de acordo com a tradição de laços comerciais intensos entre as duas margens do Guadiana e confere com os relatos de Ptolomeu, Marciano e Mela citados no parágrafo anterior.

Qual seria a relação entre estes cultos e prósperos Turdetanos com o nosso objecto de estudo, os cónios? As inscrições tartéssicas , e as inscrições sud-lusitânicas ou cónias sobrepõem-se geograficamente, embora permaneçam morfologicamente distintas e as suas zonas nucleares de maior densidade sejam facilmente identificáveis. Estes indícios indicam estarmos perante duas civilizações semelhantes, obviamente próximas sob todos os aspectos, mas perfeitamente distintas. Também o grande nível de prosperidade alcançado no sul da Península e sobretudo o número de cidades ocupadas por estas populações turdetano-tartéssicas, as afasta das modestas e raras povoações cónias que conhecemos. Aliás, as referências de Estrabão e de outros autores clássicos parecem aludir sobretudo ao que se conhece da cidade de Tartessos e aos territórios por ela directamente tutelados. Não é impossível que os Tartéssicos não fossem mais do que os Turdetanos que viviam na cidade de Tartessos, assim como não é impossível que os cónios fossem os turdetanos que viviam na margem ocidental do Guadiana. A posição periférica dos cónios em relação aos grandes centros comerciais do sul peninsular explica a menor riqueza e – sobretudo – a diminuta dimensão das suas povoações.

A acreditar em Antonino Pio, os Turdetanos ocupavam antes da chegada dos romanos o território cónio. Poderemos então considerar os cónios como Turdetanos? Recordemo-nos que os Turdetanos eram considerados como “os mais cultos dos iberos” e que conheciam a escrita, assim como os cónios. Dada a proximidade geográfica, é impossível admitir que não tenham existido contactos entre cónios e Turdetanos. As relações comerciais entre ambos são inegáveis e robustas, como testemunha a arqueologia. Mas as inscrições sud-lusitânicas podem ser designadas com pertencentes a uma “escrita turdetânica” ou a uma “escrita cónia”? Acreditamos que a melhor prova de que se tratam de inscrições cónias está precisamente na presença quase omnipresente da palavra “cónio” nas estelas do sul de Portugal. Não encontrámos até hoje nenhuma alusão aos Turdetanos nas nossas leituras, conforme veremos mais adiante… Esta identidade entre Tartéssicos e Turdetanos é praticamente consensual, como nos testemunha J. Constantin Dragán quando afirma que: “Os romanos chamavam aos Tartessos pelo nome de Turdetanos.” Daqui se infere que as expressões “escrita turdetânica” ou “escrita tartéssica” são simplesmente equivalentes, uma vez que Tartessos era a cidade capital dos Turdetanos. Algo de semelhante, contudo, não pode ser dito em relação à “Escrita Cónia” ou “Sud-Lusitânica”.

O termo “Escrita Sud-Lusitânica” tem sido o preferido pelos historiados portugueses e do além Guadiana. Mas esta expressão peca pela sua limitação geográfica e imprecisão. Efectivamente, e para além do evidente galicismo de “Sud”, nem só na Lusitânia foram encontradas inscrições deste género, uma vez que na Bética (além Guadiana) também temos diversos exemplos do seu uso . É certo que esta é mesmo a mais segura das expressões, uma vez que não implica nenhuma adesão às teorias turdetânicas, tartéssicas, cónias ou hebraico/fenícias. Daquilo que já escrevemos, deduzimos que o povo que escreveu estas estelas foi efectivamente o cónio. Seguindo uma linha de pensamento semelhante à nossa, Lopes Navarro prefere o emprego da expressão “Escrita Cinética”. O termo é efectivamente adequado na medida em que respeita à designação de Cyneticum empregue por alguns autores clássicos e porque indica a origem genética das próprias inscrições. Infelizmente, a palavra “cinética” tem um significado bem diverso no dicionário da língua portuguesa e o seu emprego pode suscitar confusões perfeitamente desnecessárias. Julgamos assim que uso da expressão “Escrita Cónia” expressa mais claramente a origem das inscrições, o seu âmbito geográfico e, sobretudo, não utiliza uma palavra de uso corrente e diverso daquele que se pretende utilizar, razão pela qual o utilizámos exaustivamente no decorrer do nosso trabalho.

Posted by ruipmartins at 12:46 AM | Comments (0)

O homem da Grande Lata

É tão escandaloso que não resisto a citar na íntegra esta capa do "Independente" :

"O Banco de Portugal gasta mais de 1,5 milhões de euros por ano nos salários da administração. Vítor Constâncio ganha quase 20 mil euros por mês. Silveira Godinho, outro administrador, é reformado do próprio banco. Acumula o salário com uma pensão anual de 139 mil euros."

Posted by ruipmartins at 12:42 AM | Comments (0)

junho 21, 2005

Obrigado, zedtee !

Um Obrigado ao colega bloguista do "Sem Terra" pela suas amáveis referências à série de artigos sobre a Escrita Cónia.

Bem haja!

Posted by ruipmartins at 06:25 PM | Comments (8)

Valentim Loureiro suspende o Campeonato de Futebol de 2006?

Parece que sua excelência o "major" Valentim Loureiro anda a ameaçar suspender o campeonato nacional de futebol em 2006 se as Finanças prosseguirem com a penhora de bens da Liga de Clubes por incumprimento fiscal.

É preciso ter lata!

Que parem então com o Campeonato de Futebol! Fazer chantagem com esta ameaça está bem ao nível (baixo) a que o "major" nos habituou e representa bem o grau de impunidade que existe no mundo de futebol.

Até agora Sócrates tem-se mostrado firme no combate aos Lobbies. Veremos se permanece firme perante esta ameaça do lúgrebe e corrupto "mundo do futebol"... Esperemos que sim.

Posted by ruipmartins at 06:02 PM | Comments (2)

Fim ao "outsourcing" dos meios aéreos de combate a incêndios?

Em declarações prestadas no programa "Prós e Contras", António Costa, o ministro da Administração Interna declarou que era necessário repensar o sistema aéreo de combate a incêndios que custa ao estado português mais de 25 milhões de euro todos os anos.

Este avultado valor deve-se à opção que Portugal tomou em contracorrente à maioria dos países europeus de contratar a empresas privadas os meios aéreos que são usados em Portugal no combate a incêndios. António Costa afirma agora que Portugal devia começar a adquirir em regime de Leasing aviões de combate a incêndio e que os helicópteros Puma que serão abatidos à FAP poderiam ser reconvertidos para combate a incêndios.

A ser levada à frente, esta decisão seria excelente e viria colmatar uma grave lacuna do nosso esquema de combate a incêndios. Inclusivamente, se a FAP tivesse meios próprios de combate a incêndios poderia mesmo alugá-los a outros países (Espanha, França, Marrocos, etc.) e facturar onde agora só existe despesa para o Estado.

Posted by ruipmartins at 05:55 PM | Comments (0)

O alcóol, essa "droga" sempre esquecida...

Em Portugal estima-se que existam cerca de 120 mil alcoólicos para um valor estimado de 50 mil viciados em heroína e cocaína. Ou seja, o problema do alcoolismo é muito mais sério que o droga, embora este seja muito mais visível através da criminalidade e da prostituição que provoca (crê-se que 60% da população prisional esteja detida por crimes relacionados com a Droga).

Ainda que exista uma maior pressão social para dar mais importância ao combate à Droga, esquecendo o combate a esse malefício que destrói tantas famílias que é o alcóol, o problema do consumo excessivo de alcóol em Portugal é muito sério e merecia melhor cuidado. Não existem centros de combate ao consumo excessivo do alcóol e a lei
é permissiva em relação às entidades que o vendem e permitem o seu consumo excessivo (bares e discotecas).

Até quando vai durar esta desvalorização? Para quando o lançamento de uma campanha semelhante à "fumar mata" em todos os produtos alcóolicos?

Posted by ruipmartins at 05:47 PM | Comments (3)

junho 20, 2005

“Reflexão” de Agostinho da Silva; A Verdadeira Grandeza do Infante Dom Henrique

página 60
(...) “A verdadeira grandeza do Infante Dom Henrique está no que tem de português, na sua concepção religiosa da vida, na sua paciente persistência, nas suas visões ou sonhos do Espírito Santo. Mas também nele existe o que diminui a expansão portuguesa: a dureza de sacrificar irmãos, e três provavelmente, um Dom Fernando, um Dom Duarte, um Dom Pedro também; o gosto do isolamento, separando-se de um povo cujos reis com ele dançavam noites inteiras à luz de archotes ou com ele discutiam, numa verdadeira democracia, os negócios do Reino; e a terrível tentação de fazer que importe nas empresas o lucro material. Dom Henrique, na verdade, conduziu Portugal: mas o Povo, que era intimamente franciscano, nunca se entregou intereiramente ao duro, só ou positivo em contas. Pelo Infante se fez história; mas se diminuiu o Espírito. Como na lenda do hino homérico, não houve a coragem de deixar que a deusa passasse pelo fogo dos empreendimentos cem vezes recomeçados o menino que destinara aos banquetes divinos; o lado inglês do Infante, para manter o homem, matou o deus.

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O Cavaleiro Solitário

Ontem, estava eu numa das minhas raríssimas digressões até essa obrigatoriedade do Mundo Moderno: a Praia, onde deixamos a nossa cútis em troca de boa dose de cancros cutâneos quando oiço, na minha rectaguarda um ruído de motor estranho, viro-me e olho para uma mota de quatro rodas pilotada por um guarda da GNR que em pé, acrobaticamente, patrulhava a praia.

Uma visão reconfortante nesta onda de "arrastões", mas a questão é que estive na praia durante umas boas quatro horas (entre as 11:00 e as 17:00 aproximadamente) e neste período de tempo este guarda passou apenas uma vez, numa única direcção... Quantos kms de praia terá este desgraçado à sua conta? Que poderá fazer um agente isolado frente a um Arrastão de meio milhar de gangsters? Atira-se para a turba e espera que cheguem reforços daí a quarenta minutos? É que isto aconteceu na praia de Tróia onde não existe posto permanente da GNR e onde as forças policiais mais próximas se encontram do outro lado do Sado, em Setúbal à distância de uma lenta travessia de ferry...

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Os Buzinões dos Casórios

Todos nós já assistimos (e provavelmente participámos...) num daqueles cortejos automóveis que se realizam a caminho do restaurante após o casamento. Cortejos em que os participantes lutam entre si pela classificação de o buzinador mais frenético do cortejo.

A moda pegou, e hoje, não há cortejo, sem buzinão. A coisa revela uma falta de respeito absoluta pelos outros. Aqueles que têm o dislate de residirem perto de uma igreja popular ou de um jardim bem cuidado são incomodados a toda a hora por estes cortejos de buzinões. Na rua, somos incomodados por esta gente façanhuda pronta a nos comer se protestarmos contra a violação ao nosso direito ao Silêncio. As autoridades - que deviam velar pelo cumprimento da Lei que já proíbe estas buzinadelas - olham de viés aqueles que exigem o cumprimento da Lei, dado que elas próprias nos seus casamentos e naqueles que frequentem derramam sobre o claxon as suas frustações...

Isabel Stilwell, num artigo da Revista do DN, dizia sobre o mesmo assunto, que um casamento que começa com tamanha falta de respeito pelo "Outro" só podia acabar mal, porque os consortes haveriam fatalmente de desrespeitar um ao outro...

Penso que este é mais um sinal do baixo civismo da portugalidade e a popularidade desta "comemoração" diz muito do nosso baixo nível de Desenvolvimento cultural e ético. Neste aspecto, revela bem que Portugal continua a ser no seu âmago um país do Terceiro Mundo.

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junho 16, 2005

Parte 17: "A Escrita Cónia": Extensão do território ocupado pela nação cónia

Heródoto (Histórias, II, 33), é um dos primeiros autores clássicos a mencionar – ainda que vagamente – a posição geográfica dos Cónios: "Os celtas encontram-se além das Colunas de Hércules limítrofes dos Kinessioi que são, pelo Oceano, o último povo da Europa". Mas preciso seria Estevão de Bizâncio que designa o Sudoeste da Península Ibérica como Cyneticum, um nome que resultava do nome dos seus habitantes, os Cynetes do também grego Heródoto de Heracleia (século V a.C.). De sublinhar que nesta época, que corresponde grosso modo à Idade do Ferro Peninsular, todo o Sudoeste era considerado como território cónio. Uma situação diferente da que os romanos encontrariam séculos mais tarde.

Segundo Mário Saa (“As Grandes Vias da Lusitânia”) a província romana da Lusitânia era dividida em três “promontórios”, entre quais se contava o Cuneus Ager, ou “Terra Cúnea”. Este território estendia-se desde o rio Guadiana até ao Sado, incluindo o cabo de São Vicente. Seria nesta região que se inseriam as prósperas cidades turdetanas de Myrtili, Esuri (Tavira), Balsa (Mela; 3, 7) e Ossonoba. Já escrevemos antes sobre o estreito parentesco entre cónios e turdetanos (se é que não existe mesmo uma relação genética). A estas cidades somavam-se outras que na época romana já eram maioritariamente povoadas pelos célticos que tinham descido da Meseta Central, nomeadamente Lacobriga e Porto de Annibal , no Promontório Sacro. No Promontório Magno, a cidade túrdula de Ebora era a povoação mais importante daquela região. Com excepção destas penetrações célticas e túrdulas, parece-nos pacífico que toda a região era, em tempos anteriores à presença romana, “Terra Cúnea”.

Incluídos nesta “Cuneus Ager” estariam o “promunturium Sacrumi” de Plínio (4, 115) (o Cabo Espichel, segundo K. G. Sallmann) assim como outro cabo, o “Cuneus” (o Cabo de São Vicente, segundo K. G. Sallmann, o de Santa Maria, segundo Amílcar Guerra e García y Bellido).

A comunidade de fronteiras entre cónios e tartéssicos é-nos testemunhada por Avienus: "Aqui, no penhasco consagrado a Saturno vagueiam hirsutas cabras e numerosos bodes... desde aqui até ao dito rio há uma viagem de um dia e aqui encontra-se o limite do povo dos cinetes. O território dos Tartessos é contíguo ao deles e o rio Tartessos (rio que tem o nome da cidade) rega a terra".

Existe uma coincidência entre a área atribuída pelos autores clássicos ao “Cuneus Ager” e a distribuição geográfica das estelas cónias tal como ela nos é apresentada por Amílcar Guerra. É este investigar que chama a atenção para a concentração de testemunhos epigráficos nas bacias hidrográficas que se situam na Serra do Caldeirão, sobretudo nas imediações do rio Mira, num percurso que parece acompanhar rotas comerciais que ligavam a próspera economia de Tartessos, no Sudoeste de Espanha, aos territórios ocupados pelos Cempsi e Saefes (num período mais remoto) e a Célticos e Túrdulos no período mais tardio. Os Cónios surgem em ambos os momentos na posição de intermediários, através dos cursos fluviais que dominavam e é desta posição de contacto com diversas culturas e com os mercadores e agentes comerciais fenícios que percorriam estas rotas que resultou o seu domínio da escrita numa época tão remota como os séculos VII e VIII a.C.

Posted by ruipmartins at 01:38 AM | Comments (0)

Cunhal

O funeral de Álvaro Cunhal vem colocar uma pedra sobre uma parte muito significativa do passado recente de Portugal. Figura política determinante deste século, a marca que deixou em todas as correntes políticas é indelével e definitiva. Gostássemos ou não das suas ideias, a sua coerência, a sua grandeza intelectual e cultural, o seu génio oratório e argumentativo colocavam-no muito acima da maioria dos seus adversários.

Com o desaparecimento de Cunhal desaparece um lutador. Alguém que sempre se bateu pelas suas causas e que a elas dedicou toda uma vida...

Quantos de nós poderão o dizer o mesmo?

Posted by ruipmartins at 01:29 AM | Comments (7)

O Santo Despesista

Nos últimos dias, o "mago financeiro" deste país, o Dr. Vítor Constâncio tem alardeado mais do que o costume o seu discurso de "temos todos que dar o exemplo", que "tem que haver contenção na despesa", enfim, o relanbório pequeno-mundista do costume. Como se reduzir os salários (e logo, o consumo) fosse panaceia para crises económicas...

Em total concertação com este espírito de poupança Herr Konstancio tratou de adquirir (com o dinheiro do Banco de Portugal, ou seja, com o nosso) um BMW 530D pela módica quantia de 67.400 euro. Dois dos seus colegas administradores receberam cada um um Saab Sport Sedam 2.2 (37 mil euro) e um Volvo V40 (36.730 euro). O bodo aos pobres e a desfaçatez foi tão grande que até o motorista de Herr Konstancio levou um carrito, um Peugeout 206!

Com exemplos assim, que autoridade moral tem o senhor Constâncio para pedir "contenção" a quem quer que seja?

P.S.:
Esta informação percorre a internet portuguesa na forma de mensagem. Obrigado ao amigo Pires pela dica. Já tinhamos antes feito referência a este BMW num grunhido anterior, mas desconhecia o montante exacto dos automóveis envolvidos.

Posted by ruipmartins at 12:54 AM | Comments (4)

junho 14, 2005

O Julgamento do Mutante e os Sistemas Judiciais Português e Americano

O cantor mutante Michael Jackson saiu ilibado de todas as acusações, como se pode ler aqui , apesar de todos os indícios que apontavam para a sua culpabilidade, quer no contexto do caso em análise, quer pela existência de um processo semelhante a que o mutante se furtou pagando choruda indemnização às anteriores vítimas.

O desfecho dramático deste processo expõem alguma das fragilidades daqueles que muitos julgam ser o melhor sistema judicial do mundo... Aliás, as críticas a este que surgiram depois deste desfecho e que de certo modo são semelhante às lançadas aquando do escandaloso desfecho do julgamento de O. J. Simpson, dizem muito sobre o dito "perfeito sistema judicial americano": todo o sistema se baseia no veredicto de uns quantos jurados, seleccionados aleatoriamente entre a população, e que não sendo especialistas em Direito, nem tendo sequer uma boa Cultura Geral pode ser facilmente manipulável por um qualquer advogado que seja especialmente persuasivo mesmo se o seu cliente possa ser mais cruel que o próprio Átila, o Huno. Um bom advogado consegue sempre convencer um júri daquilo a que se propõe e somente quando lhe cai em sortes um jurí com uma inteligência e cultura acima da média é que o "esquema sai furado". Por esta razão, a profissão de advogado é tão desprezada nos EUA e pode ser tão bem remunerada.

Em Portugal, os julgamentos por júri - ainda que possíveis - são a excepção, não a regra, e as decisões judiciais competem a grupo de três juízes que decidem sobre as provas que lhes são apresentadas. O sistema português tem muitos defeitos, mas defende a Justiça de erros grosseiros como aqueles que foram cometidos nos EUA nos julgamentos de O. J. Simpson e agora no do mutante.

Posted by ruipmartins at 08:28 PM | Comments (0)

junho 13, 2005

Parte 2: Os Descobrimentos Portugueses: Documentos (A "Relação" de Boccacio), extractos de um documento que aborda a conquista das Ilhas Canárias

"No primeiro de Julho deste ano [1341] duas naus providas por el-rei de Portugal de tudo o necessário para a viagem, e com elas uma embarcação mais pequena armada, dando à vela da cidade de Lisboa, se engolfaram no mar alto, levando florentinos, genoveses, castelhanos e outros espanhóis e, além disso, cavalos, armas e vários instrumentos bélicos para expugnar cidades e castelos"

(...)

"chegaram a elas, ajudados de um vento favorável, em cinco dias, trazendo consigo o seguinte: primeiramente quatro homens dos habitantes daquelas ilhas, e além disso muitas peles de bodes e de cabras, sebo, azeite de peixe, e fragmentos de focas, pau vermelho para tingir (...); e além disso cortiça de árvores que igualmente tinge de vermelho."

(...)

"Niccoloso de Recco, genovês, que era o outro capitão das naus, sendo
perguntado dizia que as ditas ilhas distavam da cidade de Sevilha quase 900 milhas, porém que do lugar a que hoje chamam Cabo de São Vicente era menor a distância ao continente."

(...)

"Esta multidão de gente mostrava desejo de ter comércio."

"Sendo as casas muito belas de madeiras belíssimas, por dentro eram todas tão alvas, que pareciam branqueadas com gesso. Acharam tambem um oratório ou templo em que não havia nenhuma pintura nem outro ornato a excepção de uma estátua de pedra que representava um homem nu com uma bola na mão, e com as partes pudendas cobertas com umas coberturas de palma, conforme o uso da terra, e tirando-a de onde estava a embarcarem nas naus, e a trouxeram para Lisboa."

(...)

"aportaram a muitas outras ilhas, em número de 13, umas habitadas, outras inteiramente desertas."

(...)

"E das treze ilhas onde foram, acharam que cinco são habitadas e com muitos habitantes; porém, não são igualmente povoadas; porque umas tem mais, outras menos moradores. E dizem além disso que são tão diversas na linguagem que por maneira nenhuma se entendem uns aos outros."

(...)

"Acharam também outra ilha em que não desembarcaram porque se vê nela uma coisa maravilhosa. Dizem que há nesta ilha um monte que, por estimação, terá de altura 30 milhas ou mais, que se vê de grande distância, e em cujo vértice aparece uma coisa branca (...) forma de um castelo."

(...)

"contudo, assentaram que não era castelo mas um penhasco agudíssimo em cuja sumidade se mostra um mastro de grandeza de um mastro de uma nau, de que prende uma antena com uma vela de uma grande embarcação latina."

(...)

"e julgando este prodígio obra de encantamento, não ousaram desembarcar nela. E outras muitas coisas acharam que este Niccoloso não quis referir; contudo, segundo parece, estas ilhas não são ricas, porque os navegantes apenas puderam salvar as despesas da viagem."

Posted by ruipmartins at 08:57 PM | Comments (0)

Um quinto não é mau...

Aparentemente está na mesa uma diminuição de 1/5 das verbas que Portugal recebe actualmente da União Europeia. Depois de tanto palavreado, esperava-se uma maior redução, especialmente se tivermos em conta a ineficiência das verbas que Portugal não soube aproveitar nestes vinte anos de integração. Um quinto, tendo em conta que a Europa corre agora a 25 e que a maioria destes estão em graus de desenvolvimento inferiores ao nosso, não me parece muito mau. Aliás, Portugal já deixa actualmente muito financiamento europeu por aproveitar, esse desperdício não rondará já actualmente o tal quinto?

No meio deste turbilhão, o Reino Unido lá se vai safando com o seu famoso "cheque britânico" que ninguém consegue perceber porque é que continua a existir, agora que o RU é um dos países mais desenvolvidos da União. Imoral e escandaloso, devia envergonhar todo o britânico...

Posted by ruipmartins at 07:23 PM | Comments (1)

Parte 16: "A Escrita Cónia": A Organização Política dos Cónios

É no Calcolítico que surge um sistema económico que mercê da hierarquização social e da constituição de uma organização pré-estatal forma uma sociedade que envolta em conflitos com as comunidades circundantes cerca as suas povoações de muralhas defensivas. Estas muralhas ovaladas e irregulares, posteriormente reforçadas com a adição de torres e bastiões indiciam um processo de centralização e organização do trabalho que traria, com sucesso, a paz às suas populações. É assim que notamos que, no período histórico imediatamente posterior, as povoações cónias já são inteiramente desguarnecidas de fortificações de qualquer tipo.

A dispersão dos povoados conhecidos indica uma densidade populacional semelhante à actual, embora em povoados muito menores que os actualmente existentes. A uniformidade do povoamento, assim como a pequenez das povoações, sem que nenhuma predomine sobre as demais pode indicar que os grandes centros administrativos estão ainda por descobrir. É também possível que estes simplesmente não existissem, mas sendo assim dificilmente surgiria a “massa crítica” intelectual suficiente para a introdução de um processo tão revolucionário e complexo como era então a escrita alfabética. A tradição grega fala ainda de uma federação de cidades, o que não entra necessariamente em contradição com a tese da “capital desconhecida”. Com efeito, não é impossível que essa cidade ou cidades partilhassem o seu poder com outras, ainda que de menores dimensões mas de fortes tradições, talvez uma espécie de “berço” dos cónios. Tal situação não seria inédita na História dos povos mediterrânicos.

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junho 12, 2005

Os "motims" africanos de Carcavelos e Quarteira

Existe já quem defenda que o que se passou em Carcavelos e Quarteira foi um motim racial, uma revolta urbana de jovens africanos. Mas não creio que o que se passou possa ser enquadrado na categoria dos "motims" por um lado, o objectivo foi mesmo o do assalto, não o do protesto social, por outro, ninguém se amotina nas praias... Amotinam-se nas ruas, ocupam lojas, ruas e cidades, queimam-se pneus e carros. Estes fenómenos de Quarteita e Carcavelos foram apenas episódios (q se repetirão pelo Verão adentro) de criminosos e deliquentes inimputáveis.

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junho 11, 2005

A Solução para a Insegurança nas Praias...

Para aumentar a segurança nas praias a melhor solução seria mesmo permitir o seu acesso apenas a polícias... Só polícias é que poderiam ir a banhos, armados e tudo.

É claro que depois os "arrastões" passavam para as nossas ruas e avenidas entretanto esvaziadas de policiamento, mas aí a solução seria entregar uma estrela de latão e uma Ak47 a cada cidadão. É claro que depois algumas acabariam nas mãos dos gangs, mas aí a solução seria chamar os castelhanos para tomar conta desta salganhada.

E daí... Talvez não fosse má ideia... Pelo menos o problema do deficit e o João Jardim passavam a ser problema do Zapatero e não nosso. Vamos nisso?

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PSP e GNR; Quarteira e Carcavelos...

Hoje, na praia de Quarteira, um grupo de 50 membros de gangs preparava-se para repetir a "operação" de Carcavelos quando a GNR chamada a tempo os dissuadiu e impedir que concretizassem os seus intentos criminosos.

O facto destes acontecimentos terem ocorrido um dia depois dos de Carcavelos só quer dizer que vamos ouvir falar de "Arrastões" durante todo o Verão.

A rapidez e eficácia da GNR em Quarteira também contrastou com a ineficiência da PSP em Carcavelos. Se em Quarteira não conseguiram realizar um só assalto, em Carcavelos ocorreram várias dezenas. Se em Quarteira todos foram identificados pela polícia, em Carcavelos boa centena dos gangsters deixaram-se ficar na praia sem serem incomodados, revistados, nem identificados.

Bom trabalho da GNR, medíocre da PSP...

P.S.: Boa parte da culpa deste fenómeno novo radica na nossa classe política que construiu este edifício legislativo que permite o escândalo dos "inimputáveis" e que encara a acção policial como potencialmente criminosa, dando excesso de garantias aos criminosos e deixando os polícias com dúvidas e receios na altura de intervir. Não só a Lei não está claramente do lado do cumpridor, como num excesso de "garantismo" defende o criminoso, encarado frequentemente como a "vítima do sistema", como o "coitadinho", numa desresponsabilização que serve a quem prevarica e prejudica quem cumpre.

Posted by ruipmartins at 04:31 PM | Comments (1)

O Arrastão de Carcavelos

Hoje, mais de 500 marginais atacaram, agrediram e roubaram dezenas de pessoas que estavam na praia de Carcavelos.

A polícia fez o que tinha que fazer, mas não será esta a primeira ocorrência do género, dado o sucesso quase total da "operação". Com efeito, destes 500 marginais (entre os 12 e os 20 anos) apenas 4 teriam sido detidos, não se dizendo destes quantos seriam "inimputáveis"...

A polícia no final do dia dizia que não se tratara de uma "acção organizada", usando a habitual táctica de diminuir a gravidade da situação para evitar o pânico (provavelmente após ter recebido ordens nesse sentido). Mas como tal poderá ser? Como se concebe que MEIO MILHAR de membros de gangs, apareçam no mesmo dia, na mesma hora, para a mesma acção, sem que haja planeamento, concertação e acção concertada?

Este fenómeno revela que existe coordenação central entre estes gangs. Actualmente já governam em quase completa autonomia os seus bairros a partir dos quais controlam boa parte da distribuição de drogas, o passo seguinte será o de tomarem conta das zonas turísticas para com vagas de assaltos como as deste "Arrastão" financiarem as suas actividades.

Pretender fazer passar isto como um "caso único" (Jornal da SIC Notícias de hoje) é contribuir para esta estratégia de "esconder a cabeça que o mal desaparece"...

Estes "inimputáveis" têm que ser responsabilizados pelos seus crimes, caso contrário estaremos a criar uma geração de gente que aprendeu que praticar o crime é um acto sem consequências. Por outro lado, a integração das comunidades africanas tem que ser acelerada, injectando no seu apoio à integração todas as verbas possíveis. Neste aspecto, a exclusão social através do desemprego e do insucesso escolar tem que ser prioridade nestas zonas onde residem os emigrantes. Os pais destes criminosos, meninos e adultos, devem ser responsabilizados criminalmente pelos seus crimes, porque não existe neles também uma cultura de responsabilização.

Muito há que fazer antes que a situação fuja ao controlo. E não é negando o problema que este será certamente resolvido...

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junho 10, 2005

O texto da discórdia...

A quem interessar... o texto da proposta para a Constituição Europeia...

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“Reflexão” de Agostinho da Silva; A Literatura Portuguesa

página 42
“A literatura portuguesa como a vida portuguesa abrem-se sob o signo do dever de acção e sob o signo da saudade; e esses dois signos marcaram a vida do português para a história, tanto no que respeita à acção externa de Portugal como à sua vida interna. Tudo o que o Português realizou, com todas as imperfeições que são da raça humana, é de jeito missionário.”

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Parte 1: Os Descobrimentos Portugueses: Introdução e "Bula Apostolice Sedis - Construção Naval e Cruzada Marítima"

Nota Introdutória:

Vamos dar início a uma série de curtos textos sobre a primeira fase dos Descobrimentos Portugueses. Este conjunto de textos fazia parte de um Site sobre o tema que mantinhamos no Geocities e que entretanto foi descontinuado. A sua primeira intenção era dar a conhecer ao público estudantil informação que pudesse usar no decorrer da sua carreira académica. Assim, faria todo o sentido tornarmos a disponibilizar esta informação no Blog...

Nesta Bula, passada por João XXII, a 23 de Maio de 1320, el-rei Dom Dinis recebe a resposta a uma sua Súplica feita através do Deão da cidade do Porto e do almirante genovês Manuel Pessanha para que lhe seja concedida a Dízima dos rendimentos eclesiásticos de toda a nação conforme fora definido durante o Concílio Geral de Viena para socorro da Terra Santa e outras necessidades da Fé cristã, durante três anos. Dom Dinis consegue aqui a sua extensão à guerra marítima contra o corso muçulmano no sul de Portugal.

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Parte 15: A Escrita Cónia: Os Invasores célticos e o colapso da Civilização Cónia

É por volta do século V a.C. que as regiões a sul do Tejo assistem à chegada de vagas de invasores vindos do centro da Península ibérica que criam a II Idade do Ferro e que conduzem ao termo da civilização cónia. Os enterramentos tumulares, com estelas, cessam, e passam a surgir nas estações rituais de incineração, com recolha de fragmentos ósseos dentro de urnas. J. M. Arnaud e T. J. Gamito encontram cerâmicas decoradas de influência celtibérica que testemunham essas movimentações de povos em direcção ao sul a partir da Meseta. Curiosamente, ou talvez não, todas estas transformações deste lado do Guadiana coincidem com a decadência do potentado “tutelar” de Tartessos e com o declínio da presença grega na Península após a vitória cartaginesa na Batalha de Alalia. Quebrado o poder do “protector” tartéssico estes aguerridos povos de matriz celta ter-se-iam sentido livres para avançar para sul acabando eventualmente por chegar ao Cuneum Ager.
Perante esta invasão assistimos a uma multiplicidade de reacções. Temos por um lado, violações de túmulos e broches de bronze inacabados em vários povoados do Baixo Alentejo, juntamente com cerâmica quebrada e madeira queimada (Fernão Vaz); mas temos também estelas inscritas que foram reutilizadas o que indicia um repovoamento com novas populações. O facto de serem desta época de transição as últimas estelas revela uma descontinuidade cultural com os povos da Meseta, e o abandono de diversos povoados revela novas prioridades de povoamento, mais viradas para o litoral do que para os circuitos comerciais terrestres com tartessos que serviam de base à economia dos cónios.

Posted by ruipmartins at 01:24 PM | Comments (0)

A "Crise" Económica Alemã

A Economia alemã atravessa uma estranha contradição: Enquanto os números macroeconómicos de crescimento do PIB e do deficit orçamental estão em forte estagnação, num caso, e em acentuada queda, no outro, as empresas alemãs continuam a prosperar e a crescer os seus lucros.

Alías, nos últimos anos só a China e a Alemanha têm vindo a aumentar o valor das suas exportações, contra uma estagnação das exportações francesas e uma queda acentuada dos restantes países do G5.

O problema reside assim na redução das contribuições destas empresas em expansão para o Estado (sob a forma de impostos indirectos e directos) e na redução de mão-de-obra que realizam um pouco por todo lado ao deslocazirarem-se para países do Terceiro Mundo e do Leste Europeu.

Não existe crise económica na Alemanha, existe crise de valores, em que as empresas se furtam a contribuir para o bem comum e desprezam os interesses das próprias sociedades em que estão inseridas e que as alimentam na forma de consumidores. O que estes "gestores" ainda não perceberam é que se alienarem estes consumidores alemães e europeus alienarão aqueles que têm poder de compra para comprar os seus produtos e inevitavelmente, acabarão por decretar o seu próprio fim...

Posted by ruipmartins at 10:55 AM | Comments (0)

junho 09, 2005

A Única Notícia Sobre Portugal, foi sobre...

Estive ontem na Bélgica. Do zapping nas televisões locais, ficaram-me duas coisas: a imensa pobreza dos seus canais no que respeita a programas culturais e até a séries e filmes de qualidade.

A outra foi a única referência a Portugal, obviamente, sobre os incêndios que assolam crónicamente o nosso país... Mão percebo nada de flamengo, mas parecia ser o incêndio que ontem assolou a Figueira da Foz.

Qual é o nosso problema? Meios aéreos temos, bombeiros, haverá cerca de 30 mil, um número que dizem alguns especialistas ser suficiente para a nossa área florestal. Mas e então, qual é o nosso problema?

O nosso problema está basicamente no estado das nossas manchas florestais... Matas que nunca foram limpas, acessos que não existem ou são muito difícieis, falta de mecanismos de vigilância, falta de civismo por parte de muitos portugueses, etc. As causas são múltiplas, como se esperaria num fenómeno desta grandeza, mas de todas, a limpeza e os acessos nas zonas florestais parecem ser o cerne da questão.

Os proprietários não limpam as matas, porque os parcos rendimentos que estas dão, mal pagam a sua exploração, quanto mais a sua limpeza. E o mesmo se passa com os acessos. Sendo assim, competiria ao Estado intervir. O Exército devia abrir caminhos florestais e os seus contigentes colaborar no patrulhamento e vigilância. As matas poderiam ser limpas pelos 15 ou 20 detidos que temos em Portugal, como é uso noutros países, a um preço simbólico. Soluções existem, e nem são originais ou difícieis de implementar, haja apenas imaginação... Vamos ver se a necessidade aguça o engenho...

Posted by ruipmartins at 10:44 PM | Comments (3)

A fotografia "casual"...

Na contracapa do Jornal "Correio de Manhã" assiste-se a mais uma manobra carrílhica para o catapultar nas sondagens... No canto, está uma fotografia do casal Bárbara Guimarães-Maria Carrilho passeando calmamente e olhando embevecidos um para o outro no Centro Cultural de Belém...

Tudo ali é montado... O cenário "cultural" a fotografia dos dois de mãos dadas... A presença "fortuita" do fotógrafo do jornal no local...

Política no seu mais baixo nível. Contrastando radicalmente com a inteligência e cultura do candidato, curiosamente...

Posted by ruipmartins at 09:19 PM | Comments (4)

junho 06, 2005

Mais um assalto em Lisboa...

Esta noite assisti a um assalto. Ou melhor dizendo: ao fim de um assalto.

Estava eu levando a minha filha à janela pela 1 da manhã para ver os "piu-piu" de que tanto gosta quando oiço ruído de vidros partidos e do outro lado da rua reparo que alguém com a aparência de um sem-abrigo revolvia numa montra de uma loja de artigos electrodomésticos coisas e sacos. Pouco depois, noto que dois indivíduos com aspecto eslavo passam e àquela hora da manhã olham demoradamente para dentro da Joalharia que faz paredes meias com a loja arrombada. Chamo a polícia, que chega rapidamente e falo com esta reportando aquilo que vi. Até agora, nada de especial ou invulgar. Isso começa agora...

Enquanto o sem-abrigo (que manifestamente não foi o assaltante da loja porque só levou consigo umas tomadas e uns fios) revolvia os destroços da montra passaram várias pessoas por ele, e - nenhuma - fez o que fosse, nem chamou a polícia, nem falou com o "Sem Abrigo", nem sequer olhou! A indiferença dos portugueses perante o que se passa ao seu lado é absoluta! Ou será que é apenas uma manifestão daquilo a que José Gil chama de "Não Inscrição"?!

Por outro lado, este assalto - em plena Avenida de Roma, em Lisboa - terá ocorrido entre as 00:00 e as 01:00 de ontem, ou seja, ainda no princípio da noite! Tamanha é a impunidade com que estes senhores se sentem!

P.S.: Uma nota final para o profissionalismo da polícia que em menos de 15 minutos tinha um agente no local e que 5 minutos depois tinha 8 homens à paisana mais dois agentes fardados...

Posted by ruipmartins at 09:03 PM | Comments (8)

Google Print !

Já imaginou procurar dentro do texto de milhares de livros com um único clique? Para isso aceda a Google Print

O projecto é tão fascinante que na Europa já surgem movimentações de algumas bibliotecas nacionais para lançar sistemas semelhantes (como o lançado pela Biblioteca de Paris).

Mais uma vez a iniciativa privada toma a dianteira à pública... Infelizmente.

Posted by ruipmartins at 08:55 PM | Comments (0)

Guerra Junqueiro, in "Pátria": Portugal ontem, tal como hoje...

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de
dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz
de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo,
enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da
sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, -
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não
descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem
carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam
na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a
veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao
roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a
indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis
no Limoeiro (...)

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este
criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto
pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo
primeiro que sai dum ventre, - como da roda duma lotaria.

A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao
ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, - de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar
(...)"

Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896

Posted by ruipmartins at 05:38 PM | Comments (0)

junho 05, 2005

“Reflexão” de Agostinho da Silva; o Dever de Acção e o Signo da Saudade

“Reflexão” de Agostinho da Silva; Guimarães Editores, Lisboa, 1990

página 42
“A literatura portuguesa como a vida portuguesa abrem-se sob o signo do dever de acção e sob o signo da saudade; e esses dois signos marcaram a vida do português para a história, tanto no que respeita à acção externa de Portugal como à sua vida interna. Tudo o que o Português realizou, com todas as imperfeições que são da raça humana, é de jeito missionário.”

Posted by ruipmartins at 08:49 PM | Comments (0)

BMWs para os Senhores Juízes, SFF !

Segundo notícia de "O Independente" Os senhores juízes do Tribunal Constitucional trocaram a frota de Peugeots por uma de BMW, aparentemente mais concordante com o imenso prestígio dos seus faraónicos cargos. A coisa ficou por uns módicos 484 mil euro...

Aí esta a classe de privilegiados a dar o exemplo de austeridade.

A única coisa foi de que assim contribuiram para a retoma económica. Da economia alemã, entenda-se...

Posted by ruipmartins at 04:43 PM | Comments (4)

O Exemplo de Tibério

A propósito destes maus exemplos dados pelos dois ministros de Sócratos e por Alberto João, ocorreu-me o exemplo do imperador Tibério:

Quando, desejando agradar ao imperador Tibério, o Senado propôs dar o seu nome a um dos meses do ano*, Tibério recusou afirmando: "e que fareis quando houver um décimo terceiro imperador?"


* Adivinhem lá qual é a origem do nome dos meses Julho e Agosto? (Júlio e Augusto, respectivamente).

Posted by ruipmartins at 02:50 PM | Comments (0)

As Ajudas a África

O grande problema de África sempre foi a corrupção e inépcia das suas élites. Isso e a passividade colaborante das democracias ocidentais...

As ajudas não deviam ser entregues aos governos africanos, mas TOTALMENTE nas mãos de entidades da ONU ou de ONG fiáveis. Se necessárias forças paramilitares ou militarizadas da ONU ou da UA vigiaram localmente a distribuição das ajudas.

E, sobretudo, as ajudas não deviam ser meras distribuições passivas de mantimentos, mas ajudas ao desenvolvimento e investimentos na economia local.

Posted by ruipmartins at 01:07 PM | Comments (2)

Carta Aberta à Hertz (a reclamação nunca obteve resposta...)

A seguinte carta foi enviada à Hertz em meados do ano passado. Desde então até hoje não conheceu qualquer resposta, nem sequer um breve aviso de recepção... Mais uma multinacional autista, pelos vistos:

"Gostaria de vos colocar perante as seguintes questões, levantadas no decorrer aluguer de um Renault Espace com a matrícula 85-88-XI (Rental Agreement 53/6764410):

1. No momento que vamos recolher o veículo, o vosso funcionário pede um Cartão Visa, o que lhe é dado, mas depois, sem mais explicações afirma que o "cartão foi recusado". Após alguns telefonemas para o Banco descubro que o problema residia no tecto do dito cartão que era de 1000 euro quando a Hertz precisava que ele tivesse pelos menos 1018 euro. Resolvida a situação por telefone com o Banco, a transacção é consumada. Mas coloca-se a seguinte questão: O dito funcionário recusou fazer a transacção por 1000 euro, pagando depois os 18 euro remanescentes em moeda. Se o Banco não pudesse resolver a situação, a Hertz perderia o aluguer. Os vossos processos são tão inflexíveis e os lucros tão altos que se podem dar ao luxo de perder assim clientes? Ou o referido funcionário agiu simplesmente de má vontade?

2. Entrámos nas vossas instalações da Rua Castilho eram 18:50 aproximadamente. Ou seja, bem, dentro do horário de serviço. Contudo, e por causa do acima descrito, a transacção demorou-se mais do que o normal e o vosso funcionário afirmou a dado momento que teríamos que ir embora se da próxima vez que passasse o cartão pelo leitor este fosse recusado, não nos dando nova oportunidade para contactar o Banco. Compreendo que o funcionário não seja remunerado para trabalhar depois das 19:00, mas a empresa não devia acautelar estas situações? Ao fim ao cabo, quem entrar na loja às 18:59 tem os mesmos direitos de ser atendido que quem entre um quarto de hora antes, ou não? Se não, encerrem as portas da loja às 18:30 e façam atendimento até às 19:00.

3. Interroguei na altura da entrega do veículo o funcionário sobre se o veículo teria Alarne contra Furto. Ao que me foi dito: "o veículo traz todo o equipamento de série", afirmando implicitamente que sim. Ora, isso não era verdade: o veículo efectivamente não trazia de série esse tipo de equipamento... Esta resposta infeliz coloca em questão a seriedade da Hertz.


Cumprimentos,
Rui Martins

Aguardando o vosso comentário, despeço-me atenciosamente.
"

Posted by ruipmartins at 12:57 PM | Comments (0)

Até Quando?

Até quando vamos suportar os dislates e imbecilidades impunes do Senhor "acumulador de pensões" Jardim?

Porque é que alguém chama a pessoas que não conhece "filhos da puta" e passa impune? Porque é que ninguém o processa? Porque é que o Senhor Sampaio - que até já foi insultado pessoalmente pelo personagem - não reage e se mantém num silêncio temeroso?

Até quando durara este clima de impunidade?

Posted by ruipmartins at 12:53 PM | Comments (2)

junho 04, 2005

Sunquick e a Mentira do Sumo

Um anuncio que está a passar no canal Panda transporta uma perigosa mensagem, que além de falsa, vai contribuir para a edificação de uma geração de crianças e adultos obesos e infelizes com o seu próprio corpo.

O anúncio - aparentemente inocente - figura um grupo de formigas muito semelhante ao "Antz" da Pixar que transporta aos ombros frutas com bastante esforço. Subitamente, uma delas encontra uma garrafa de "Sunquick" e todas abandonam a carga para rodearem o sumo, colocando-se em atitude de adoração.

A mensagem subliminar é clara, clara o bastante para penetrar nas mentes infantis ainda indefesas contra estes "golpes baixos" da Publicidade: o Sumo é melhor que a Fruta. O que para além de totalmente falso (como dirá qualquer nutricionista) é perigoso para a saúde das crianças.

Publicidade deste género devia ser proibida, especialmente aquela que passa em canais infantis.

Proteste na RAI Foods, a multinacional que produz o "sumo" !!!

Posted by ruipmartins at 07:33 PM | Comments (0)

Porque não reagimos a Santanismos, às reformas dos ministros, aos aumentos de impostos, etc?

Esta passividade ou lassidão comuns nos portugueses são uma herança directa dos anos de ditadura salazarista e da Inquisição Católica (versão ratzinger século XVI-XVII). Sendo fenómenos que nos são estruturais temos que viver com eles pelo menos mais uma geração... Acredito que aquela geração que nasce hoje, tem finalmente condições para "dar o salto em frente" e abandonar este miserabilismo e "pequenismo" nacional que José Gil descreve tão bem no seu "Portugal, o Medo de Existir".

Posted by ruipmartins at 12:41 PM | Comments (0)

Loop Infinito

Se o governo pretende mesmo corrigir a deriva do deficit, tem que exercer uma pedagogia da racionalidade da despesa e da contenção de custos. Se no seu próprio seio transporta gente que pelas suas acções se afastam dessa "pedagogia do deficit" ela própria fica ferida de morte.

O exemplo tem que partir do topo.

Não se compreende como no momento em que se cortam até na reforma dos desempregados de longa duração se mantenham reformas milionárias de ministros e presidentes de governo regional que ainda por cima as cumulam com o vencimento.

É um escândalo só possível porque os políticos fazem leis que se aplicam a eles próprios, em "loop infinito".

Posted by ruipmartins at 12:36 PM | Comments (5)

Bush visitando a linha de frente entre as duas coreias...

Busho no seu melhor...

Posted by ruipmartins at 12:40 AM | Comments (1)

junho 03, 2005

"Receio mais os meus erros que os planos do adversário."

Péricles

Posted by ruipmartins at 11:20 PM | Comments (0)

A sapiência que emana da boca da Eminência Parda da Social Democracia

A eminência parda da Social Democracia, o eterno defensor do PSD custe o que custar, faça-se o que se fizer, capaz dos mais extremados extremos, como por exemplo o de defender fanáticamente o indefensável Santanaz Lopes, (já adivinharam de quem estou a falar?): Luís Delgado, declarou no dia 1 de Junho que «A Holanda, por todas as razões é tradicionalmente um país do «contra».Se ninguém quisesse a nova constituição eles votariam a favor, e vice-versa»

Nem vale a pena discutir se a Holanda é ou não o "país do contra": estarão eles contra a Europa, sendo fundadores? Estarão eles contra o Aborto, eles que o legalizaram? Contra o consumo de drogas leves? Contra o desenvolvimento económico? Contra a aceitação de emigrantes? Contra a abertura de portas a exilados políticos? Ou será que estariam apenas contra Luís Delgado (se alguém na Holanda soubesse quem é tal personagem)???

O que incomoda a Luís Delgado e à demais camarinha eurocrata é que o povo da Europa quando os seus políticos e governantes cometeram o erro de lhe dar voz (nalguns países) pelo Referendo, exprimiram a sua vontade de chumbar esta Constituição e esta "Europa" não-democrática, ultraliberal e globalizante. E é isso que os incomoda.

Agora que a Constituição Europeia parece ferida de morte, estes eurocratas (Freitas do Amaral, Barroso, o PM holandês, etc.) começam a dizer que "temos que começar a pensar em alternativas para fazer avançar o projecto europeu", isto é, daqui a uns anos (Freitas fala de dez) os eurocratas vão fazer avançar novamente este texto constituicional, com algumas alterações cosméticas, mas sem o sujeitarem a referendo e sem correrem desta feita o risco de que os europeus a possam vetar.

Ou seja: "Vamos esperar uns anos, que os gajos esquecem-se disto rapidamente, e depois, fazemos passar a mesma coisa em conselhos europeus, no parlamento europeu e nos parlamentos nacionais que controlamos e onde não corremos o risco de apanhar com um chumbo."

Eis a "democracia" à "europeia"...

P.S.: Obrigado ao amigo PF pela "dica"...

Posted by ruipmartins at 10:22 PM | Comments (0)

“Reflexão” de Agostinho da Silva: A Irmandade Antiga

página 40

“O Português lembrava-se, e da única forma perfeita em que o lembrar existe, que é vivendo-o, o Português lembrava-se da irmandade antiga de mouros, de cristãos e judeus, antes de franceses e almorávidas; irmandade que não vinha de conciliações e de concessões e de todos os mesquinhos arranjos a que está demasiado habituada a nossa época, educada em tratados de comércio. A fraternidade que ali havia era a outra, a que vinha de São Paulo proclamando que depois do Cristo era absurda toda a distinção entre judeu e gentio, entre incircunciso e circunciso.”

Posted by ruipmartins at 12:45 AM | Comments (0)

junho 02, 2005

A "Europa Agonizante" ?

Na edição online da CNN escrevia-se que a "Europa estava agonizante" depois do segundo referendo negativo. Para além da natural exaltação americana com as desventuras europeias, a verdade é que a Europa não está agonizante coisa nenhuma... Pode ser esse o desejo de muita gente nos EUA, mas o desaire de uma constituição mal atamancada, impopular, liberalista e globalizante é sobretudo um desaire para os liberais e globalistas que a escreveram e nunca para o conceito de "Europa" de Shumann e Delors que esteve no seu fundamente e que continua hoje tão válido como o era no pós-guerra.

Quem "agoniza" é Barroso e a camarinha de eurocratas que orbitam em Bruxelas, não a "Europa" de todos nós... A ideia de Europa, como comunhão de países, que se entreajudam, que se desenvolvem em comum, e que na Paz evitam os conflitos que devastaram o continente durante décadas continua válida, mesmo a 25. Por muito que isso doa a alguns americanos... Lamento.

Posted by ruipmartins at 11:27 PM | Comments (2)

junho 01, 2005

A Família Feliz

A capa desta semana da revista "Caras" revela uma fotografia da aparentemente feliz e perfeita família Carrilho passeando na Feira do Livro de Lisboa, edição 2005.

O "timing" desta capa é muito suspeito e se não é a primeira manobra para "vender" o candidato Carrilho à Câmara de Lisboa então parece muito bem ser uma manobra deste jaez... Aí estão os Media a cobrar os favores das entrevistas que a Bárbara lhe tem concedido.

O "golpe" da "família feliz" vai certamente conquistar alguns votos dos lisboetas menos democraticamente conscientes, e o "crime" irá assim compensar, mas só simples facto de isto ter sucedido revela o carácter ainda muito imaturo da nossa democracia.

E o pior é que sendo Carrilho um dos homens mais inteligentes e cultos do país, percebeu certamente tudo o que se estava a passar (se é que não esteve por detrás desta capa "encomendada"...), mas precisaria mesmo de recorrer a este golpe baixo? É que - caramba - a concorrência esteve mentida no Santanismo até ao pescoço, e todos sabemos como o contacto com Santanaz destruiu tudo o que com ele tocou...

Posted by ruipmartins at 11:32 PM | Comments (4)