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julho 19, 2005

A Saída para a Crise

O que pode Portugal fazer para sair desta crise? Haverá realmente saída e viabilidade económica para este país? Se já não podemos usar o mecanismo do abaixamento do câmbio porque o escudo foi absorvido no euro e se as nossas indústrias são incapazes de competir com as subhumanas condições de trabalho na China e na India então que podemos fazer para defender o que resta do nosso tecido industrial?

Não serão certamente os doravante muito disputados fundos estruturais da União Europeia que se em 25 anos não conseguiram levar este país para o Primeiro Mundo não é agora que o farão. A China e a India também não vão subitamente ganhar consciência social e passar a tratar humanamente os seus trabalhadores e que não se pense que será o consumo dos privados que vai levantar a nossa economia porque estes - nós - já não têm - temos - as reservas das poupanças que nos fizeram sair da crise em 1983 e em 1991 e o crédito também já não é solução dado o alto nível de endividamento dos portugueses.

Dito isto, que futuro para Portugal?

Algo de muito radical tem que ser feito. Já não basta esperar por um qualquer Salvador providencial - como Cavaco Silva - ou por uma qualquer mítica e improvável "retoma" a qual como vimos não tem bases sustentáveis.

Sendo a saída radical de que falamos exactamente?

1. Para devolver a Portugal o controlo das importaçôes devemos ponderar - como o faz actualmente a Lombardia - o abandono do Euro de modo a que possamos reintroduzir as flutuações cambiais.

2. Reintroduzir as barreiras alfandegárias para assim defender a nossa indústria da pressão avassaladora que nos impõem as economias asiáticas.

3. Reanalizar os benefícios que colhemos presentemeate da presença na UE. A União Europeia de hoje é radicalmente diferente da sonhada pelos "pais fundadores" da CECA. Valores como a Solidariedade entre países ricos e pobres e o chamado "modelo social Europeu" que foi principal respoasável poz ransformar a Europa arruinada do Pós-Guerra num oásis de Bem Estar e Desenvolvimento. Com efeito, a Europa dos eurocratas de Bruxelas que cozinharam autisticamente a Constituição Europeia que franceses e holandeses chumbaram não é a mesma Europa a que aderimos na década de oitenta. Os próprios benefícios da adesão devem ser postos em causa: os subsídios europeus permitiram o desenvolvimento da vetusta rede viária e dos Serviços mas a custo do sacrifício de largos sectores da nossa agricultura e de praticamente toda a nossa indústria. O progressivo esvaziamento da economia portuguesa é agora visível na Crise profunda que vivemos. Ao contrário do que defendem muitos economistas neoconservadores - os únicos que têm tempo de antena nas nossas televisões - a nossa crise não é nem conjuntural nem fruto directo do peso exagerado do Estado na nossa economia mas consequência directa da aplicação de um modelo económico falhado.

Defendendo nós a retirada de Portugal da União Europeia enquanto ainda resta algum Portugal para retirar quererá isso dizer que defendemos um modelo isolacionista para a nossa diplomacia? De modo algum! Bem pelo contrário, defendemos a constituição de uma "União Lusófona" com os países africanos de expressão oficial portuguesa e com esse país-continente que é o Brasil. Mas a este assunto haveremos de dedicar outros posts...

Publicado por Rui Martins às julho 19, 2005 02:55 PM

Comentários

Sou muito céptico em relação a este post, mesmo muito céptico, diria mais, sou mesmo muito céptico em relação a este post.

Pausa.

Grande pausa.

...no entanto, a ideia pode vir a tornar-se interessante partindo do principio que terás algo mais consistente a dizer sobre o assunto. Fico sentado a aguardar desenvolvimentos em futuros posts, o que quer dizer que para já não serei um compagnon de route, mas de espírito aberto, sigo a máxima de que as grandes tarefas e as grandes confrontações, estão à nossa frente e não atrás de nós.

Pausa de novo.

...é que isto, é assim como uma vasectomia, e para já prefiro acreditar que o Elvis está vivo, algures em Memphis.

Publicado por: pf às julho 19, 2005 11:29 PM

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