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julho 24, 2005

Do Impulso para a Guerra

"Faz a guerra, Merlim. Faz a guerra para conquistar e faz a guerra para conservar. faz a guerra para esmagar os teus inimigos e também para dominar os teus povos, porque um súbdito cuja vida expões a teu lado é-te mais fiel do que um súbdito que te deve na paz a sua prosperidade. Tudo o que há é guerra, Merlim."

In "Merlim", Michel Rio, Teorema.

Esta frase brutal mas profunda inserida num livro extraordinário que a muitos tem escapado devido à saturação de livros sobre sobre o ciclo arturiano que se sucedeu ao sucesso de vendas das "Brumas de Avalon", deixa vários pontos de análise.

Não defendemos a tese radical e absurda de Benito Mussolini (tudo nele era absurdo, a começar pelo vestuário...) segundo a qual "a guerra está para o homem, assim como a maternidade está para a mulher", mas é impossível negar que existe algo no homem que o condiciona para o conflito, para a disputa, para a guerra, enfim, e que esse algo está muito mais vivo no homem do que na mulher.

Os cérebros dos mamíferos são compostos por três camadas, resultantes de três fases distintas da evolução. À superfície temos o córtex, raíz do pensamento lógico e abstracto, algo que só existe nos primatas mais evoluídos, imediatamente abaixo, encontra-se a região onde nasce e colidem as nossas emoções, mas estabelecido nas profundezas do cérebro encontramos o chamado "Complexo R", ou "Complexo Reptilíano". Esta designação resulta das semelhanças desta região profunda do cérebro com os cérebros dos répteis e é nesta região que residem os instintos mais básicos do ser humano e, entre estes, o instinto da autopreservação, do território, da reprodução e da luta com o concorrente.

Assim, podemos constatar como o instinto bélico está gravado no mais profundo recanto das nossas almas. Negá-lo é negar a nossa própria essência e criar sementes para distúrbios psicológicos de consequências perigosas. Foi esta negação insensata promovida pelo cristianismo e pela maioria das religiões que levou à aparição de "monstros" (monstros, porque anti-naturais), e isto porque esta repressão criou frustações acumuladas que depois explodiram em monstruosidades do género.

O instinto para a agressão é inato ao homem, e em menor grau, para a mulher. Fenómenos como a competição desportiva, as lutas partidárias e até a progressão nas carreiras profissionais e a concorrência entre empresas são sublimações dessas pulsões acumuladas e que actualmente conhecem outras formas extroversão diversas do conflito bélico clássico.

Negar este é, assim, impossível, e só pode provocar repressões que depois provocam traumas de consequências imprevisíveis.

Publicado por Rui Martins às julho 24, 2005 06:21 PM

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