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junho 12, 2005

Os "motims" africanos de Carcavelos e Quarteira

Existe já quem defenda que o que se passou em Carcavelos e Quarteira foi um motim racial, uma revolta urbana de jovens africanos. Mas não creio que o que se passou possa ser enquadrado na categoria dos "motims" por um lado, o objectivo foi mesmo o do assalto, não o do protesto social, por outro, ninguém se amotina nas praias... Amotinam-se nas ruas, ocupam lojas, ruas e cidades, queimam-se pneus e carros. Estes fenómenos de Quarteita e Carcavelos foram apenas episódios (q se repetirão pelo Verão adentro) de criminosos e deliquentes inimputáveis.

Publicado por Rui Martins às junho 12, 2005 04:18 PM

Comentários

Não me parece que seja motim mas sim acções criminosas. Agora o que me intriga é como/quem organizou 500 jovens...

Publicado por: eva lima às junho 12, 2005 10:21 PM

Creio que é de facto uma acção criminosa e organizada e estou de acordo com o RM quando diz que o objectivo foi o assalto e não o protesto social.

Agora vamo-nos começando a preparar pois isto é para continuar e este fenómeno já devia ser esperado, este e outros.

Temos neste momento a segunda geração de imigrantes na casa dos 20 anos que controla os delinquentes adolescentes para os quais não preparámos as nossas leis e que sabem estar inimputáveis, não preparámos para estes nem para outros, pois os tempos mudaram e as leis devem ser adaptadas aos novos tempos, hoje um puto de 15 anos não é o mesmo que um puto de 15 anos à 25 anos atrás, ele cresceu com outra realidade, outra informação e outro conhecimento, isso aliado à crescente desigualdade social, aos guetos em que vivem, à falta de medidas sociais de integração e à forma fácil de vida que se apresenta através do crime para ganhar dinheiro, não os faz olhar a meios e embarcam nesse modo de vida.

As referências que têem não são as melhores, os seus pais na maioria dos casos sempre foram explorados, primeiro lá e depois cá e por isso fizeram com que eles crescessem em condições miseráveis.

Quem tem dinheiro resolve bem o problema, passou a viver em condomínios fechados e frequenta as praias de difícil acesso à escumalha do proletariado, os gajos que frequentam as praias de Carcavelos e da Quarteira são eles também proletariado e classe média baixa que em muitos casos sempre que surge uma noticia de acção policial nos bairros degradados controlados por estes marginais são dos primeiros a julgar as forças policiais e a acusá-las de prepotentes.

Eu estou convicto que é necessário restabelecer a autoridade policial neste País, mas também é urgente a tomada de consciência da necessidade de acções sociais para combater os tempos que virão, só com repressão não vamos lá.

Publicado por: Anonymous às junho 14, 2005 02:17 PM

Lá me esqueci de novo da identificação, fui eu que grunhi e não nenhum malandro.

Publicado por: pf às junho 14, 2005 02:21 PM

O comentário que se segue foi retirado do Abrupto e é uma resposta a um post do JPP sobre o assunto, por me parecer interessante aqui fica à boleia.

Sobre o seu post «Das duas uma» e lendo o DN parece de facto que a história não foi bem contada, pelo menos nas televisões:

«O pânico gerou-se ontem ao início da tarde na praia de Carcavelos, quando centenas de indivíduos, em bandos, começaram de repente a assaltar e a agredir os banhistas. [...] Os distúrbios terão tido início quando uma bando roubou um fio de ouro a um imigrante de Leste, espancando-o, contou ao DN Bruno Marques, um dos banhistas presentes no local. Esta situação foi testemunhada pela responsável de um café da zona, que logo fechou o estabelecimento e chamou a polícia. O tempo de chegada das forças de segurança, ainda que curto, foi suficiente para que, como que por simpatia, outros bandos que ali tomavam banhos de sol aproveitassem a oportunidade para tentar a sua sorte. Gerou-se, então, o caos. Várias crianças perderam-se dos pais, com os bandos a assaltarem quem estivesse mais a jeito, agredindo os que ofereciam resistência.
Nada fazia prever que aquela onda de violência surgisse tão de repente. De acordo com fonte policial, os bandos eram banhistas que, aliás, são frequentadores habituais daquela praia. "Reagiram por simpatia ao verificarem a oportunidade", contou. Não houve, portanto, nenhum assalto organizado à praia, nem qualquer estratégia concertada entre gangs. "A pólvora estava lá e bastou que alguém acendesse o rastilho", explicou o interlocutor do DN.»

De facto, é "interessante" que nenhuma televisão, nas reportagens que vi, tenha colocado ênfase à aparente espontaneidade do "arrastão". E mais: que não houve assalto organizado...

(Miguel Marujo)

Publicado por: pf às junho 15, 2005 02:12 PM

O que significa - a defender a tese da espontaneidade - que as tensões sociais e o "gatilho" para o arrastão foram automáticos, o que é ainda mais preocupante que a tese da operação organizada... Ou seja, se nem é necessário planificar para colocar 500 gangsters a assaltar uma praia inteira é porque a situação é mesmo muito, muito grave e perigosa.

Publicado por: Rui Martins às junho 15, 2005 02:18 PM

Inteiramente de acordo.

Publicado por: pf às junho 15, 2005 03:02 PM

eva lima foi espontaneidade ao principio:" Creio que é de facto uma acção criminosa e organizada e estou de acordo com o RM quando diz que o objectivo foi o assalto e não o protesto social".

Mas no decorer
dos raciocinios tudo da a entender que a luz vem, quer vir para brilhar a luz da mente, para outra vez mergulhar no nada e sem mais sair desse mesmo nada: " Eu estou convicto que é necessário restabelecer a autoridade policial neste País, mas também é urgente a tomada de consciência da necessidade de acções sociais para combater os tempos que virão, só com repressão não vamos lá."
É de louvar, apesar de tudo.
The last but the least: "We are here because you were there" Simplista mas de pureza pura e verdada beleza.
Estou aqui!

Publicado por: vava às julho 6, 2005 12:46 AM


Portugal ainda por mais que se pinte é um país em vias de desenvolvimento. Mais que não seja ao nível social. Na verdade os "mouros" do sul da europa estiveram todo o tempo ocupados consigo proprios: Ser ou não ser brancos da europa branca e esqueceram-se de pintar a casa de outras cores de outras partes do mundo. O grande complexo do portugues é carregar esta carga de ser o que não é: grande e pequeno. Não se pode ser tudo ao mesmo tempo! Ou és grande ou és pequeno!
Os imigrantes em portugal, eu sou um deles, vivem esta dualidade. O resultado é de lastimar.
Grande: 500 adolescentes delinquentes organizam-se para assaltar uma praia. Acho que a Mafia nunca conseguiu tal prestigio!
Pequeno: pensar e transmitir o Grande.

Publicado por: vava às julho 6, 2005 01:18 AM

Meu caro vava, na verdade o conhecimento que temos hoje do sucedido é bem diferente do que tínhamos naquela altura e da mesma forma como se organizaram para ir à praia, (porque organizaram) podiam ter organizado o resto, não seria difícil irem passando a palavra já no local, isto tendo como referência as noticias da imprensa naqueles dias, era verosímil.
Continuo no entanto convencido de que a autoridade policial tem de ser restabelecida, mas ao dizer isto não se infira que sou a favor da repressão, sou a favor da autoridade sem duvida nenhuma, e quando digo isto não me estou a referir a uma autoridade seleccionada ou direccionada para determinada etnia, mas sim para determinado tipo de população, sejam brancos ou azuis, criminoso é criminoso em qualquer cor e é assim que o vejo, mais, quando digo "só com repressão não vamos lá" era minha intenção condenar este tipo de acção e não o contrário, pois o movimento dos que pensam que esta será a melhor forma de resolver o problema, não me convence, já há muito que defendo as acções sociais por parte do estado com vista a acabar com os guetos em que determinadas etnias vivem, maioritariamente os negros e depois os ciganos.
Creio que não me tinha explicado bem, e daí a sua interpretação não ter sido a que se pretendia.

Conclusão: Os criminosos, sejam eles brancos, pretos, amarelos ou vermelhos, devem sofrer as consequências das suas atitudes, nós os outros, que vivemos honestamente e pagamos os nossos impostos não podemos estar sujeitos a este crescimento da criminalidade e impunidade que vai imperando no nosso país (e que eu já senti na pele) e é em relação a isto que escrevi.

Diz o meu caro, que Portugal é um país em vias de desenvolvimento, e faz também referências ao ser ou não ser brancos da Europa branca.
É claro que estamos e estaremos sempre em desenvolvimento, é isso que pretendem todos os que acreditam na importância da acção social do estado tal como eu, agora a referência que faz ao pretenso branquismo dos portugueses, devo dizer-lhe que comigo não pega, pois não tenho o complexo de ser português, eu gosto de ser português e sou branco, se fosse chinês nascido em Portugal, já sabia que iria ser sempre chinês, tal como os africanos serão sempre africanos, é de facto a cor da pele que nos distingue, são as nossas raízes, são os nossos genes, mas não infira destas palavras que uns serão melhores que os outros, eu não quero dizer isso, o que quero dizer, é que teria orgulho fossem quais fossem as minhas raízes, como sou português e branco, é isto que sou sem complexos e não é por o José Gil dizer que somos um povo com medo de existir, mesmo sendo ele um dos 25 melhores pensadores do mundo, que eu lhe vou dar razão.

Publicado por: pf às julho 6, 2005 03:37 PM

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