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junho 06, 2005

Mais um assalto em Lisboa...

Esta noite assisti a um assalto. Ou melhor dizendo: ao fim de um assalto.

Estava eu levando a minha filha à janela pela 1 da manhã para ver os "piu-piu" de que tanto gosta quando oiço ruído de vidros partidos e do outro lado da rua reparo que alguém com a aparência de um sem-abrigo revolvia numa montra de uma loja de artigos electrodomésticos coisas e sacos. Pouco depois, noto que dois indivíduos com aspecto eslavo passam e àquela hora da manhã olham demoradamente para dentro da Joalharia que faz paredes meias com a loja arrombada. Chamo a polícia, que chega rapidamente e falo com esta reportando aquilo que vi. Até agora, nada de especial ou invulgar. Isso começa agora...

Enquanto o sem-abrigo (que manifestamente não foi o assaltante da loja porque só levou consigo umas tomadas e uns fios) revolvia os destroços da montra passaram várias pessoas por ele, e - nenhuma - fez o que fosse, nem chamou a polícia, nem falou com o "Sem Abrigo", nem sequer olhou! A indiferença dos portugueses perante o que se passa ao seu lado é absoluta! Ou será que é apenas uma manifestão daquilo a que José Gil chama de "Não Inscrição"?!

Por outro lado, este assalto - em plena Avenida de Roma, em Lisboa - terá ocorrido entre as 00:00 e as 01:00 de ontem, ou seja, ainda no princípio da noite! Tamanha é a impunidade com que estes senhores se sentem!

P.S.: Uma nota final para o profissionalismo da polícia que em menos de 15 minutos tinha um agente no local e que 5 minutos depois tinha 8 homens à paisana mais dois agentes fardados...

Publicado por Rui Martins às junho 6, 2005 09:03 PM

Comentários

Pois é amigo, o pessoal não quer problemas, chamas-te a policia e muito bem, agora terás de ir prestar declarações e o processo será arquivado por falta de provas, ou porque os assaltantes são desconhecidos, não havendo flagrante delito não há nada a fazer, é assim a lei.
Eu tenho sentido na pele esses problemas, pois como tenho uma casa de fim-de-semana (alugada) na Caparica, já perdi a conta ás vezes que fui assaltado, ou foram 6 ou 7 se a memória não me falha, da ultima vez que me assaltaram devem ter ficado um bocado frustrados, pois eu tinha sido assaltado um mes antes e ainda não tinha reposto nada do material desaparecido, limitaram-se a beber umas cervejas e comer uns aperitivos depois de terem rebuscado tudo em vão, dava para rir se não fosse o prejuízo do forro do sótão que os meliantes tinham danificado para entrarem, e lembro-me que uma das vezes em que fui assaltado um elemento da GNR de Almada me ter dito que sabia qual tinha sido o grupo, mas como não havia flagrante delito nada podia fazer, tinham de ser as companhias de seguros a pressionar o governo para que eles alterassem as leis para depois os agentes da autoridade poderem fazer alguma coisa, pois já estavam fartos de serem massacrados pela comunicação social de abuso de poder e no caso de serem ladrões de raça negra então ainda é pior, porque passam de imediato a ser racistas e saltam-lhes em cima uma série de associações de direitos dos ditos a que se seguem inquéritos e um monte de merdas a que se vêem obrigados e agora era assim, ou os apanhavam a roubar ou então não podiam fazer nada a não ser tomar nota da ocorrência por causa das companhias de seguros e ponto final.

Publicado por: pf às junho 7, 2005 12:01 AM

Este este estado de coisas em que se tirou quase todo o poder às polícias começou com o fim do Estado Novo e não tem cessado de se agravar. Acredita-se que democracia e respeito pelas liberdades cívicas são conceitos incompatíveis com a autoridade e respeito pela polícia. Não o são, e o desconforto que os portugueses sentem com a autoridade policial só reflecte a sua imaturidade democrática.

E a as falsas questões "racistas" reflectem a nossa consciência pesada pelo tardia retirada de África... Porque não saímos na década de sessenta como toda a gente? Talvez agora os nossos PALOPs fossem mais desenvolvidos e menos africanos tivessem que emigrar e vegetar por cá, inadaptados e sem vontade de se adaptar...

Publicado por: Rui Martins às junho 7, 2005 12:13 AM

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo" para usar o teu texto do Guerra Junqueiro - ontem e hoje.
A mim o que mais me incomoda é a crescente indiferença.

Publicado por: eva lima às junho 7, 2005 01:55 PM

Então!? hoje não há post?, só espero que não tenhas também ido para Antuérpia, o OM sei eu, vai a caminho.

Bom, sendo assim aqui fica a noticia do PortugalDiário sobre o assunto do momento e que já se sabia iria acontecer, espero que me desculpes a ousadia de me servir deste post para te lançar um outro tema.

O governo britânico adiou planos de realizar um referendo sobre a ratificação da Constituição Europeia que deveria ser realizado em Maio do próximo ano.
O chefe da diplomacia confirmou hoje na Câmara dos Comuns a suspensão da realização de um referendo.
Jack Straw precisou na Câmara baixa do Parlamento ter renunciado à fixação de uma data para discutir com os deputados o projecto de lei que abriria a via referendária do Tratado.
Todavia, admitiu que, «se as circunstâncias mudarem», poderá vir a apresentar o projecto de lei em causa aos parlamentares.
«De momento, não há razões para actuar nesse sentido», indicou o chefe do Foreign Office.
Contudo, os britânicos receiam que a Comissão Europeia e alguns líderes europeus tentem implementar partes do documento de outra forma.
«Queremos evitar qualquer suposição por parte da Comissão ou por parte de alguns ministros de que podem escolher este ou aquele ponto da constituição para tentar passar o documento de alguma forma», afirmou Ian Davidson, do Partido Trabalhista, o mesmo do primeiro-ministro Tony Blair.
Já o conservador Kenneth Clarke, um dos mais antigos simpatizantes do Euro, disse que está claro que a constituição está morta. «Depois desses dois referendos, não há solução. As pessoas na Grã-Bretanha não compreenderiam que se decidisse colocar em votação um documento que já não existe».
Recentemente, Tony Blair garantiu que o Reino Unido nunca adoptará um tratado constitucional sem o submeter antes à votação em referendo.
A decisão de suspender o referendo ocorre depois do «não» obtido na França e na Holanda na semana passada.
No sábado, o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler alemão, Gerhard Schroder, fizeram um apelo para que os restantes países da União Europeia continuassem o processo de ratificação.
Um porta-voz do governo francês disse que a Grã-Bretanha terá «a grande responsabilidade» de encontrar uma saída para a crise quando assumir a presidência da União Europeia a 1 de Julho.
Anteriormente, fonte do Instituto dinamarquês de Estudos Internacionais referiu que a Dinamarca poderia adiar o referendo sobre a Constituição Europeia se o Reino Unido decidisse não realizar o plebiscito sobre a Magna carta.
«Poderá ser evidente que não há motivo para realizar um referendo na Dinamarca», agendado para 27 de Setembro, afirmou Anne Mette Vestergaard do Instituto dinamarquês de Estudos Internacionais.
O governo dinamarquês escusou-se a comentar de imediato as declarações de Vestergaard.
Sondagens recentes indicam que, depois da rejeição francesa e holandesa, a opinião pública está contra a Constituição.
E depois de lermos isto, fica na certa uma pergunta, e nós, o que vamos fazer?
Bem, por cá Freitas do Amaral, manifestou simultaneamente uma "posição pessoal" razoável (é preciso voltar a negociar e começar a pensar num novo Tratado) e uma "posição oficial" destestável (o governo português quer prosseguir com o processo de ratificação). A "linha" oficial em prol do referendo foi justificada por Sampaio (o presidente de que tu tanto gostas) com aquela trágico-cómica ideia de que "nós não somos menos que os franceses" mas a mim parece é que ele está a responder sim ao apelo de Jacques Chirac e Gerhard Schroder, feito no sábado.
Não sei como isto aconteceu, mas eu estou do lado do Freitas e vez de estar ao lado do meu Presidente, juro que não sei como isto aconteceu, mas é um facto, já me belisquei e estou bem acordado.

Publicado por: pf às junho 7, 2005 07:47 PM

Deixamos impune a pequena criminalidade,estamos sempre disponíveis para denunciar como excessiva qualquer acção das polícias e acabamos exigindo penas mais severas para o grande crime ou o mais mediático.
É preocupante!

Publicado por: Pindérico às junho 9, 2005 12:35 PM

Fui para Berchem (Antuérpia), pois... E dia 28-29 vou outra vez... O curioso é que para lá fui com o novo líder do PP e na volta, com um eurodeputado do PSD (cujo nome não me recordo). Ou seja, depois de semanas a dizer mal dos eurocratas não deixa de ser curioso ter estado na proximidade dos ditos...

Curioso tb é o facto de ambos viajarem em turística. Aquela história do deputado batman não se baseava na troca de bilhetes de executiva por turística?

Folgo em ver que despertou do sonho/pesadelo sampaísta... Por mim nunca esquecerei aquele dia em que o seu mercedes blindade me tentou atropelar na praça do Comércio...

Publicado por: Rui Martins às junho 9, 2005 09:15 PM

Já sabia que tinhas voltado e que tinhas ido com o OM, pois estive com ele depois da sessão de comunicação da World Directories, espero que a viagem tenha sido proveitosa em companhia tão ilustre.

Já não me lembro bem, mas creio que a questão de andarem em turística era para poderem levar a esposa, faziam a troca, mas isso não tem nada a ver com esses, pois o líder do PP é também eurodeputado, logo leva-me a pensar que a viagem não é paga à fatura mas sim com ajudas fixas e eles estão a poupar para meter algum ao bolso, não creio que seja de criticar é humano.

Quanto ao sonho/pesadelo Sampaísta, estás enganado, eu continuo a ser Sampaísta, mas admito que neste particular ele esteve mal e cada vez estou mais convicto de que o Freitas tem razão, neste momento o tratado está moribundo a República Checa já não sabe se vai fazer o referendo ou não e a Dinamarca nas ultimas sondagens já tem uma maioria de nãos, mas o nosso governo continua firme, vamos ver até quando.

Adorei a resposta do Prof. Freitas ao Vitorino, foi KO. à primeira.
Como estiveste fora passo a dizer-te que o Vitorino deu um raspanete público ao Prof. Freitas, sobre o ele ter divulgado a sua opinião pessoal contrária à opinião do Governo e o Prof. respondeu que lhe reconhecia a ele Vitorino o direito a ter opinião pessoal e mais não disse.

Já agora que me dizes à primeira excepção anunciada pelo ministro António Costa sobre a idade de reforma da PSP e da GNR?
Creio que é a primeira de muitas.

Publicado por: pf às junho 9, 2005 10:07 PM

Não os critico (pelo menos não a este propósito), só achei curioso.

O Vitorino anda com muito ar na barriga. Foi tão elogiado pelos Media que tem mais uns dez metros de altura do que antes. E o raspanete que deu a Freitas exprime essa sua "sublimação". Acho que o Freitas lhe respondeu bem, e gostei (e concordei).

Publicado por: Rui Martins às junho 9, 2005 10:55 PM

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Publicado por: Cialis Viagra às junho 21, 2005 04:18 AM

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