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julho 12, 2005

A "Bolsa de Valores": Fim e Inutilidade

Aparentemente, as bolsas tornaram a recuperar ontem porque "afinal o Furacão X não provocou danos nas plataformas petrolíferas no Golfo do México".

Ou seja, caíram porque os especuladores recearam que as empresas que operam no Golfo perdessem dinheiro com danos nas suas plataformas de extracção, mas como não perderam tornaram a subir. Alguém para além de mim observou a irracionalidade do movimento? Como se estas empresas tivessem algo a ver com as acções em seu nome que são movimentadas na Bolsa...

Nas suas origens a Bolsa e a emissão de Acções serviam como meio de financiamento das empresas e projectos, que as vendiam ao público e recolhiam capital deste modo. Na actualidade, após a emissão, as empresas perdem relação com o papel que emitiram e este é transaccionado vezes sem conta sem que a empresa embolse qualquer coisa. Se é assim, porque é que os eventuais prejuízos de um dado furacão devem afectar as acções de uma qualquer empresa?

O que é actualmente a Bolsa além de um puro jogo virtual completamente desfasado da Economia Real?

Este fenómeno demonstra a irracionalidade do Mercado Bolsista, a qual é contudo perfeitamente capaz de levar consigo ao fundo se num dos seus movimentos irracionais e imprevisíveis entrar em "crash".

Pelos riscos económicos que induz, e pelos benefícios que traz para a Economia Real (zero) a Bolsa de Valores devia ser suspendida e o capital que nela é desperdiçado devia ser investido directamente nas empresas (Obrigações) ou em aquisições de partes dele através de Fundos de Investimento sem recurso a este mecanismo manhoso, imprevisível, fuga-ao-fiscoso que é conhecido como "Bolsa de Valores".

Publicado por Rui Martins às julho 12, 2005 11:09 AM

Comentários

Que exagero! Num prazo relativamente longo a bolsa proporciona uma rentabilidade superior à das obrigações (uns 6% anuais a mais do que as obrigações). Mas também é verdade que ocorrem crashes.

Uma polémica que existe é a de que se os bancos centrais também deveriam acompanhar os preços dos activos financeiros. O objectivo central de um banco central é o da estabilidade dos preços. Dos preços dos bens e serviços. Também deveria acontecer uma monitorização dos preços dos activos financeiros? Um argumento desfavorável resulta da dificuldade em destrinçar movimentos das cotações justificados dos movimentos não "justificados".

De qualquer forma para as empresas, em termos teóricos, há uma equivalência entre o financiamento obrigacionista e o de um aumento de capital.

Em Portugal - e em termos caricaturais - os particulares investem em imobiliário (casa própria, segunda casa). Os instituicionais investem no estrangeiro. Se houvesse mais dinamismo da actividade económica em Portugal, também a bolsa seria mais importante.

Publicado por: Rui às julho 14, 2005 10:04 PM

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