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julho 31, 2005
A "Base de Dados" / Al Qaeda
Muito se tem escrito sobre a origem da denominação "Al Qaeda". Mas sempre em torno da mesma tese, veícula a partir dos EUA: "Al Qaeda" significaria "A Base", no sentido em que seria uma espécie de coligação de movimentos integristas que defendiam o ataque de alvos ocidentais pelo uso de meios armados e de "operações de Mártires". Nada mais falso. A "Base" não é base nenhuma para movimentos anti-ocidentais...
A designação quando o director dos Serviços de Informações da Árabia Saudita (o príncipe Turki al-Fayçal al-Saud) entregou a Osama Bin Laden e missão de gerir financeiramente as operações da CIA no Afeganistão. De 1979 a 1989, a CIA enviou para esta guerra secreta a imensa quantia de 2 mil milhões de dólares, e cabia a Bin Laden a gestão e distribuição pelos diversos movimentos que combatiam os soviáticos destes fundos.
E sabem onde Osama coloca estes dados? Exacto. Numa base de dados, a que chamava a "Base", isto é, "A Base de Dados"...
In "11 de Setembro, 2001, a Terrível Impostura" de Thierry Meyssan, Frenesi.
Posted by ruipmartins at 12:36 PM | Comments (1)
Parte 20: A Escrita Cónia: O Fim dos Cónios e a Razão do Desaparecimento da sua Língua
No mundo dominado pelo Império Romano, a permanência de uma língua indígena esteve intimamente ligada à manutenção dos demais traços da cultura subjacente. Onde mais prolongada foi a resistência desta, mais tempo durou o emprego da língua indígena.
Vimos que no Sul, já frequentado, anteriormente aos Romanos, pelas navegações fenícias e gregas, maiores raízes criou a civilização dos conquistadores. A florescente Bética, não muito depois da conquista, já se tornara numa segunda Roma. Não surpreende, pois, o testemunho do geógrafo Estrabão, que escrevendo sobre Bétis, comenta: “adoptaram de todos os costumes romanos, e até nem já se lembram da própria língua.”
Muito diferente, porém, era o panorama das populações mais ao Norte. Aí só lentamente se foi infiltrando a romanização, e, como consequência, até bem tarde perduraram os costumes e a língua dos antepassados pré-romanos.
Posted by ruipmartins at 12:34 PM | Comments (0)
250 euros por computador?
José Sócrates anunciou um programa de apoio às novas tecnologias no âmbito do qual o governo irá permitir o abatimento de até 250 euros no IRS para a aquisição de um computador por família. Sócrates anunciou ainda que pretende baixar os custos do acesso por banda larga à Internet através de acordos com os diversos operadores existentes actualmente no mercado. Obrigado ao Post do Raimundo Narciso (Puxapalavra) por me meter chamado a atenção para a notícia
A medida é boa, sim. Mas 250 euros por computador é algo demuito vago... E quem já o tem? Pode deduzir impressoras, scanners, etc? Por outro lado, nenhum pc custa esse preço... Porque não lançar um concurso nacional para a fabricação de um pc nacional a um preço baixo e depois entregar um desses pcs a quem o desejar (um por família). Com a economia de escala o preço podia chegar aos 250 euro, dando emprego a assembladores nacionais e incentivando a criação de empresas na tal área favorita das novas tecnologias.
Na Coreia do Sul foi essa a opção seguida pelo governo na década de 90, ao oferecer a cada família um computador com ligação à Internet.
Quanto ao abaixamento dos custos da banda larga... Esse fornecimento não está na mão de empresas privadas? A PT não domina segmentos concorrentes , como o Cabo e o Cobre? Para incentivar a concorrência - e baixar os preços - o governo bem que podia cessar esse monopólio. Porque é que a Sapo/PT não oferece voz sobre Cabo como a Cabovisão? Será que é porque a própria PT também opera a Netcabo?
Posted by ruipmartins at 12:06 PM | Comments (1)
julho 30, 2005
Sobre a progressão automática nas carreiras da Função Pública
Embora discorde do absurdo desperdício que é o "investimento" na Ota e no TGV, quanto à progressão "automática" de carreiras não vejo como se pode encontrar nesta uma justificação moral. Como deve alguém subir na carreira automaticamente, bastando para isso estar vivo? É vital - para melhorar a eficácia dos serviços do Estado - implementar mecanismos de avaliação de desempenho decentes e acabar com esta progressão automática. Neste aspecto o governo Barroso tinha alguma razão e Sócrates devia ir mais longe do que a mera "suspensão" da progressão automática de carreiras.
Vários mecanismos podiam ser postos em acção para premiar o mérito dos funcionários públicos e simultaneamente melhorar o desempenho e eficiência do Estado; Avaliações independentes; Inquéritos junto de utiliadores de repartições públicas; Critérios quantificáveis; Cumprimento de objectivos pré-determinados, etc. Mas haverá vontade política e determinação para enfrentar os poderosos sindicatos da Função Pública? Suspender não basta, há-que Reformar, e esse é que o verdadeiro passo a dar. Tudo o resto, produz descontentamento, um retorno financeiro reduzido e prejudica alterações mais radicais que se queiram fazer no futuro.
Posted by ruipmartins at 07:13 PM | Comments (0)
A Arca da Aliança
1. Introdução
A interminável sequela dos filmes da série «Indiana Jones» abordou na sua primeira encarnação o tema da «Busca da Arca Perdida», e podemos considerar que a temática escolhida terá sido um dos elementos determinantes para o sucesso do filme. Cremos que assim foi devido à grande populariedade que no imaginário judaico-cristão ocidental as místicas do Velho Testamento ainda conservam.
Segundo a Bíblia (cap. XXV do êxodo) a Arca fora encomendada segundo uma forma muito exacta pelo Deus dos Judeus e executada sob as ordens directas de Moisés.
A Arca era constituída por um cofre de madeira revestido por uma protecção metálica dupla, no exterior e no interior, provavelmente de ouro e chumbo. Tinha no cimo dois arcanjos de ouro com asas abertas em atitude de protecção do cofre. O propiciatório colocado sobre a Arca media 2 cóvados e meio por um cóvado e meio, o que nos permite indirectamente avaliar as dimensões da Arca de Aliança. Segundo alguns autores conteria apenas as Tábuas da Lei dadas a Moisés por Yavé, segundo outros, além destas incluiria também o Bastão de Arão e um pote de Maná do deserto.
A guarda da Arca era confiada aos Levitas, os únicos com direito de lhes tocar. Estes, para a deslocarem «enfiavam dois bastões cobertos de ouro nos anéis».
2. A Arca da Aliança, uma pilha eléctrica?
Como dissemos a Arca era feita de madeira de cedro reforçada a ouro por dentro e por fora (o mesmo princípio dos condensadores eléctricos: dois condutores separados por um isolante). A Arca permanecia numa região seca, onde o campo magnético natural atinge normalmente 500 a 600 volts por metro vertical.
Uma vez isolada, a Arca por vezes aureolava-se de faíscas incandescentes e se algum imprudente lhe tocava provocava terríveis estremeções. Por outro lado, os levitas encarregues do seu transporte não lhe tocavam directamente mas só por intermédio de bastões de madeira (material isolante). Quando David pretendeu transportá-la da casa de Abinadan para o seu palácio, deu-se um incidente: a arca estava colocada sobre um carro de quatro rodas completamente novo, conduzido por Oza, filho de Abinadab; como os bois que o puxavam escoicinhavam «ao chegar perto da eira de Nachom, Oza colocou a mão sobre a Arca de Deus», para a segurar, pois estava perigosamente inclinada. E caiu fulminado.
Escavações feitas em alguns templos egipcios mostraram diversos engenhos que visavam impressionar os crentes através de efeitos de luzes e sons. Por outro lado, no Iraque nos anos sessenta foram descobertos diversos pequenos condensadores que tinha a finalidade de por electrolise aplicarem uma leve camada de ouro em estátuas de bronze. As bases da electricidade eram portanto conhecidas no Médio Oriente Antigo. Essa tradição pode ter sido captada pelos hebreus durante a sua presença no Nilo, com efeito, a composição de materiais da Arca sugere que ela se pode ter portado como uma pilha eléctrica com um pequeno condensador. As suas descargas de electricidade estática, embora não fossem certamente suficientes para fulminar alguém (apesar de alguns exageros bíblicos), eram com certeza bastantes para impressionar os crentes.
3. Simbolismos
Existem diversas leituras simbólicas para a Arca da Aliança e para os seus componentes. C. G. Jung refere que a Arca quando surgia nos sonhos era um símbolo do seio materno, mas para além desta leitura psicológica existe uma outra, aquela que os cristãos romanos mais tarde fariam, em que associavam a Arca à mãe de Deus, enquanto mediadora entre o Homem e o Divino, designando-a então por Arca da União.
Um dos componentes essenciais da Arca era a madeira. A madeira simbolicamente é equiparada à matéria em geral, mantendo um estreito relacionamento com o significado de «força vital», de «maternidade», e daí, com «fecundidade». Por outro lado, a escolha da madeira de Cedro também não está isenta de significado. Trata-se de um símbolo de grandeza e do sublime em razão do seu tamanho. É também um símbolo da força e da perenidade em virtude da resistência da sua madeira. Enfim, como todas as coníferas, é também um símbolo de imortalidade.
Além das Tábuas da Lei, que testemunham o contrato entre Deus e o Homem, e que regem a conduta deste último, outro dos componentes guardados dentro da Arca seria um resto de Maná, do mesmo Maná que alimentara os hebreus durante a sua caminhada pelo deserto (æxodo). O Maná é a designação simbólica de todo o alimento sobrenatural, simboliza igualmente o Logos.
Reunindo todos estes elementos simbólicos chegamos algumas conclusões interessantes. Em primeiro lugar a Arca era o símbolo do próprio Israel, terra-mãe e prometida dos hebreus. Noção esta que é reforçada pela madeira sua principal componente, também ela símbolo da maternidade, por outro lado a escolha do Cedro não foi certamente casual sendo ele um símbolo de força e grandeza. Não deixa de estranhar que o fim do estado de Israel tenha surgido pouco depois do desaparecimento da Arca (excluindo uma lenda etíope), ou seja, após o fim da força e grandeza deste. Por outro lado, a imortalidade simbolizada pelo Cedro também se revela na tradição que diz que a Arca não se perdeu, que foi guardada em lugar seguro e que um dia regressará ao seu legítimo lugar, o Templo de Salomão reconstruído. Quanto ao seu conteúdo, o Bastão de Arão simbolizaria o poder temporal do Estado de Israel, as Tábuas o Contrato entre Deus e Israel e o Maná o próprio Logos (ou Razão e Ordem Divinas) que porque incluso na Arca, deveria pertencer ao próprio espírito do Estado Israelita.
4. Historial
Sabe-se que Nabucodonossor II, senhor da Babilónia, no ano de 586 d.C. conquistou Jerusalém. O Templo de Salomão foi então destruído e os judeus levados para Babilónia no cumprimento de uma política de desenraízamento característica das soberanias orientais (inaugurada pelos Assírios). Só depois de 538 a.C. graças à tolerância do Rei dos Reis Persa Ciro II, que conquistara Babilónia, é que os judeus puderam regressar à Terra Prometida. De regresso, o rei judeu Zorobabel encetou a reconstrução do Templo, tendo sido concluída pelo escriba Esdras, sob a soberania do persa Artaxerxes, entre 404 e 358 a.C. Esdras conseguiu fazer regressar para Jerusalém a maior parte da ainda importante colónia judaica em Babilónia. Mas a Arca da Aliança nunca chegara a ir para Babilónia. As referências à pilhagem do Templo por Nabucodonossor II não mencionam a captura do importante objecto de culto (consequentemente uma arma política vital) que era a Arca. Mas mesmo se admitirmos que fosse transportada em segredo para Babilónia isso não explica como depois desta conquistada por Ciro II, fosse transportada para Jerusalém e não para a Pérsia vitoriosa. Ao que tudo indica teria sido escondida em lugar seguro pelos sacerdotes responsáveis pela sua guarda, e daí retirada posteriormente. É assim que quando sob Esdras o Templo é reaberto a Arca reocupa nele o seu lugar central. O seu traço só vem efectivamente a desaparecer muito tempo depois, precisamente quando os romanos ocupam Jerusalém e levam para Roma o seu espólio. Roma receberá assim no seu Tesouro a Arca. Daqui em diante não surge qualquer referência ao objecto. É provável que quando em 24 de Agosto de 410 Alarico, rei dos Ostrogodos, entra na Cidade Eterna e a pilha sistematicamente durante três dias, se tivesse apossado dela, mas também aqui faltam todas as referências.
Esta é a primeira tese, aquela que refere que a Arca teria acabado por cair nas mãos dos bárbaros Ostrogodos. Mas existe uma lenda etíope que lança uma segunda tese, insólita, mas porventura menos conjectural. A lenda é referida no livro «Éthiopie, fidéle à la Croix»: «Makeda, rainha de Sabá, cujo reino poderoso se situava entre as duas margens do mar Vermelho, iniciou um dia uma longa viagem em direcção ao norte. Ouvira falar da sabedoria do rei Salomão e tinha sido informada sobre o esplendor das riquezas de que este se rodeava. Iniciou a viagem com 797 camelos e um grande número de burros e mulas, carregados de presentes. Salomão exultou com a visita da rainha, possuídora de rara beleza, chegada de um país maravilhoso. Ofereceu-lhe refeições variadas e vestidos todas as noites.
A rainha prolongou a estada, admirando a sabedoria com que Salomão dirigia os trabalhadores do Templo, e conversava longamente com o rei sobre questões religiosas. A rainha de Sabá adorava o Sol, a Lua e as estrelas e transmitiu a Salomão o essencial para a construção do Templo.
Por fim resolveu regressar a fim de se ocupar do seu reino. Quando Salomão recebeu esta notícia pensou: «Quererá Deus dar-me um filho desta mulher tão bela que veio ao meu encontro do outro extremo do mundo?»
Decidiu realizar o seu desejo. Durante o banquete que deu em honra da rainha, mandou servir iguarias muito condimentadas para provocarem sede e, quando a noite desceu, convidou-a a passar a última noite no palácio real.
Esta consentiu na condição de não ser violentada. Em contrapartida aceitou não tocar em nada que pertencesse ao palácio. Foram colocadas duas camas nas extremidades da sala, e deitaram-se. A rainha acordou passado pouco tempo e, ao ver um jarro que os servos tinham colocado no meio do quarto, teve vontade de beber. Mas Salomão estava atento. Impediu-a de beber e disse: «Quebraste a promessa que tinhas feito.» A rainha reclamou que a promessa não se referia à água, mas o rei respondeu-lhe que nada havia de mais precioso no mundo, ela reconheceu o erro e pediu de beber.
Salomão libertou-se assim da promessa que fizera e obteve o que queria. Em seguida entregou um anel à rainha e disse-lhe: «Se tiveres um filho, dá-lhe este anel.» A rainha partiu para a Etiópia, onde deu à luz um filho que recebeu o nome de Menelique.
Ao atingir a idade adulta, desejou visitar seu pai. Nessa altura, a rainha entregou-lhe o anel e Menelique iniciou a viagem acompanhado de um séquito numeroso.
Como não queria reinar em Israel, contrariando assim aos desejos de seu pai, Salomão ungiu-o com o îleo Santo da Realeza e Menelique regressou à Etiópia.»
A versão etíope acrescenta que juntamente com Menelique partiram os filhos dos conselheiros e oficiais de Salomão, levando a Arca da Aliança, que desde então teria ficado guardada num local oculto em Santa Maria de Sião, na cidade etíope de Axum. Outra tradição afirma que foi à força que Menelique conseguiu roubar a Arca da Aliança aos hebreus.
5. Conclusão
Daquilo que acima foi escrito constatamos que as imagens do filme pouco correspondem à realidade. O seu aspecto geral é o correcto, especialmente pela presença dos dois arcanjos de asas abertas. Mas nada sugere que ela tenha sido capturada por algum Faraó egipcio.
No final do filme, vemos os anjos que dentro dela estariam guardados a fulminar os nazis que a profanavam. Tam-bém em relação a eles não existe nenhuma referência bíblica. Muito embora as descargas de electricidade estática acima referidas possam surgir aqui como uma possível fonte. Finalmente não se faz qualquer referência nem ao Bastão de Arão nem ao Maná do deserto. Também não parece provável que esteja guardada num qualquer armazém do exército dos EUA, muito mais provavelmente ou continua no mesmo esconderijo onde a guardaram antes da pilhagem de Jerusalém pelos Romanos ou foi levada por estes para Roma, onde teria sido guardada até à conquista bárbara, ou, mais provavelmente, derretida e transformada em barras de ouro.
Posted by ruipmartins at 12:45 PM | Comments (0)
julho 29, 2005
Nino Venceu e a Guiné-Bissau perdeu...
Nino Vieira foi eleito na segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau. A eleição do infinitamente corrupto e politicamente inepto amigo do nebuloso Major Valentim Loureiro vem provar aquilo que já dizemos à muito tempo: a maioria dos países africanos não têm viabilidade.
Para que um corrupto como Nino Vieira possa ter sido eleito democraticamente muita coisa tem que estar mal na consciência cívica do povo guineense.
Os "pais fundadores" dos Estados Unidos e os espíritos mais ilustres da Revolução Francesa sabiam que o nível de Educação e Cultura era determinante para que o Sufrágio Universal e a Democracia pudessem funcionar. Transformar num Estado democrático um país de iletrados só podia resultar na eleição de um Nino Vieira... E este é verdadeiramente o grande problema africano: o baixo nível de instrução das suas populações. É isso que confere aos seus poucos letrados e aos licenciados no estrangeiro um estatuto que os torna em tiranetes do resto da população e transforma as "democracias" africanas em "ditaduras eleitas" como aquela que Nino Vieira vai impôr à Guiné-Bissau para mal do seu povo e do principal destino da sua emigração: Portugal.
Posted by ruipmartins at 05:28 PM | Comments (0)
julho 28, 2005
A Merda
Porque é que na maioria das culturas humanas a palavra que em cada língua designa o excremento é usada como imprecação exclamativa ou como insulto? Quando a mesma expressão atravessa línguas e continentes é porque existe nela algo de muito profundo e ancestral que seja capaz de explicar essa universalidade. Ora os instintos básicos do Homem resumem-se a dois: a autopreservação e a reprodução. Assim sendo, a "merda" deverá radicar a sua universalidade num dos dois, e este parece-me evidente: o instinto da autopreservação.
Desde tempos ancestrais que o Homem aprendeu que a proximidade com os excrementos era fonte de doenças e cheiros nauseabundos e logo se instituíu o hábito de se afastar do grupo para defecar, um hábito inédito nas espécies animais e que em si mesmo prova o estatuto de ser inteligente que o Homem possui. Paradoxalmente, se alguma vez o Homem encontrar vida algures no Universo, um dos sinais de que pode tratar-se de vida inteligente é a atitude que estas criaturas manifestarem em relação aos seus próprios excrementos... Quanto mais longe estiverem da sua própria merda , mais inteligentes são...
Posted by ruipmartins at 11:47 PM | Comments (1)
O mau atendimento nas Repartições Públicas
Profissionalmente contacto frequentemente com serviços de suporte telefónico de várias empresas. Frequentemente nestas (p.ex. a Microsoft) após o encerramento da questão recebo um telefonema onde me colocam uma série de questões sobre o problema abordado.
Imaginem um sistema semelhante para o atendimento em repartições públicas. Imaginem se os funcionários desse atendimento recebessem um prémio financeiro em função dessas avaliações. Imaginem o que isso iria melhorar o serviço prestado, por um custo irrisório...
Sempre acreditei que o que falta no Funcionalismo são mecanismos de Retorno de Mérito e Punição de Demérito. Só assim poderemos dar o tal "salto em frente" para a modernidade do nosso Estado...
Posted by ruipmartins at 06:29 PM | Comments (0)
Petição "OTA e TGV - Esbanjamento Despropositado"
A fúria dos financiadores da campanha do PS parece imparável. Contra toda a razoabilidade e bom senso parece que as obras faraónicas do novo aeroporto na Ota e as múltiplas e inúteis linhas do TGV vão mesmo avançar.
Coelho está por detrás desta sanha furiosa para afundar nos projectos e Sócrates que tem fama de teimoso vai para a frente com os projectos mesmo que contra eles se erga todo o país.
Este país devia investir no seu grande problema: o subdesenvolvimento da nossa indústria e a nossa quase total dependência do petróleo. Para isso, podiámos investir numa rede pública de centrais eléctricas de energias renováveis e reponderar a hipótese nuclear. Não torrar os preciosos recursos que nos restam em coelhadas.
Recomendo a visita da petição "OTA e TGV - Esbanjamento Despropositado" que pode ser assinada clicando aqui
Posted by ruipmartins at 05:54 PM | Comments (3)
julho 27, 2005
Parte 19: A Escrita Cónia: Contactos Comerciais entre Cónios e Fenícios
Se a arqueologia já nos deixou provas de contactos comerciais com as civilizações mercantis do Mediterrâneo Oriental, esses contactos assumem outra escala durante a I Idade do Ferro. Os fenícios fundam entrepostos comerciais como testemunham os achados de Castro Marim, Rocha Branca (Silves), Almada, Monte Molião (Lagos) e Alcácer do Sal. Esta presença, a que não é estranho o florescimento do reino de Tartessos entre o século VIII e VI a.C. seria determinante na ascensão civilizacional das populações que Varela Gomes classifica de pré-indoeuropeias, mas nunca teve a importância de uma “colonização” como quis Moisés do Espírito Santo. Com efeito, estes entrepostos comerciais ou feitorias não tinham o papel de colónias, das quais o exemplo mais ocidental seria Gades. Aqui, viviam apenas umas dezenas de mercadores fenícios, mantendo intensas, estreitas e amigáveis relações com as populações indígenas que os cercavam e que deles dependiam para o abastecimento de bens manufacturados e como elos fundamentais de uma densa teia de relações comerciais que uniam a bacia do Mediterrâneo e a costa ao interior da Península Ibérica.
Posted by ruipmartins at 09:29 PM | Comments (0)
julho 25, 2005
Provérbio Hindu
"O céu abraça a lua tenha esta a forma que tiver."
Provérbio hindu, citado em "Goa ou o Guardião da Aurora"
de Richard Zimmler
Posted by ruipmartins at 08:46 PM | Comments (0)
Portugal, país Europeu ou Atlântico?
A presença de Portugal na U.E. e a própria posição geográfica aparente do país na Europa poderia indicar que este era o seu lugar. Mas Portugal não é um país europeu. Pela sua geografia Portugal é em primeiro lugar um país Atlântico e só depois um país europeu. Os britânicos há muito que perceberam a diferença entre serem europeus ou atlânticos e a sua política externa e o seu próprio posicionamento na União reflecte bem essas diferenças.
Se os países europeus que nos habituámos a admirar e em relação aos quais sentimos frequentemente sentimentos injustificados de inferioridade, vivem em função da pertença a um "continente", a um massa de terra que lhes serve de área de expansão e conquista, e lhes impôs uma propensão doentia para as guerras fraticidas, mas também lhes deu as raízes para a Revolução Agrícola do Século XVII e para o desenvolvimento industrial do Século XIX. A alma europeia está assim claramente condicionada pela omnipresença do elemento "terra" e as aventuras maritimas de franceses e espanhóis são excepção e estão delimitadas em períodos históricos bem definidos e sempre transitórios. A alma dos Estados forma-se na época da sua fundação, e isso mesmo aconteceu com Portugal que definiu aquilo que é hoje a partir das escolhas que os seus fundadores da Primeira Dinastia fizeram. Se os fundadores optaram pela expansão para sul, para território muçulmano, em desfavor da corrente que defendia a expansão até à Galiza isso haveria de nos levar séculos depois ao reconhecimento marítimo da costa ocidental africana e, mais tarde, à Índia e ao Brasil.
A adesão de Portugal à Comunidade Europeia na década de oitenta foi descrita por alguns como um "regresso à Europa" cumprido depois de séculos de aventuras marítimas mas Portugal não poderia jamais regressar onde nunca esteve! Por muito que isso conviesse aos políticos que colocaram Portugal num caminho que lhe é antinatural, Portugal apenas é europeu por casualidade geográfica e a sua alma está bem mais longe, algures no Oceano Atlântico.
Toda a História de Portugal usou sempre o Atlântico como vector. Foi pelo Atlântico que Portugal cumpriu o seu destino nos Descobrimentos - o único período da História em que Portugal foi realmente Portugal e não uma Sombra de si mesmo - e será no Atlântico que se cumprirá o verdadeiro destino de Portugal: o Quinto Império.
Posted by ruipmartins at 08:45 PM | Comments (5)
Citação de "O Romance de Amadis" de Afonso Lopes Vieira
"Senhores, não nos demoraremos nos primeiros feitos do Donzel do Mar. Se me pusesse a contar todas as acções do herói, a história alongava
-se tanto quanto se encurtava a vontade de a ouvir."
Sábias palavras que infelizmente não são seguidas por muitos autores, eu próprio incluído...
Posted by ruipmartins at 08:45 PM | Comments (1)
"A Guerra dos Mundos" de Steven Spielberg
Sem dúvida que este é um dos melhores filmes da temporada e provávelmente um dos melhores do realizador norte-americano. Na maior parte do filme, o espectador está be unhas fincadas na cabeira e quando cambaleia até à porta de saía, tal é a intensidade do fime.
Dito isto, tenho que dizer que quem ainda não viu filme não deve ler as próximas linhas, sob pena de prejudicar o prazez desse visionamento...
Com efeito, gostaríamos de abordar algumas questões que o filme levanta:
1. A Homenagem: O filme de Spielberg é uma homenagem discreta ao fime "A Guerra dos Mundos" da década de cinquenta. Além de ser como ele uma adaptação moderna da obra do romancista inglês H. G. Wells, começa como ele com a mesma narraçâo e encerra também de forma semelhante. Como ele, mantém quase inalterada a cena em que se abre a escotilha do tripóide alienígena e de sai uma mão de três dedos com ventosas que cai da escotilha como sinónimo da morte do invasor. Diverge deste quando não resiste a mostrar o rosto da criatura, um "pecado" bem compreensível porque o público da actualidade não é como o da década de cinquenta, porque de tão saturado de monstros - alguns da autoria do mesmo realizador - nâo aceitaria conhecer o rosto e o corpo dos invasores. Neste aspecto, um dos pontos fracos do filme está naquela cena em que um grupo de invasores investiga - nús, sem nenhum tipo de fato de combate - o conteúdo da cave onde se escondera o herói.
2. A ritualística do "11 de Setembro": o trauma provocado na sociedade norte-americana aquando do "11 be Seyembro" ainda está bem evidente neste filme. A bandeira da União está presente em várias cenas e no início do filme os protagonistas julgam estar perante um "ataque terrorista". A este propósito não deixa de ser irónico comparar o exemplo americano com o nosso: se para o americano ostentar a sua bandeira na forma é uma forma de dizer aos terroristas que estes não o atemoriza e que aquela casa pode ser um alvo. Neste aspecto as bandeiras que ainda hoje estão decorando muitas janelas portuguesas não deixem de ser um tanto patéticas porque comemoram apenas a realização de um evento desportivo passado e onde ainda por cima não saímos vitoriosos...
3. "Os primeiros traços da invasão são confundidos com fenómenos naturais": como no filme da década de cinquenta os primeiros sinais da presença alienígena são confundidos com fenómenos naturais. Antes meteoritos e agora tempestades eléctricas.
4. Spielberg optou por fazer surgir os tripóides de debaixo da terra, onde teriam sido deixados à milhões de anos atrás pelos alienígenas. Um bkm filme assenta sempre no delicado equilíbrio entre espectáculo e realismo. Por vezes os realizadores puxam demais para o espectáculo e foi o que aqui aconteceu.
Não é plausível que uma raça de invasores tivesse enterrado sob os nossos pés centenas ou milhares de tripóides e que nenhum tivesse ainda sido descoberto.
Não é plausível que tendo estado neste planeta o tivessem abandonado numa altura em que ainda não havia ninguém que lhes pudesse oferecer resistência.
Não é plausível que os invasores tivessem organizado duas viagens interplanetárias que exigem certamente recursos muito consideráveis quando podiam ter organizado tudo a partir de uma única operação.
5. Marte: Na história original de Wells e no filme da década de cinquenta a origem dos invasores é Marte. Aqui Spielberg foi forçado a fazer uma actualização. O actual estado dos cenhecimentos sobre o Planeya Uermelho é actualmente muito desenvolvido, sobretudo depois da recepção dos robots motorizados que ainda hoje progridem na superfície marciana e não é já plausível conceber a existência de uma espécie avançada em Marte (embora ainda exista esperança de encontrar aqui vida bacteriana ou pequenos insectos ou vermes subterrâneos). A haver uma invasão espacial esta viria certamente do alto (como no péssimo "Independency Day") e nunca de debaixo da terra...
6. Embora isso possa desagradar a muitos apaixonados pela Ficção Científica a verdade é que é muito provável que o primeiro contacto com uma espécie inteligente alienígena fosse violento. Neste aspecto o E.T. é um "alien" muito menos plausível que os invasores deste filme... Mas porque seria este contacto violento? Porque segundo toda a probabilidade os seres que seriam capazes de cruzar as distâncias interplanetárias seriam muito inteligentes e o estádio final de evolução de uma espécie de caçadores, uma vez que o acto da caça implica uma maior inteligência porque implica a concepção de uma estratégia, de um plano, de uma acção coordenada e para que essas condições sejam reunidas é necessário bastante inteligência e é por causa disto que o Homem descende de um caçador omnívoro e não de um pacífico ruminante...
7. No filme - como na obra original de Wells - os tripóides alienígenas estão protegidos por campos de forças que os tornam imunes a tudo o que os homens lançam contra eles. Não são dados detalhes sobre estes campos de forças mas para além da sua improbabilidade científica - ainda que fossem magnéticos isso não os defenderia de armas não magnéticas como já é actualmente possível conceber. Por outro lado, esses campos teriam que ser emitidos a partir de um ponto central (geradores de campo?) e como qualquer campo magnético é sempre mais intenso quanto mais próximo se está do seu centro isso implica que o próprio núcleo dos tripóides seria destruído (repelido) para o exterior! Parece ainda evidente que os tripóides comunicavam entre si e com uma frota deixada em órbita. Ora essas comunicações tinham que passar essa barreira e - logo - ela era permeável a radiação! E se era penetrável pkr radiação porque não foram usadas armas nucleares no filme? Talvez porque Spielberg soubesse que nada pode resistir a um impacte directo de um engenho nuclear...
8. Nos dois filmes e no livro original os invasores são derrotados pelos microrganismos cem que os humanos se habituaram a conviver mas que são estranhos aos alienígenas. Neste ponto a plausibilidade do enredo é muito alta, mas fraca no desconhecimento dessa ameaça por parte dos invasores. Como podia uma raça tão avançada ao ponto de conseguir atravessar as imensas distâncias siderais desconhecer o risco de contaminação biológica? Como podiam criaturas manifestamente mais inteligentes do que nós respirar o nosso ar (a cena da cave) sem usarem sequer um simples filtro?
9. No filme os protagonistas percorrem as estradas americanas num Pontiac (claro... num carro americano) que consegue andar porque o solenóide do motor de arranque foi substituído depois da tempestade magnética. Mas essa mesma vaga de EMP teria também destruído todos os solenóides armazenados nas redondezas! E, aliás, teria o mesmo efeito na próprias máquinas dos alienígenas as quais aparentemente também usavam alguma forma de electricidade como se deduz do uso de trovões como forma de transporte dos alienígenas desde as naves em órbita até aos tripóides enterrados no solo?
10. O "Complexo do Herói": Ao longo do filme o protagonista principal cujo papel é soberbamente desempenhado por Tom Cruise tem um papel relativamente passivo na acção, limitando-se quase sempre a seguir o rumo dos acontecimentos que o rodeiam. Contudo, perto do final, Spielberg cede e atribui ao até então relativamente apagado Tom Cruise uma acção heróica quando o coloca a destruir um tripóide com um cinto de granadas de mão... O sucesso do modo americano de fazer filmes depende de um factor: a identificação do espectador com o personagem. E para que essa identificação fosse bem sucedida o personagem tinha que ser um herói, alguém que se pgssa admirar e seguir.
11. Para o nacionalismo americano ainda muito ferido depois dos acontecimentos de 11 de Setembro a impotência revelada pelos seus militares ao tentarem repelir os invasores não era algo tolerável. Por isso, Spielberg coloca na cena final do filme um pelotão de soldados americanos a derrubarem um tripóide. O que o realizador não explica é porque é que os invasores desligaram os escudos dos tripóides em pleno território hostil...
12. Por fim, e para não me alongar mais porque é que Tom Cruise consegue cortar o pescoço do olho espião com um simples machado? Aço normal contra liga alienígena e o primeiro revela-se mais forte? Hum... E aliás, porque é que depois da destruição do olho espião os invasores não enviam ninguém a tentar apurar o que se passou?
Encerrando este já longo Post. Não estamos perante o melhor filme de FC de sempre (O Solaris original? 2001?), mas perante um dos melhores dos últimos anos, e certamente perante um dos mais emocionates. Apesar dos erros (a lista é apenas fragmentária) continua a ser um bom filme cujo visionamento recomendo vivamente.
O site do filme pode ser acedido aqui
Posted by ruipmartins at 07:00 PM | Comments (4)
Portugal e os Europeus
Pouco têm os portugueses a ver com os europeus do centro e norte. Enquanto que as matrizes norte europeias são bárbaras e germânicas, os europeus do sul encontram no latinismo tardio o Império Romano do Ocidente as suas raízes fundamentais. Os invasores bárbaros do norte e do leste tudo fizeram para conquistar, imitar e reeditar o Império que tinham abatido mas sempre de uma forma parcial ou até mesmo patética. Esse foi o objectivo de governantes como Carlos Magno, Napoleão e até Adolf Hitler. É como se esses povos herdeiros dos bárbaros que destruíram o Império transportassem em si o remorso da mais perfeita forma de governo jamais inventada - o Império Romano de Augusto - e para acalmar essa inquietude tentassem reinventar essa forma semi-mítica de governo nos incompletos e fátuos Império Carolíngio, Império Napoleónico e III Reich. Se esses impérios foram cruéis foram-no porque viviam sob o jugo de se saberem cópias imperfeitas de um modelo muito superior, o romano. A própria iconografia adoptada pelos impérios bárbaros imitava patéticamente a de Roma com as águias imperiais dos nazis, a coroação em Roma do imperador Napoleão Bonaparte e o revivalismo do latim sob Carlos Magno.
Se estes povos germânicos do norte que hoje formam o coração étnico dos países mais influentes da União Europeia, a mais recente tentativa de ressuscitar o Império Romano: a União Europeia. À semelhança das tentativas anteriores, também esta há-de falhar porque lhe falta alma e substrato. Estes, contudo, sobrevivem ainda na região onde a presença romana foi mais intensa e duradoura: o sul da Europa, e sobretudo em Portugal, nas Espanhas e na Itália. É exactamente neste contexto que se insere o mito do "Quinto Império".
Posted by ruipmartins at 10:40 AM | Comments (1)
julho 24, 2005
Do Impulso para a Guerra
"Faz a guerra, Merlim. Faz a guerra para conquistar e faz a guerra para conservar. faz a guerra para esmagar os teus inimigos e também para dominar os teus povos, porque um súbdito cuja vida expões a teu lado é-te mais fiel do que um súbdito que te deve na paz a sua prosperidade. Tudo o que há é guerra, Merlim."
In "Merlim", Michel Rio, Teorema.
Esta frase brutal mas profunda inserida num livro extraordinário que a muitos tem escapado devido à saturação de livros sobre sobre o ciclo arturiano que se sucedeu ao sucesso de vendas das "Brumas de Avalon", deixa vários pontos de análise.
Não defendemos a tese radical e absurda de Benito Mussolini (tudo nele era absurdo, a começar pelo vestuário...) segundo a qual "a guerra está para o homem, assim como a maternidade está para a mulher", mas é impossível negar que existe algo no homem que o condiciona para o conflito, para a disputa, para a guerra, enfim, e que esse algo está muito mais vivo no homem do que na mulher.
Os cérebros dos mamíferos são compostos por três camadas, resultantes de três fases distintas da evolução. À superfície temos o córtex, raíz do pensamento lógico e abstracto, algo que só existe nos primatas mais evoluídos, imediatamente abaixo, encontra-se a região onde nasce e colidem as nossas emoções, mas estabelecido nas profundezas do cérebro encontramos o chamado "Complexo R", ou "Complexo Reptilíano". Esta designação resulta das semelhanças desta região profunda do cérebro com os cérebros dos répteis e é nesta região que residem os instintos mais básicos do ser humano e, entre estes, o instinto da autopreservação, do território, da reprodução e da luta com o concorrente.
Assim, podemos constatar como o instinto bélico está gravado no mais profundo recanto das nossas almas. Negá-lo é negar a nossa própria essência e criar sementes para distúrbios psicológicos de consequências perigosas. Foi esta negação insensata promovida pelo cristianismo e pela maioria das religiões que levou à aparição de "monstros" (monstros, porque anti-naturais), e isto porque esta repressão criou frustações acumuladas que depois explodiram em monstruosidades do género.
O instinto para a agressão é inato ao homem, e em menor grau, para a mulher. Fenómenos como a competição desportiva, as lutas partidárias e até a progressão nas carreiras profissionais e a concorrência entre empresas são sublimações dessas pulsões acumuladas e que actualmente conhecem outras formas extroversão diversas do conflito bélico clássico.
Negar este é, assim, impossível, e só pode provocar repressões que depois provocam traumas de consequências imprevisíveis.
Posted by ruipmartins at 06:21 PM | Comments (0)
julho 22, 2005
O Romance de Amadis: "Espalhar Cuidados"
"Ora, este rei Garinter, quando o tempo ia brando, saía algumas vezes a montear, para espalhar cuidados."
"para espalhar cuidados"... Pode lá haver expressão mais bela e elucidativa de um estado de espírito? Encontrada num romance do nosso Renascimento, esta autêntica pequena pérola de prosa lusitana comoveu-me pela sua candura e profunidade e não a resisti de a incluir aqui no Blog.
página 12
in "O Romance de Amadis", Afonso Lopes Vieira, Porto Editora
Posted by ruipmartins at 09:52 PM | Comments (2)
Mengele
As contradições do espírito humano escaparão sempre às minhas modestas capacidades de compreensão.
O famigerado "doutor morte" Joseph Mengele de Auchwitz construíra um Jardim de Infância e tocava violoncelo para as crianças judias que usava nas suas bárbaras experiências. A mesma criança cujo rosto acariciava era aquela a quem horas depois injectava pigmentos na córnea ou dissecava viva e sem anestesia.
Como conseguia Mengele manter esta "vida dupla"? Como conciliava dois aspectos de Si tão contraditórios? para a mitologia nazi os judeus não eram verdadeiramente humanos (untermensch) e assim se compreende - se tal é efectivamente possível - o comportamento de muitos nazis no Holocausto. Mas tal não era o caso de Mengele, que antes das torturas tratava estas crianças como os seres humanos que eram. Seria o tão abusado e usado apelo de "tudo pela Ciência" que nos legou a Bomba de Fissão e o míssil balístico? Sentiria Mengele que a morte e o sacrifício destas crianças eram indispensáveis ao "progresso científico"? Mas se era essa a sua motivação porque injectava tinta nos olhos das crianças? Como podia alguém com um mínimo de conhecimentos médicos acreditar na viabilidade de tal experiência?
O que afinal se passava no espírito de Mengele?
Posted by ruipmartins at 02:32 PM | Comments (2)
julho 21, 2005
Varrido pelo Político
Embora as razões por parte desta retirada de Campos e Cunha sejam obscuras nos seus detalhes, na essência parece claro que resulta de desentendimentos com o Primeiro Ministro a propósito da realização dos polémicos investimentos da Ota e do TGV.
O professor Luís Campos e Cunha defendia - como nós e qualquer português que conheça um pouco do estado das nossas contas públicas - a suspensão destes dois pesados investimentos de rendimento muito duvidoso. Mas Sócrates vive na obsessão eleitoral dos políticos: "ganhar as próximas eleições" e na compulsão de mostrar "obra feita", ainda que inútil e suicidária para o estado das nossas Finanças.
Nessa contradição entre racionalidade económica e eleitoralismo, venceu o segundo porque o ceptro do poder não se encontrava nas mãos certas...
E lá se vai o Ministro das Cumulações...
Posted by ruipmartins at 08:40 PM | Comments (4)
julho 20, 2005
BPI: Campanha vs DesCampanha: 0 a 1
Qual será a eficácia da densa campanha de Marketing que o BPI conduz actualmente nas televisões, nos jornais e nos outdoors um pouco por todo o país? Será que o senhor "presidente do BPI" não evaporou qualquer benefício que o banco do norte pudesse ter recolhido desta cara campanha - cara porque o Mourinho não se faz pagar barato - com as declarações apelando para uma redução de 10 % dos salários que este "presidente" repetiu ontem na "SIC Notícias" e que começou por fazer publicar no Expresso de sábado passado?
Vai um tirozito no pé, senhor presidente?
Posted by ruipmartins at 03:51 PM | Comments (0)
julho 19, 2005
A Contradição
Segundo notícia de sábado do jornal Expresso o presidente do Banco Português de Investimentos teria apelado a uma redução de 10% dos salários dos trabalhadores portugueses. Curiosamente, no mesmo jornal surgia imediatamente colocada sobre esta notícia uma outra segundo a qual os gestores da Galp estariam a receber salários e regalias milionárias.
Assim surje demonstrada a inerente contradição da gestão à portuguesa: elevados salários e baixa competência. Será que com estas declarações o senhor presidente estaria também a apelar para o abaixamento do seu próprio salário? E dos gestores da Galp? Se as nossas empresas em termos de rentabilidade estão entre as piores da Europa porque é que os nossos gestores estão entre o quarto dos mais bem pagos?
Posted by ruipmartins at 02:59 PM | Comments (2)
A Saída para a Crise
O que pode Portugal fazer para sair desta crise? Haverá realmente saída e viabilidade económica para este país? Se já não podemos usar o mecanismo do abaixamento do câmbio porque o escudo foi absorvido no euro e se as nossas indústrias são incapazes de competir com as subhumanas condições de trabalho na China e na India então que podemos fazer para defender o que resta do nosso tecido industrial?
Não serão certamente os doravante muito disputados fundos estruturais da União Europeia que se em 25 anos não conseguiram levar este país para o Primeiro Mundo não é agora que o farão. A China e a India também não vão subitamente ganhar consciência social e passar a tratar humanamente os seus trabalhadores e que não se pense que será o consumo dos privados que vai levantar a nossa economia porque estes - nós - já não têm - temos - as reservas das poupanças que nos fizeram sair da crise em 1983 e em 1991 e o crédito também já não é solução dado o alto nível de endividamento dos portugueses.
Dito isto, que futuro para Portugal?
Algo de muito radical tem que ser feito. Já não basta esperar por um qualquer Salvador providencial - como Cavaco Silva - ou por uma qualquer mítica e improvável "retoma" a qual como vimos não tem bases sustentáveis.
Sendo a saída radical de que falamos exactamente?
1. Para devolver a Portugal o controlo das importaçôes devemos ponderar - como o faz actualmente a Lombardia - o abandono do Euro de modo a que possamos reintroduzir as flutuações cambiais.
2. Reintroduzir as barreiras alfandegárias para assim defender a nossa indústria da pressão avassaladora que nos impõem as economias asiáticas.
3. Reanalizar os benefícios que colhemos presentemeate da presença na UE. A União Europeia de hoje é radicalmente diferente da sonhada pelos "pais fundadores" da CECA. Valores como a Solidariedade entre países ricos e pobres e o chamado "modelo social Europeu" que foi principal respoasável poz ransformar a Europa arruinada do Pós-Guerra num oásis de Bem Estar e Desenvolvimento. Com efeito, a Europa dos eurocratas de Bruxelas que cozinharam autisticamente a Constituição Europeia que franceses e holandeses chumbaram não é a mesma Europa a que aderimos na década de oitenta. Os próprios benefícios da adesão devem ser postos em causa: os subsídios europeus permitiram o desenvolvimento da vetusta rede viária e dos Serviços mas a custo do sacrifício de largos sectores da nossa agricultura e de praticamente toda a nossa indústria. O progressivo esvaziamento da economia portuguesa é agora visível na Crise profunda que vivemos. Ao contrário do que defendem muitos economistas neoconservadores - os únicos que têm tempo de antena nas nossas televisões - a nossa crise não é nem conjuntural nem fruto directo do peso exagerado do Estado na nossa economia mas consequência directa da aplicação de um modelo económico falhado.
Defendendo nós a retirada de Portugal da União Europeia enquanto ainda resta algum Portugal para retirar quererá isso dizer que defendemos um modelo isolacionista para a nossa diplomacia? De modo algum! Bem pelo contrário, defendemos a constituição de uma "União Lusófona" com os países africanos de expressão oficial portuguesa e com esse país-continente que é o Brasil. Mas a este assunto haveremos de dedicar outros posts...
Posted by ruipmartins at 02:55 PM | Comments (1)
julho 17, 2005
Parte 18: A Escrita Cónia: A Economia de Tartessos
Embora escasseiem os vestígios materiais, é possível esboçar a estrutura económica da civilização cónia. Tratava-se – segundo a “Orla Marítima” de Avieno – de uma economia em que as trocas comerciais e as navegações oceânicas desempenhavam um papel nuclear. A “Orla Marítima” diz-nos que: "entre os Tartéssios, havia o costume de negociar nos confins da Estrimnidas (Bretanha). Também os colonos cartagineses e o povo que habitava junto às Colunas de Hércules frequentavam esses mares, águas que, no dizer do cartaginês Himilco, apenas durante quatro meses podiam ser percorridas". Este povo sem nome pela posição geográfica era sem dúvida o cónio e as cidades de onde partiam estes navios eram certamente as cidades cónias da costa hoje algarvia. Era assim essencial o papel desempenhado pelas cidades costeiras cónias no circuitos marítimos que ligavam o reino de Tartessos à Bretanha, um papel que para além de ser o de local de passagem e de abastecimento para os navios que empreendiam essa longa viagem parecia ser também mais activo e participativo, uma vez que parecem ter havido navios cónios empenhados em percursos marítimos até pelo menos à actual costa galega.
Posted by ruipmartins at 01:33 PM | Comments (0)
Os golpistas do taxi
Numa estranha tentativa de golpe de estado na Guiné-Bissau 10 homens tentaram assaltar o Ministério do Interior e que foram repelidos pela Segurança de Ministério acabaram por abandonar o local pelo mesmo meio que tinham usado para lá chegar: um Taxi!
Agora imaginem se estes golpistas apanhassem o seu taxi no Aeroporto de Lisboa? Além de perderem todo o entusiasmo marcial depois de uma viagem de ida e volta até Conacri ainda teriam que gastar todas as balas no buxo do taxista quando este lhes apresentasse uma conta babilónica.
Decididamente em Portugal tão cedo ninguém há-de organizar um golpe de estado usando taxis - pelos menos usando os taxis do Aeroporto de Lisboa...
Posted by ruipmartins at 12:43 AM | Comments (0)
julho 15, 2005
Tudo no mesmo saco
A pressão dos Estados Unidos contra o governo norte coreano tem vindo a alcançar niveis crescentes. Aparentemente os governantes que orbitam em torno de Bush ainda não compreenderam que misturar no mesmo saco desarmamento nuclear e mudança de regime pode criar uma mistura explosiva de consequências imprevisiveis, tanto mais porque a Coreia do Norte além de armas nucleares também possui misseís balísticos com alcance suficiente para atingir a América do Norte e o Médio Oriente.
Misturar a questão nuclear com a mudança de regime na Coreia do Norte, como mistura o regime bushista é perigoso e pode desencadear forças imprevisíveis, tão imprevisíveis como o governo comunista da Coreia do Norte e tão poderosas como a arma nuclear que este possui.
Posted by ruipmartins at 08:44 PM | Comments (0)
Os 0.5% de crescimento do pib
o Banco de Portugal reveu em baixa o crescimento do pib para uns escassos 0.5.%. Um valor tão baixo representa uma efectiva estagnação da economia portuguesa e indica que a crise que começou em 2004 está a ser mais difícil de ultzapassar que qualquer uma das crises que portugal já enfrentou desde 1974.
A gravidade desta crise económica resulta das dificuldades que decorreram da escolha de um modelo de desenvolvimento assente nas indústrias de baixo valor tecnológico como o têxtil e o calçado as quais são agora sujeitas a pressões esmagadoras por parte da china e œa índia. Este modelo está agora esgotado e a sua falência ameaça a própria sobrevivência nacional.
Assim sendo estes medíocres 0.5% são apenas o sinal de que algo vai muito mal na ecomomia nacional e que as nossas dificuldades longe de estarem perto do fim apenas estão a começar.
Posted by ruipmartins at 08:43 PM | Comments (1)
o erro de bush no afeganistão e o envio de 200 comandos portugueses.
O envio de 200 militares dos comandos para o afeganistão em período de pleno recrudrescimento das actividades da guerrilha taliban - dezenas de ataques a militares e civis no sul do país - coloca forças militares portuguesas num teatro de guerra cuja perigosidade só é comparável à missão da GNR no iraque. A intensificação da guerilha resulta da continuada passividade e incapacidade do governo paquistanês em assegurar o controlo sobre as zonas tribais que fazem fronteira com o afeganistão. Outro factor que explica esta alteração no equilibrio de forças tem a ver com a reduzida presença americana no local e cuja fraca dimensâo é consequência directa do facto de que a maior parte das forças combatentes de primeira linha do exército americano estarem empenhados em missões no iraque. Mais uma vez, torna-se evidente o erro de Bush ao ter aberto uma nova frente no Iraque quando a situação no Afeganistão ainda estava longe de estar resolvida.
E agora - de novo - os portugueses vêm-se envolvidos directamente num erro americano... Mas quando compreenderão os nossos governantes que podemos ser aliados sem ser lacaios? Ou seja, não devíamos enviar forças para o Afeganistão enquanto o principal interessado na sua presença (os EUA) nãop reforçassem as suas forças no local.
Posted by ruipmartins at 08:42 PM | Comments (1)
julho 13, 2005
O Copiloto abandonado na Venezuela
O nosso presidente da República que se chama Sampaio (acho eu) esteve recentemente no Chile e no Paraguai, dois países com quem Portugal tem relações estratégicas vitais como se sabe, dado que são parceiros da NATO da UE, têm fronteiras directas com Portugal, e são alguns dos parceiros comerciais mais importantes do nosso país. Espera aí! Mas não são nada disto! Então neste caso o que foi Sampaio fazer para a América do Sul? Estourar as últimas verbas para viagens da sua presidência? Não conhecia ainda aqueles dois países? Devia favores aos amigalhaços da comitiva?
Porque é que Sampaio ainda não fez nada quanto à situação dramática do copiloto detido ainda hoje na Venezuela? Ainda ontem os familiares e amigos do copiloto organizaram uma pequena manifestação frente ao Hotel Roma onde recolheram assinaturas (uma delas foi a minha) para um Abaixo Assinado a entregar ao Senhor Sampaio.
Onde está o Estado Português e o seu supremo representante quando um português precisa dele?
Porque é que o "realizador-actor-filho de realizador" detido nos Emiratos Árabes Unidos teve tanta atenção mediática dos nossos Media e até do governo e este Zé Ninguém está abandonado na Venezuela?
Posted by ruipmartins at 10:28 AM | Comments (2)
O Terror que vem de Dentro
Estes atentados que se dizem agora terem sido levados a cabo por um grupo de islamitas fanáticos não deixam de ter um ângulo irónico:
Na década de oitenta quando se sucediam os atentados em França, sabia-se que os líderes destes atentados (argelinos, principalmente) operavam a partir de bases seguras no Reino Unido e muitos protestos sobre esta protecção foram feitos pelos franceses perante esta impunidade. Na época, nada foi feito pelos britânicos para resolver esta questão. Anos depois, aquando do primeiro atentado contra as Torres Gémeas (o qual só conseguiu destruir as garagens do edificio), o líder do grupo que executou o ataque vivia precisamente no Reino Unido e só recentemente foi entregue às autoridades americanas...
Sabia-se que existia um acordo táctico entre britânicos e islamitas radicais no sentido em que o governo britânico não interferia nas actividades destes desde que não agissem em solo britânico. Este acordo parece ter expirado e agora os cidadãos britânicos estão a ser alvo das políticas de extrema tolerância dos seus governos e a pagar com o seu próprio sangue a cegueira autista que permitiu a multiplicação do Terror debaixo das suas saias protectoras.
Posted by ruipmartins at 10:05 AM | Comments (0)
julho 12, 2005
A "Bolsa de Valores": Fim e Inutilidade
Aparentemente, as bolsas tornaram a recuperar ontem porque "afinal o Furacão X não provocou danos nas plataformas petrolíferas no Golfo do México".
Ou seja, caíram porque os especuladores recearam que as empresas que operam no Golfo perdessem dinheiro com danos nas suas plataformas de extracção, mas como não perderam tornaram a subir. Alguém para além de mim observou a irracionalidade do movimento? Como se estas empresas tivessem algo a ver com as acções em seu nome que são movimentadas na Bolsa...
Nas suas origens a Bolsa e a emissão de Acções serviam como meio de financiamento das empresas e projectos, que as vendiam ao público e recolhiam capital deste modo. Na actualidade, após a emissão, as empresas perdem relação com o papel que emitiram e este é transaccionado vezes sem conta sem que a empresa embolse qualquer coisa. Se é assim, porque é que os eventuais prejuízos de um dado furacão devem afectar as acções de uma qualquer empresa?
O que é actualmente a Bolsa além de um puro jogo virtual completamente desfasado da Economia Real?
Este fenómeno demonstra a irracionalidade do Mercado Bolsista, a qual é contudo perfeitamente capaz de levar consigo ao fundo se num dos seus movimentos irracionais e imprevisíveis entrar em "crash".
Pelos riscos económicos que induz, e pelos benefícios que traz para a Economia Real (zero) a Bolsa de Valores devia ser suspendida e o capital que nela é desperdiçado devia ser investido directamente nas empresas (Obrigações) ou em aquisições de partes dele através de Fundos de Investimento sem recurso a este mecanismo manhoso, imprevisível, fuga-ao-fiscoso que é conhecido como "Bolsa de Valores".
Posted by ruipmartins at 11:09 AM | Comments (1)
julho 10, 2005
Campanha ao "Black Out" informativo sobre a Vaga de Incêndios
Na Segunda Guerra Mundial, Churchill ordenou aos Media britânicos um "Black Out" das notícias sobre vítimas dos mísseis alemães V1 e V2 para não alimentar a moral de inimigo e descer a da população britânica. Presentemente, no Iraque, as forças americanas praticam uma ocultação massiva de baixas, em que notícias onde se referem "veículos destruídos, mas sem registo de baixas" ou "helicópteros abatidos, não tendo sido registado nenhum ferido ou morto" (como se a carne fosse mais forte que o aço). A ocultação, o sonegamento informativo é assim um meio de travar uma guerra.
O que se trava em Portugal, no calor deste Verão, é também uma guerra. Uma guerra desesperada, que estamos a perder: A Guerra dos Incêndios Florestais.
Porque é que arde tanta floresta em Portugal? Obviamente, num fenómeno tão extenso como é o dos incêndios florestais em Portugal não existe uma causa única, mas uma multiplicidade de causas que concorrem entre si para colocar o país a arder ano após ano. As causas criminosas - dizem os especialistas - respondem por um terço dos fogos, sendo o restante provocado por causas naturais.
E porque é que aparentemente este número de incêndios criminosos não pára de aumentar? Será que o facto de haver hoje uma cobertura mediática sem exemplo no passado estará a contribuir para o fenómeno? Será que enviar um carro de directos para um grande incêndio não premeia o tarado que o ateou? Será que os tais criminosos que ateiam 1/3 dos incêndios não ficariam frustados se não ouvissem/lessem/vissem notícias sobre os "seus" incêndios?
O modo como as notícias dos incêndios estão a ser tratados é escandaloso e propria á própria vaga ao incentivar os prevertidos que ateiam o fogo ao verem ao sua própria obra em "prime time"! Contenção e parcimónia, era o que devia impôr-se nestes casos, e não imediatismo e sensacionalismo, a bem de Portugal, ou do que resta deste por arder!
Apelo a um "Black Out" noticioso sobre a vaga de incêndios! Apelo a que as televisões deixem de olhar para os seus níveis de audiêncies e se congratulem para dentro com cada novo grande incêndio mais as suas "belas" imagens! As televisões e os Media não vivem noutro país, mas no mesmo que arde sem fim todos os anos! É imperativo pôr um ponto final à cobertura mediática que acicata os ânimos dos pirómanos!
P.S.:
a) Uma cópia deste posto foi enviada por email à SIC, RTP e TVI.
b) A questão foi também abordada - e muito bem - pelo meu colega bloguista do Dizer Bem
Posted by ruipmartins at 01:02 AM | Comments (1)
Parte 3: Os Descobrimentos Portugueses: Documentação diversa sobre a expedição de Dom Luís de la Cerda
15 de Novembro de 1344
Resumo:
Bula de Clemente VI, dirigida a Luís de Espanha [Luís de la Cerda] a conceder-lhe e a seus
herdeiros e sucessores católicos e legítimos, em feudo perpétuo, as Ilhas
Afortunadas ou Canárias para ele promover nelas a difusão da fé catolica.
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11 de Dezembro de 1344
Resumo:
Bula de Clemente VI dirigida a Afonso IV, bem como aos reis de Aragão e de
Castela, a comunicar-lhe que, desejando Luís de Espanha promover a dilatação
da fé católica nas Ilhas Afortunadas lhas concedera em propriedade, e lhe
solicita auxílio e favor para tal empresa.
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11 de Dezembro de 1345
Resumo:
Bula de Clemente VI para Luís de Espanha, a conceder
indulgência plenária, em artigo de morte, a todos os que participarem na
expedição às Canárias.
Comentários:
Esta bula parece admitir o fracasso de Luis de la Cerda na conquista das Canárias através da concessão de um regime excepcional idêntico ao que recebiam os cruzados que se batiam na Terra Santa.
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13 de Janeiro de 1345
Resumo:
Bula de Clemente VI para Luís de la Cerda, a conceder a todos os que,
dentro de três anos, trabalhem na empresa de conquista e conversão dos
canários, indulgência plenária em artigo de morte, como se abalassem em
socorro da Terra Santa.
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12 de Fevereiro de 1345
Resumo:
Carta de Dom Afonso IV a Clemente VI em resposta as cartas pelas quais o
pontífice lhe comunicava haver nomeado Luís de Espanha para principe das
Ilhas Canárias no intuito de ele promover nelas a difusão da fé católica, e
lhe solicitava que o auxiliasse com navios, gentes de armas, víveres e outras
coisas. Reclama o monarca as ditas ilhas, atendendo a que foram os
portugueses quem primeiro as encontrou, a proximidade do território de
Portugal e ainda ao facto de ele próprio, antes das lutas com Castela, ter
enviado lá expedição. Cede-as, contudo, ao dito principe, em reverência à Se
Apostólica e por contemplação para com Luís de Espanha, a quem apenas poderá
fornecer víveres e outras coisas dispensáveis, mas não navios e gentes de
armas, tudo pouco para a luta em que está empenhado contra os sarracenos.
Comentário:
* Dom Afonso IV reclama as ilhas para si porque:
-> os portugueses as descobriram;
-> Pela sua proximidade
-> porque ele, Dom Afonso IV, lá enviou uma expedição.
* Segundo alguns, esta carta traduzia a formulação de uma teoria da Guerra de
Cruzada Nacional contra os Sarracenos porque:
1) Afonso IV afirma que as ilhas estão sob a sua influência devido à
proximidade geografica;
2) Teoria da Guerra porque todos os meios militares estão empenhados nela.
* "Antes das lutas com Castela", Afonso IV, tinha enviado as Canarias uma
expedição. Um conflito que começou em 1336.
Posted by ruipmartins at 12:08 AM | Comments (1)
julho 09, 2005
Jardim tem Razão
Nunca pensei via a ser possível escrever estas palavras, mas lá vai: "Jardim tem razão", Isso mesmo, a "besta das bestas", o vitalício cacique madeirense não deixa de ter razão nesta polémica que corre agora os Media sobre a presença de chineses na Madeira.
E tem razão como? Tem razão quando afirma que a Madeira não precisa de empresas e emigrantes chineses. Com efeito, que tipo de empresas chinesas são estas que estão a acorrer a Portugal? Fundamentalmente restaurantes e lojas de comércio que:
a) só empregam chineses, e logo não contribuem para a redução do desemprego em Portugal;
b) que não fazem declarações de impostos, e logo agravam o deficit
c) que não passam recibos, e violam e deixam os consumidores sem provas de compra;
d) que não falam português, e que frequentemente se escudam nesse argumento para negarem a passagem de recibos;
e) que não trocam artigos defeituosos;
f) que servem de fachada para as Tríades (Mafias) chinesas no seu lucrativo tráfego humano para o Ocidente;
g) que contribuem para o agravamento do nosso deficit comercial com a China ao agirem como entrepostos dos interesses comerciais do gigante asiático;
h) que contribuem para a onda de falências que alastra na nossa indústria têxtil e do calçado ao comercializarem exclusivamente artigos de importação chinesa.
Por todos estes argumentos e porque a China é uma ditadura não democrática, opressiva e INVADIU, OCUPA E COLONIZA um país soberano, o Tibete. Por isto tudo, estou - neste ponto - de acordo com Alberto João Jardim.
Mas que fique bem claro! Só neste!
Posted by ruipmartins at 11:38 PM | Comments (6)
A Especulação Bolsista e os atentados de Londres
De Bin Laden sabia-se que especulava na Bolsa de Nova Iorque, e sabendo que estes recentes atentados provocaram uma queda das bolsas por todo o mundo, e sobretudo na Europa, será que não houve nenhuma movimentação suspeita dos Futuros em nenhuma bolsa europeia e, nomeadamente na de Londres?
Ou seja, quem organizou e executou os atentados sabia quando eles iam acontecer e poderia facilmente ter previsto que iriam ter impacto na performance bolsista. Assim, se fosse inteligente (e os membros da Al Qaeda já mostraram sê-lo) bastaria ter investido algum dinheiro nos Futuros (estimativas de movimento bolsista a curto prazo) para financiar as suas próprias actividades terroristas.
Suspeitas semelhantes foram lançadas - mas nunca confirmadas - aquando do 11 de Setembro.
Posted by ruipmartins at 11:39 AM | Comments (0)
julho 08, 2005
As "reservas" de ruas em Lisboa
Todos os que vivem em Lisboa já tiveram pela frente umas fitas vermelhas e brancas ocupando as bermas da sua rua e reservando os (escassos) lugares de estacionamento para uma qualquer actividade, geralmente relacionada com filmagens ou publicidade. Geralmente, zelando pela reserva deste espaço encontramos geralmente dois agentes da PSP. Esta "reserva" de um espaço público levanta uma série de questões:
1. Estes dois agentes da PSP não fazem falta noutro lado, digamos, a policiar as nossas praias, os nossos comboios, as nossas ruas (nestas ruas onde aparecem estes agentes, normalmente nunca vemos uma patrulha a pé). Ou seja, onde está a moralidade de desperdiçar dois agentes da polícia na defesa de interesses particulares, ainda por cima lesivos do interesse comum?
2. Com que direito a Câmara Municipal de Lisboa "vende" o espaço público de que é apenas zeladora e não proprietária a terceiros, em prejuízo dos seus próprios munícipes?
3. Que base legal têm estes polícias contratados ("mercenarizados") para impedir o estacionamento nestes locais reservados com fitinhas vermelhas? Onde está a alínea do Código da Estrada que fala nestas "reservas", ou será que ela, simplesmente não existem e estes publicitários coligados a estes "mercenários" policiais, não têm qualquer fundamento para negarem o estacionamento a quem quer que seja? Hum?
4. Se estes agentes - empenhados na vigilância do espaço reservado para interesses comerciais - assistirem a um assalto do outro lado da rua têm capacidade para intervirem? Dizem-me que não... Que não poderiam deixar o espaço que vigiam e que seriam obrigados a chamar pela rádio uma patrulha.
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O que se passa com o Islão? Qual a raíz de tanto ódio contra o Ocidente?
Os recentes atentados da Al Qaeda em Londres tornaram a levantar a questão: Porque é que de tantas religiões só no islão assistimos à emergência do fenómeno do terrorismo islâmico?
a) Afeganistão e CIA
Na década de oitenta, a CIA e outros serviços secretos ocidentais organizaram conjuntamente com os serviços secretos paquistaneses grupos de combatentes islâmicos que motivados pela fé religiosa e armados com equipamento americano (os famosos mísseis Stinger) e com instrutores americanos e britânicos organizaram uma tenaz guerra de guerrilha contra os soviéticos e aliados do governo afegão.
Estes grupos de resistentes seriam, depois da retirada soviética do Afeganistão o núcleo do movimento fanático conhecido como "Talibans" e da própria Al Qaeda.
De certo modo, americanos e britânicos combatem agora a mesma besta que ajudaram a criar, qual Leviathan que se virou contra o seu criador...
b) o Simplismo do Islão
De todas as grandes religiões o Islão é provavelmente aquela que exige dos seus crentes um menor trabalho de compreensão e interpretação, aquela que pelo literalismo permitido pelos seus textos possibilita uma adesão mais absoluta e literal ao sistema religioso. O Islão não foi criado por nenhum especulador iniciado das escolas rabínicas e no platonismo alexandrino, como Jesus, nem um príncipe real ensinado desde jovem pelos melhores mestres, como Buda, nem Rama, o mítico criador da densa, filósofica e complexa mitologia hindu. Maomé era apenas um homem simples, sem grande instrução nem méritos. É a simplicidade da religião que ergueu nas areias do deserto (local pouco propício a grandes efabulações) que explica o seu actual sucesso e porque é que é o Islão a religião que maior expansão conhece nos dias de hoje.
c) a Globalização
Este movimento que se diz imparável da Globalização e que se traduz na abolição total ou quase total de barreiras alfandegárias impõe aos países menos preparados para resistirem aos desafios da economia moderno padrões de vida inferiores. É sabido que em África se vive hoje pior que na década de quarenta e que a maioria dos países do Médio Oriente têm percentagens de desempregados elevadíssimas, uma vez que as industrias locais são inundadas de produtos de alta tecnologia do Oriente e da Europa e de produtos de consumo chineses e indianos. Essa desindustrialização do Terceiro Mundo, com as excepções chinesas e indianas está a germinar uma numerosa multidão de descontentes que alimentam as correntes mais radicais do integrismo muçulmano num ódio crescente contra o Ocidente e contra a Globalização que ele representa.
d) a "Cruzada"
As recentes operações britânicas e americanas no Iraque foram conduzidas de um modo muito insensível quanto às sensibilidades nacionalistas e religiosas do Médio Oriente. Sem se preocuparem em congregarem atrás de si países muçulmanos, os EUA e o Reino Unido invadiram um país muçulmano e humilharam as suas forças armadas em poucas semanas. Esta cruzada reeditada em pleno século XXI levará séculos a ser esquecida pelos muçulmanos de todo o mundo, uma vez que foram ocupados e bombardeados alguns dos lugares mais sagrados do Islão.
e) a "Questão Palestiniana"
A eternização da "Questão Palestiniana", a inexistência de um estado palestiniano independente e as constantes humilhações que Isreal exerce sobre os árabes que vivem nos seus territórios e nos países límitofres acicatam o ódio contra os israelitas e todos aqueles que os apoiam, como os EUA. Enquanto a Palestina não fôr um Estado independente, económicamente viável e detiver o controlo sobre os seus locais sagrados em Jerusalém, os muçulmanos de todo o mundo hão-de invocar a questão palestiniana como um dos grandes insultos contra a sua religião e modo de vida.
f) O Colonialismo Britânico e Françês
Uma vez que a maioria dos países do Médio Oriente viveu sobre a ocupação ou protectorado britânicos e franceses, existe contra estas nações um profundo ressentimento histórico. Nas escolas destes países, franceses e britânicos são indicados como os colonialistas que ocuparam os seus territórios e que tiveram que ser expulsos pela força. Neste sentido, o ressentimento contra a França e o Reino Unido é elemento constitutivo da identidade nacional árabe, uma vez que antes do colonialismo europeu não existiam verdadeiros "estados" árabes, mas sultanatos, régulos, clãs e tribos, governados relaxadamente pelo longíquo e obsoleto (mas muçulmano) Império Otomano.
Posted by ruipmartins at 12:09 AM | Comments (1)
julho 07, 2005
A "autoridade moral" do Ocidente...
...foi perdida aquando da infeliz invasão do Iraque. Têm razão aqueles que afirmam que a melhor arma que o Ocidente tem para responder a ataques terroristas como aquele que assolou hoje a capital britânica é manter a "autoridade moral" e resistir às tentações securitárias e de limitação dos Direitos Civis que aconteceram nos EUA.
É verdade que os acontecimentos de humilhação e tortura de Al Graib e de Guantánamo cederam argumentos aos radicais islâmicos e ainda é mais verdade que logo após a libertação do Afeganistão do regime de terror imposto pelos Talibans o Ocidente detinha a autoridade moral para impôr ao Islão Radical a vitória, mas a Invasão do Iraque e o recuo do processo de paz na Palestina inverteram o processo e concederam aos fanáticos mais recrutas e uma dinâmica renovado que tinham perdido com as condenações generalizadas ao 11 de Setembro.
Posted by ruipmartins at 10:49 PM | Comments (2)
Os atentados de Londres e o fracasso da Guerra no Iraque
A vaga de atentados que ocorreu hoje, 7 de Julho de 2005, em Londres no metro e num autocarro e que segundo o balanço do momento teria provocado a morte a 37 londrinos e mais de 700 (dos quais várias dezenas em estado grave que provavelmente irão fazer engrossar ainda mais o número dos mortos), coloca a certeza da sobre a sobrevivência de células da Al Qaeda na Europa e sobre a inutilidade da guerra que os EUA travam no Iraque contra um tipo diferente de inimigo enquanto desguarnecem as bases da Al Qaeda no Paquistão e no Afeganistão.
Neste contexto os atentados trágicos de Madrid e agora de Londres indicam a total inutilidade na Guerra no Iraque onde - apesar da desinformação que inunda os Media ocidentais - a esmagadora maioria dos ataques são efectuados por ex-baasistas sunitas e não por seguidos do ténue Al Zarqawi (uma invenção da CIA, segundo alguns).
Estes atentados indicam que a "guerra contra o Terrorismo" está a ser travada nos locais errados, contra os inimigos errados.
Alguém se lembra de que Saddam Hussein sempre combateu, perseguiu e até mandou prender e executar todos os extremistas islâmicos que descobriu no Iraque? Este Saddam que hoje aprodreçe numa prisão americana no Golfo poderia estar neste momento a perseguir fanáticos muçulmanos ao lado dos americanos, não fosse a imbecilidade total de George Bush e da sua claque governativa...
Posted by ruipmartins at 09:17 PM | Comments (3)
Parte 17: "A Escrita Cónia": A Economia de Tartessos
Embora escasseiem os vestígios materiais, é possível esboçar a estrutura económica da civilização cónia. Tratava-se – segundo a “Orla Marítima” de Avieno – de uma economia em que as trocas comerciais e as navegações oceânicas desempenhavam um papel nuclear. A “Orla Marítima” diz-nos que: "entre os Tartéssios, havia o costume de negociar nos confins da Estrimnidas (Bretanha). Também os colonos cartagineses e o povo que habitava junto às Colunas de Hércules frequentavam esses mares, águas que, no dizer do cartaginês Himilco, apenas durante quatro meses podiam ser percorridas". Este povo sem nome pela posição geográfica era sem dúvida o cónio e as cidades de onde partiam estes navios eram certamente as cidades cónias da costa hoje algarvia. Era assim essencial o papel desempenhado pelas cidades costeiras cónias no circuitos marítimos que ligavam o reino de Tartessos à Bretanha, um papel que para além de ser o de local de passagem e de abastecimento para os navios que empreendiam essa longa viagem parecia ser também mais activo e participativo, uma vez que parecem ter havido navios cónios empenhados em percursos marítimos até pelo menos à actual costa galega.
Posted by ruipmartins at 12:22 AM | Comments (0)
julho 06, 2005
TGV e Ota
O recente anúncio da decisão do governo de avançar com o projecto da Alta Velocidade (TGV) e com a construção de um novo aeroporto na Ota, representa um gravíssimo erro, e o primeiro grande "flop" da governação socrática.
No geral, Sócrates tem sabido conduzir bem o navio, mas nestes dois domínios enfiou-o para uma zona cheia de escolhos e receio que tenha comprometido definitivamente a viabilidade deste país. Com efeito, a incrível sucessão de lideres incompetentes que temos escolhido para nos governarem (Guterres, Durão, Santana) deixou-nos numa situação desesperada, numa economia que não cresce, nem tem perspectivas de crescimento, num deficit orçamental crónico e crescente e desprovidos de estratégias a longo prazo. O governo Sócrates seria a última oportunidade que Portugal teria para regressar ao comboio europeu. Ora com o desperdício das poucas verbas para investimento que restam em dois projectos que têm tanto de faraónico como de irrentáveis, comprometeu-se o futuro de Portugal.
Que não restem dúvidas que a Europa já não tem paciência para continuar a financiar a incompetência dos nosso governantes, sobretudo agora que os seus recursos são disputados por dezenas de países mais pobres que o nosso e que perspectiva uma expansão até à Ucrânia e à Turquia (bater na madeira, sff).
Portugal continua a cometer o mesmo erro de Quinhentos e do século XVIII: em vez de investimentos no sector primário, gastam-se rios de dinheiro em transportes, em vevvar daqui para acolá, bens que compramos a terceiros e que compramos a quartos, sem que no país se introduza algum valor acrescentado no processo. Agora com a Ota e o TGV vamos fazer o mesmo: em vez que construir indústrias ou fazer investimentos no sector agrícola, vamos constuir aeroportos e caminhos de ferro que vão facilitar apenas a chegada de turistas a Portugal, perpetuando a aposta falhada no Turismo (Sector Terciário) como a saída para todos os males...
Estas verbas que iremos desperdiçar seriam muito melhor empregues na construção de soluções para o problema energético que nos ameaça a todos: porque não investir na construção de uma rede de centrais eólicas, solares, de maré e até na investigação de reactores de fusão fria ou quente? Estes investimentos seriam compatíveis com o famoso "choque tecnológico" e poderiam compelir à criação de novas indústrias e de emprego em vez que dar os tais 140 mil novos empregos a imigrantes, como aconteceu no Euro2004 e na Expo98...
Posted by ruipmartins at 11:33 PM | Comments (0)
O buraco olímpico grego e o buraco para onde alguns nos queriam empurrar...
Quando li no último número do excelente "Courrier Internacional" um artigo sobre o imenso problema que a Grécia tem agora com os restos mortais dos seus Jogos Olímpicos recordei-me de uma época em que alguns alucinados defendiam a tese de que Portugal devia ter-se candidato à organização dos Jogos Olímpicos que agora sairam em sortes. Depois do enormíssimo erro que foi o Euro2004, mais os seus dez absurdos estádios, imagem o problema que teríamos agora com todas as estruturas que teríamos que construir para os Olímpicos?
Os gregos não sabem agora o que fazer a tudo aquilo que construiram e que inicialmente pensaram poder pagar a quinze anos, mas que agora reconhecem só ser possível pagar em trinta anos... Boa parte dos problemas orçamentais gregos têm também a sua origem na imensa despesa que as Olimpíadas representaram.
Imagem agora a situação em que estaríamos se para além de todos os estrangulamentos orçamentais em que nos encontramos tivessemos ainda que pagar uma organização de uns Jogos Olímpicos
Posted by ruipmartins at 11:32 PM | Comments (0)
julho 05, 2005
As Ajudas
A propósito da dívida africana e do recente concerto LiveAid tornou a entrar na actualidade a questão do chamado "Perdão da Dívida Africana".
O perdão impõe-se, sobretudo quando se sabe que actualmente a maioria dos empréstimos já foram pagos e que o que esmaga os orçamentos dos países africanos é o serviço da dívida, isto é, os seus juros. É imoral que seja a banca a receber juros por parte de países que mal conseguem sobreviver e onde se morre de fome para enriquecer ainda mais algumas das multinacionais bancárias mais poderosas do mundo. Neste contexto, o perdão da dívida africana é moralmente necessário.
Mas, perdoar a dívida não basta. O "simples" (não será nada simples convencer o CityBank e outros a esquecer os seus lucros) perdão da dívida vai incentivar à criação de novos empréstimos, nova dívida, novos juros, numa espiral que daqui a alguns anos vai levar a novo perdão da dívida.
O processo de empréstimos a Estados cuja eficácia depende da competência de governos que já mostraram até à exaustão a sua incompetência ou o nível de corrupção espantoso de que são capazes (veja-se o recente caso de José Eduardo dos Santos em Angola).
Urge encontrar algum modelo de suporte diferente. Provavelmente, um dos melhores seria criar um organismo na ONU que recebesse e administrasse essas verbas directamente, sem passar pelos governos locais. Quem quisesse aderia a este método, quem não ficava de fora e ajudava-se a si próprio
Posted by ruipmartins at 05:50 PM | Comments (2)
julho 04, 2005
A importância da sonda "Deep Impact"

Esta madrugada ocorreu o impacte da sonda "Deep Impact" contra o cometa "Tempel 1", como pode ser lido com maior detalhe .
Deste impacte directo contra este cometa pretende-se aprender muito sobre a estrutura e composição interna dos cometas.
Na verdade, a maior ameaça à existência da vida sobre a Terra não é nem a guerra nuclear, nem o aquecimento global, nem uma nova Idade Glacial, mas o impacte de um asteróide ou meteorito como aquele que pôs fim ao dominio dos dinossauros e que se sabem que atingem regularmente o planeta. Conhecer a estrutura interna e a composição destes objectos celestes é fundamental para conceber sistemas que possam destruir ou desviar objectos que se detectem como dirigindo-se ao nosso planeta.
Neste sentido, esta missão "Deep Impact" é uma das mais importantes de toda a idade espacial e pode ter um profundo impacte na vida de todos os seres que partilham este planeta azul chamado "Terra".
Posted by ruipmartins at 12:48 PM | Comments (2)
julho 03, 2005
O "Milagre" Irlandês
O grande "segredo" do chamado Milagre Irlandês de desenvolvimento assenta na combinação de 3 factores:
a) Baixos Impostos e um Estado reduzido à sua expressão mais simbólica
b) Língua Inglesa e a sua influência na cativação de investimentos dos EUA
c) Aposta decisiva na Formação e na Educação na década de oitenta
O ponto a) deste triângulo implica que existem poucas verbas para construir infraestruturas e pagar salários na Função Pública. Um e outro são as maiores ameaças à sustentabilidade do modelo de desenvolvimento a médio prazo.
Em toda a Irlanda existe apenas uma autoestrada com pouco mais de 20 km; a rede ferroviária é reduzida e insuficiente; os serviços sociais são praticamente inexistentes e o sistema educativo e de Saúde estão muito aquém dos padrões continentais e até britânicos.
É certo, que por outro lado, os baixos impostos libertam muitos recursos para o Consumo e isso estimula toda a Economia; é certo ainda que praticamente não existe Desemprego; mas a insegurança laboral é tão total como nos EUA e muitos irlandeses começam a temer a sustentabilidade dos seus níveis de crescimento num país que tem tão poucas infraestruturas e que já não recebe verbas da UE (pelo contrário, é agora um contribuinte líquido).
Será que queremos para nós o modelo Irlandês de Desenvolvimento?
Posted by ruipmartins at 12:36 PM | Comments (4)
O "Kliper" Russo: o sucessor das cápsulas Soyuz

Depois de mais de quarenta anos de uso da venerável e extremamente fiável cápsula Soyuz T a Rússia encetou o processo de desenvolvimento da plataforma espacial que irá suceder à Soyuz.
O novo aparelho tem a designação de "Kliper" e um modelo à escala real do mesmo foi apresentado recentemente na exposição aeronáutica de Le Borget. O Kliper será dividido em três módulos e terá como tripulação seis cosmonautas e 500 kg de carga, ou dois cosmonautas e 700 kg de carga. Para o desenvolvimento deste aparelho, a Rússia estabeleceu contactos com a ESA e com o Japão. E sabe-se que a ESA está extremamente interessada nesta cooperação dado que desde o falhanço do shuttle europeu que se procura um meio autónomo para colocar astronautas europeus em órbita, sem depender dos Soyuz russos ou dos obsoletos shuttles americanos.
Seguindo a tradição industrial soviética, de construir equipamentos para longas utilizações, o Kliper foi concebido para funcionar durante quarenta anos, sofrendo as devidas actualizações, tendo sido desenhado a pensar na possibilidade de levar astronautas à Lua e a outros planetas do sistema solar.
Posted by ruipmartins at 01:59 AM | Comments (0)
julho 02, 2005
"Na guerra, a verdade é a primeira baixa."
Ésquilo
Posted by ruipmartins at 03:15 PM | Comments (1)
A opção Nuclear
A opção nuclear segundo notícia do está novamente a ser reequacionada para Portugal, desta feita para a bacia hidrográfica do rio Douro.
Quando se fala de "opção nuclear" logo se erguem os ambientalistas, numa reacção tão instintiva que evoca os testes de Pavlov.
Contudo, a absoluta rejeição da opção nuclear deve ser afastada, sobretudo se resultar de preconceitos que hoje estão ultrapassados.
Não existem certezas a nível mundial, mas estima-se que 20% de todo o consumo de petróleo ocorra para a produção de electricidade, sendo 15% deste consumo canalizado para os diversos meios de transporte. A opção nuclear podia responder pelos primeiros 20% e conseguirnos a "almofada temporal" de que precisamos enquanto outras energias alternativas ao petróleo não alcançam o devido grau de maturidade, e falo da Fusão Quente, da Fusão Fria (ver link neste Blog), do aumento de eficácia das células fotovoltaicas, etc.
A opção nuclear permite a produção de energia sem as emissões de óxido de carbono que tanto contribuem para o maior problema ambiental da actualidade: o acentuamento do efeito de estufa, responsável pelas catástrofes ambientes que se têm sucedido nos últimos anos e que podem acelerar a vinda da próxima Idade Glaciar.
Sem dúvida que a Energia Nuclear apresenta sérios problemas potenciais, tais como o armazenamento dos seus resíduos, o risco de acidentes e até o pesado investimento inicial que uma central nuclear impõe. Mas os elevados níveis de energia produzidos, o facto do subproduto ser vapor de água (para além dos resíduos que podem sempre ser armazenados em minas graníticas) e até o facto de Portugal ser uma das maiores fontes europeias de minério Urânio faz aumentar a possibilidade da opção nuclear.
Em todos os possíveis problemas que podem resultar da opção nuclear, aquele que mais pesa é - sem dúvida - o risco de acidentes. Os reactores de primeira geração (como os problemáticos de Three Mile Island e de Chernobyl) estão agora ultrapassados e a Terceira Geração de reactores está agora protegida contra o temível "Síndroma da China" (lembram-se do filme com a Jane Fonda) através do uso de esferas de combustível em lugar das tradicionais barras de urânio. A redução da escala das centrais (apenas um ou dois reactores por central em vez dos quatro de Chernobyl) e a imposição de uma apertada fiscalização internacional às centrais pode reduzir muito o risco destas centrais.
Mas mais do que reduzir o risco, importa que os governos nacionais e a União Europeia assuma na opção nuclear o carácter transitório que esta tem necessariamente que ter: o combustível nuclear é - como o petróleo - um bem limitado. A opção nuclear é assim sempre transitória, e deve ser usada apenas como solução passageira para um problema que só pode conhecer efectivamente três soluções verdadeiras a médio prazo:
a) A Redução das Necessidades energáticas, através do aumento da eficácia do rendimento energético dos nossos veículos, electrodomésticos e indústria;
b) A maximização das fontes alternativas de energia já em uso na actualidade (barragens, eólica, electrosolar, ondas, biomassa, etc.)
c) O investimento na investigação de energias limpas e mais eficientes, como a Fusão (Fria ou Quente), o Hidrogénio, etc.
Ou seja, a opção nuclear existe e sem os riscos que nela fomos habituados a reconhecer, mas não deve ser uma opção definitiva e deve sempre manter em perspectiva aquilo que ela realmente é: uma solução passageira... Não a cura da penúria energética que se avizinha.
Posted by ruipmartins at 01:58 PM | Comments (0)
julho 01, 2005
O Pesadelo OniDuo
Sei que o amigo Pires vai provavelmente tornar a dizer que estas coisas só me acontecem a mim, e é verdade que a sucessão de eventos como este que irei descrever a seguir lança suspeitas sobre a sua ocorrência meramente aleatória. Tornei a chocar de frente com a incompetência e a irresponsabilidade portuguesas. Mas também o que é que eu esperava, vivendo em Portugal?
Em Março do corrente ano adquiri um pacote Oniduo, porque andava irritado com a Netcabo que não conseguia acertar com um problema de estabilidade de sinal na minha casa e para parar de pagar assinatura telefónica. Comprei o pacote (aquele que é tão profusamente anunciado na televisão), preenchi as duzentas e oitenta e três páginas do contrato e enviei a molhada por correio (desgraçado do carteiro).
Quatro meses depois, este sábado, noto que a minha linha de telefone fixo foi cortada. Penso logo que seria a portagem do telefone da PT para OniTelecom e espero pacientemente todo o fim-de-semana para que o sinal de linha voltasse. O que não aconteceu na Segunda-feira... Estranhando o mutismo da linha, abri a caixa do correio para lá encontrar uma carta da Oni onde se dizia que a PT não permitira a portagem da linha para a OniTelecom alegando "inviabilidade técnica"...
Desde logo, qual é o primeiro absurdo que se pode observar nesta história?
Pois é. Porque é que a Oni enviou o pedido de cancelamento do contrato com a PT (uma das duzentas e oitenta e três páginas) antes de saber desta se havia as tais "condições técnicas" para realizar a portabilidade da linha? Hum? Não haverá aqui um grave erro processual , sequencial, por parte da Oni? Ou será que só porque simplesmente estes clientes a quem a portabilidade é recusada nunca serão da Oni ela se está simplesmente nas tintas para se ficam ou não com telefone fixo? Má fé, incompetência ou desleixo. Escolha-se o que se quiser. Entretanto quem ficou a arder sem telefone fixo fui eu.
E há mais... Telefonando para a PT esta confirma efectivamente a recepção do pedido de cancelamento de contrato, mas diz mais: NUNCA recebeu da OniTelecom nenhum pedido de portabilidade da linha! Esta, após contacto telefónico garante que a enviou. E agora, acredita-se em quem? Onde está a Anacom? Onde está a Alta Autoridade para a Concorrência?
E a história continua... A mesma carta da OniTelecom onde se dizia que não havia "condições técnicas" dizia também que devolveriam os 22,50 euro que pagara pela caixa (Modem ADSL, Contratos e terminal de telefone). Devolvem pois... Mas somente na loja da Oni, num tal Lagoas Park ou no mesmo sítio onde foi comprada... Ora Oeiras fica longíssimo para mim (sobretudo em dias de semana) e o local onde foi comprada a caixa fica perto de Oeiras, porque quem a comprou foi um amigo meu que por lá passou. Ou seja, NENHUM dos numerosos agentes da Oni em Lisboa vai fazer a devolução!
Mais uma vez... Portugal no seu pior.
Com concorrência assim, a Portugal Telecom estará segura no seu poiso para todo o sempre...
Entretanto quem vai ganhar com isto tudo é a TMN porque não tenciono tornar a ter telefone fixo na minha casa.
Posted by ruipmartins at 10:10 PM | Comments (2)