agosto 28, 2005
O Petróleo e a Especulação Bolsista
O preço do barril de petróleo não pára de subir. E os medíocres governos ocidentais ainda não compreenderam que é preciso tomar rapidamente medidas que reduzam a mórbida dependência do petróleo.
A subida do barril de petróleo não é em si uma novidade. O que foi novidade foi o tratamento dado à notícia nas nossas televisões e sobretudo na SIC onde passou uma entrevista a um corretor da BIG que pela primeira vez evitou recorrer ao estafados e falsos argumentos de que o preço estaria a subir porque:
1. O aumento exponencial do consumo na China estava a pressionar os preços no lado da Procura
2. A capacidade produtora das refinarias americanas era insuficiente
3. As jazigas petrolífezas aproximavam-se da exaustão
Todas estas razões são falsas - como veio finalmente assumindo o dito corretor - e os preços sobem de facto como consequência de duas ordens de razões:
A. Uma pressão sobre os preços por parte dos especuladores que se movimentam nas Bolsas de Valores com uma avidez crescente
B. O aumento descontrolado dos lucros das grandes multinacionais do ramo da refinação petrolífera
Com efeito, o tão badalado aumento do consumo chinês traduz-se apenas por um acréscimo de 0.15% num aumento mundial de apenas 0.5%! O referido esgotamento dos poços corresponde de facto a um pico da produção, isto é, nunca como hoje se extraiu tanto petróleo por dia e embora a tendência a médio prazo seja o declínio tal não se verifica AINDA e não pode contribuir para explicar a actual alta de preços. Quanto aos argumentos como furacões ou tempestades no Golfo do México ou no Mar do Norte e as supostas "avarias" em refinarias americanas quase nem merecem comentários... Ou será que só agora é que começaram os furacões e que nunca antes houve avarias?
E aquele argumento rídiculo da "ameaça terrorista"? Não houve ainda um único atentado contra alvos do sector petrolífero e o argumento de que os ataques da Resistência Iraquiana contra oleodutos e refinarias no Iraque fariam aumentar os preços também é absurdo: não havia antes da invasão sanções da ONU que impediam que o petróleo iraquiano chegasse ao mercado? Se sim, que impacto pode ter a interrupção de uma produção que agora é intermitente mas que antes nem sequer chegava ao mercado?
Em conclusão: querem controlar esta alta irracional de preços e a recessão mundial que ela provoca? Controlem os especuladores na Bolsa e os gestores das grandes multinacionais.
Publicado por ruipmartins às agosto 28, 2005 02:24 PM
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Comentários
Os especuladores adivinham hoje o dia de amanhã...
Publicado por: Rui às agosto 30, 2005 12:03 PM