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junho 20, 2005
“Reflexão” de Agostinho da Silva; A Verdadeira Grandeza do Infante Dom Henrique
página 60
(...) “A verdadeira grandeza do Infante Dom Henrique está no que tem de português, na sua concepção religiosa da vida, na sua paciente persistência, nas suas visões ou sonhos do Espírito Santo. Mas também nele existe o que diminui a expansão portuguesa: a dureza de sacrificar irmãos, e três provavelmente, um Dom Fernando, um Dom Duarte, um Dom Pedro também; o gosto do isolamento, separando-se de um povo cujos reis com ele dançavam noites inteiras à luz de archotes ou com ele discutiam, numa verdadeira democracia, os negócios do Reino; e a terrível tentação de fazer que importe nas empresas o lucro material. Dom Henrique, na verdade, conduziu Portugal: mas o Povo, que era intimamente franciscano, nunca se entregou intereiramente ao duro, só ou positivo em contas. Pelo Infante se fez história; mas se diminuiu o Espírito. Como na lenda do hino homérico, não houve a coragem de deixar que a deusa passasse pelo fogo dos empreendimentos cem vezes recomeçados o menino que destinara aos banquetes divinos; o lado inglês do Infante, para manter o homem, matou o deus.”
Publicado por Rui Martins às junho 20, 2005 09:12 PM
Comentários
“A verdadeira grandeza do Infante Dom Henrique está no que tem de inglês..." do lado do (Big) John of Ghent ("Gaunt")... O Carluci dos tempos que esvoaram...
Publicado por: Beatriz às junho 27, 2005 10:02 PM