« julho 2005 | Main | setembro 2005 »

agosto 31, 2005

Soares, o Velho; Alegre, o Desiludido e Sócrates, o Ressabiado

Soares lá balbuciou, cambaleando e apoiado num palanque a sua intenção de se recandidatar à Presidência da República desta República das Bananaas.

Mas o PS não conseguiria arranjar melhor que Soares? Ou pelo menos alguém com mais possibilidade de chegar vivo ao dia das eleições?

O Sócrates tem fama de ter tão mau feitio como um Gnu em dia de caçada de leões, será que o "seu" PS não apoiou o muito melhor, mais inteligente, culto e admirado Alegre apenas por ressabiamento por este se ter atrevido a atravessar-se à consagração unânime de Sócrates na liderança do PS?

Posted by ruipmartins at 10:36 PM | Comments (0) | TrackBack

A Justiça Preversa do Katrina

Até hoje o furacão Katrina terá feito cerca 200 mortos só nos Estados Unidos e é até ao momento o furacão mais caro da história dos EUA. E este é apenas um entre mais de 16 que se esperam este ano no Golfo do México.

Segundo os especialistas, este forte furacão e todos aqueles que se lhe sucederão nos próximos anos são consequência do Aquecimento Global provocado pelo aumento dos níveis de CO2 na atmosfera. Normalmente as catástrofes naturais provocadas pelos excessos dos países industrializados abatem-se nos países menos desenvolvidos na forma de cheias, secas, furacões e tufões, etc.

Mas neste impacto dramático do Katrina existe pelo menos a justiça preversa de sabermos que a catástrofe se abate sobre o mesmo país que reelegeu o presidente que renegou o Protocolo de Quioto assinado pela anterior administração americana... Renegado a pretexto do suposto impacto negativo que a sua aplicação teria na indústria americana, as consequências desta recusa fazem agora sentir-se de uma forma particularmente aguda... Pena é que a maioria das vítimas e dos desalojados pertençam à etnia africana e às camadas socialmente menos favorecidas que há meses atrás votaram maioritariamente em Kerry e não no imbecil que hoje ocupa a Sala Oval...

Posted by ruipmartins at 10:36 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 30, 2005

O Gato Branco-Negro

Na semana passada passei por uma oficina perdida algures no Algarve profundo - entre Cavacopolis/Boliqueime e Faro - entrei na oficina admirando a clássica desarrumação e caos de um local que não conhece mão feminina e entre uma roda de um tractor e um monte de baterias de Toyotas da década de setenta lá estava ele: um gato. Em si a aparição nada tem de extraordinário, o que a torna irreal é o facto de se tratar de um improvável gato BRANCO. A côr branca é - como compreenderão - a côr mais difícil de manter numa oficina automóvel lusitana e consequentemente o felino em questão estava coberto de manchas negras de óleo o que lhe dava um ar "malhado" e "profissional". Findo o motivo que me levara à oficina despedi-me do mecânico enquanto o gato se esgueirava entre dois bidões de óleo adquirindo no processo um ar ainda mais "profissional" e semelhante ao seu dono.

Posted by ruipmartins at 09:21 PM | Comments (7) | TrackBack

O sucesso de Paulo Coelho

Recentemente, o escritor brasileiro Paulo Coelho alcançou o espantoso número de 65 milhões de exemplares vendidos. Este fenómeno Paulo Coelho tem alguma coisa de especial. Já li uns dois livros do homem e de facto aquilo toca, mas toca a um nível muito baixo do intelecto, isto é, não são livros especialmente bem escritos ou documentados (até o Dan Brown o bate neste aspecto), mas os seus livros têm algo que toca toda a gente, numa qualquer "tecla" emocional que liga o Homem ao Divino, ou lá o que é.

Penso que a explicação para o sucesso da obra de Coelho é em si própria incompreensível, mas muito ligada ao ateísmo exagerado que se instalou nas sociedades ocidentais e que alimenta estes neomisticismos de que vive a obra do brasileiro.

Posted by ruipmartins at 08:48 PM | Comments (0) | TrackBack

Parte 22: A Escrita Cónia: O Cão

No começo do período neolítico as populações Magdelenenses da zona do Mar Báltico introduziram a domesticação do cão. Esta domesticação foi importante para o aumento do sucesso da caçador, que agora podia contar com um aliado com um olfacto muito desenvolvido e um elevado grau de mobilidade. Donald Mackenzie acreditava que a este papel deveria corresponder um forte papel religioso, se não entre os Magdelenenses, pelo menos entre os Cro-Magnons.

São comuns os exemplos de adoração do cão nas religiões. No Antigo Egipto, temos Anubis, o protector e guia das almas dos Mortos no Além; também Apuatua, outra divindade egípcia era outro deus-cão. Entre os hindus, Yama, deus dos mortos e Dharma, deus da Justiça, eram deuses com aspecto canídeo. Na complexa mitologia grega, o cão era o guardião do Inferno que Hércules devia vencer. Na mitologia celta, Cuchulin, mata o cão que guarda as portas do Inferno e toma o seu lugar, aliás daqui deriva o seu próprio nome Cu (cão) de Culann. Na Escócia o povo venera ainda hoje as “pedras cão”.

Todos estes vestígios representam uma sobrevivência neolítica do culto do Cão, o facto de terem em comum o seu carácter infernal não deve ser ignorado. A sua presença nas estelas descobertas em território nacional e datadas da Idade do Bronze indica que manteve entre os nossos antepassados o mesmo sentido.

Posted by ruipmartins at 08:19 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 28, 2005

O Petróleo e a Especulação Bolsista

O preço do barril de petróleo não pára de subir. E os medíocres governos ocidentais ainda não compreenderam que é preciso tomar rapidamente medidas que reduzam a mórbida dependência do petróleo.

A subida do barril de petróleo não é em si uma novidade. O que foi novidade foi o tratamento dado à notícia nas nossas televisões e sobretudo na SIC onde passou uma entrevista a um corretor da BIG que pela primeira vez evitou recorrer ao estafados e falsos argumentos de que o preço estaria a subir porque:
1. O aumento exponencial do consumo na China estava a pressionar os preços no lado da Procura
2. A capacidade produtora das refinarias americanas era insuficiente
3. As jazigas petrolífezas aproximavam-se da exaustão

Todas estas razões são falsas - como veio finalmente assumindo o dito corretor - e os preços sobem de facto como consequência de duas ordens de razões:
A. Uma pressão sobre os preços por parte dos especuladores que se movimentam nas Bolsas de Valores com uma avidez crescente
B. O aumento descontrolado dos lucros das grandes multinacionais do ramo da refinação petrolífera

Com efeito, o tão badalado aumento do consumo chinês traduz-se apenas por um acréscimo de 0.15% num aumento mundial de apenas 0.5%! O referido esgotamento dos poços corresponde de facto a um pico da produção, isto é, nunca como hoje se extraiu tanto petróleo por dia e embora a tendência a médio prazo seja o declínio tal não se verifica AINDA e não pode contribuir para explicar a actual alta de preços. Quanto aos argumentos como furacões ou tempestades no Golfo do México ou no Mar do Norte e as supostas "avarias" em refinarias americanas quase nem merecem comentários... Ou será que só agora é que começaram os furacões e que nunca antes houve avarias?

E aquele argumento rídiculo da "ameaça terrorista"? Não houve ainda um único atentado contra alvos do sector petrolífero e o argumento de que os ataques da Resistência Iraquiana contra oleodutos e refinarias no Iraque fariam aumentar os preços também é absurdo: não havia antes da invasão sanções da ONU que impediam que o petróleo iraquiano chegasse ao mercado? Se sim, que impacto pode ter a interrupção de uma produção que agora é intermitente mas que antes nem sequer chegava ao mercado?

Em conclusão: querem controlar esta alta irracional de preços e a recessão mundial que ela provoca? Controlem os especuladores na Bolsa e os gestores das grandes multinacionais.

Posted by ruipmartins at 02:24 PM | Comments (2) | TrackBack

Movimento 560

O Proteccionismo está de volta e cada vez com maior vigor à medida que as fragilidades e desigualdades da Globalização se forem impondo.

Visite o site do .

No nosso lado, a adesão é total: sempre que compramos algo procuramos sempre produtos nacionais, ainda que mais caros ou que não tenham exactamente as características que procurávamos.

Lembrem-se: Comprar produtos portugueses é dar emprego a portugueses, e um desses portugueses pode ser voçê!

Posted by ruipmartins at 01:45 PM | Comments (6) | TrackBack

Algumas Citações de "Justine" (Os Quatro de Alexandria) de Lawrence Durrell

"o facto de ser possível que possua uma coluna vertebral torna-o um fenómeno raro da sociedade diplomática."

"só se podem fazer três coisas com uma mulhez - disse um dia Clea. - Podemos amá-la, sofrer por ela, ou então fazer literatura."

"a acção não pode julgar-se enquanto se não julga o pensamento, visto que os nossos pensamentos são igualmente actos. São as nossas tentativas para realizar juízos parciais sobre o pensamento e sobre a acção que promovem a dúvida."

"O que é dia para os corpora é noite para os spiritus. Quando o corpo repousa o espírito do Homem põe-se a trabalhar. A velada do corpo é o sono do espírito e o sono do espírito é a velada do corpo."

"A vida, a matéria-prima, vive em potência até que o artista a desenvolve na sua obra."

"Tudo quanto as grandes religiões realizaram foi uma relação de actos e pensamentos interditos. As interdições engendram o desejo por aquilo que proíbem. Nós, os membros da Cabala, dizemos: cede, mas sublima-te. Nós aceitamos todos os homens e todos os desejos para que a plenitude do homem afronte a plenitude do Universo, aceitamos mesmo o prazer, a destrutiva fragmentação da mente no prazer."

Posted by ruipmartins at 09:33 AM | Comments (0) | TrackBack

Sabão, Telemóveis e Gratificados

No excelente blog Os Cães Ladram e a Caravana Passa descreve-se a curiosa notícia que cito:

"Três homens da zona de Lisboa que vendiam barras de sabão como se fossem telemóveis topo de gama, foram identificados pela PSP de Leiria, que apreendeu o material usado na burla.

O trio abordava pessoas que circulavam a pé na cidade, nomeadamente junto ao Centro Comercial Maringá, e propunha a compra de um telemóvel de terceira geração (Nokia 6680, no valor de 595 euros) em troca de 50 euros e do telemóvel do cliente.

O aparelho, verdadeiro era apresentado dentro de um pequeno saco preto em seda. Enquanto o cliente preparava o dinheiro para fazer o negócio, os burlões trocavam o saco com o telemóvel por outro igual, no interior do qual estava uma barra de sabão com a forma e o peso do aparelho verdadeiro."

O que me fez lembrar de um episódio que vivi ainda não há muito tempo: Cruzava eu a Avenida de Roma quando fui abordado (ou melhor, quando fui interceptado) por dois individuos de raça cigana que me tentavam vender um telemóveis Nokia topo-de-gama. Sabendo obviamente que se tratava de um negócio manhoso (telemóvel falso, roubado, vigarice como a supra-citada, etc.) recusei e uns vinte metros mais adiante queixe-me a um PSP que fazia o seu serviço gratificado junto a umas obras do Metro. Sabem o que me disse o polícia quando lhe descrevi o encontro? "Ora isso não foi roubado, se calhar é falso." E quando lhe perguntei se não ía fazer nada, disse que não! Insisti e lá acabou por ligar contrafeito para a Esquadra, meio trombudo por o ter desviado do seu precioso serviço de gratificado...

Posted by ruipmartins at 09:33 AM | Comments (0) | TrackBack

agosto 27, 2005

Por uma nova "Regionalização"

As recentes declarações à revista "Visão" do número dois da Câmara do Porto expuseram a bem conhecida cumplicidade entre imobiliárias/construção civil e as gestões municipais.

De norte a sul do país as Câmaras Municipais estão infectadas por esse virus da corrupção e do crime que é o sector imobiliário, que, para manter os elevadíssimos e imorais lucros não hesita em arrastar todos os portugueses para a falência e que obriga as Câmaras municipais a cederem às suas pressões autorizando praticamente todo o género de construções em praticamente todo o género de sítio.

É preciso que as Câmaras tenham que depender tanto das verbas com origem no sector da Construção, como a SISA/Imposto Autárquico e que passem a depender sobretudo de rendimentos próprios, como os gerados pelas empresas municipais e por impostos directos.

Acima de tudo, é preciso canalizar algumas receitas de impostos directamente para as Câmaras sem que passem pelo Governo Central. É preciso reinventar o "Regionalismo" numa versão autárquica, entregando às Câmaras a maioria das responsabilidades de gestão dos seus municípios e mantendo no Governo Central apenas as competências que este poderá desempenhar melhor, como os Negócios Estrangeiros, a Defesa, etc. Responsabilidades como a Educação, a Saúde, a Polícia, os Bombeiros, deverão pertencer à esfera municipal. Para tal, o IRS e o IRC devem ser divididos, entregando-se uma parte directamente ao município de residência e a a outra parte ao governo central.

Por fim, é preciso desencadear uma verdadeira "Operação Mãos Limpas" arrastando para as prisões os Isaltinos, Fátimas e "Majores" Loureiros que com menor mediatismo polulam por todo o país. Concedam-se os devidos meios à PJ e deixem-na trabalhar.

Posted by ruipmartins at 08:54 PM | Comments (2) | TrackBack

agosto 25, 2005

Parte 22: A Escrita Cónia: Divindades adoradas pelos Cónios: Influências Exteriores

É um exercício particularmente difícil reconstruir a Civilização Cónia e, particularmente, o seu sistema religioso. Mas sendo as estelas cónias monumentos funerários e, consequentemente, de teor religioso este é um exercício indispensável.

A adopção do culto de divindades salutíferas romanas, de que Esculápio constitui o melhor, pode ser um indicador de que já preexistia nas populações a predisposição a cultos deste género, ou mesmo cultos semelhantes que foram absorvidos e “latinizados”. Testemunho deste processo pode ser o tempo de Esculápio de Mirobriga (Baixo Alentejo) e a estátua deste médico divinizado descoberta em Serpa.

Não existem sinais suficientes para nos permitir defender a continuidade de um culto à Deusa-Mãe desde a época neolítica. É certo que alguns vestígios arqueológicos indiciam a sobrevivência de cultos a divindades femininas na Idade do Ferro do Sul, como se depreende dos “dois brincos de orelha, lunulares e terminados com duas pequenas esferas de ouro, na lúnula estão soldadas 14 pequenas cabeças femininas representando talvez Hathor, Astarté ou Aphrodite” que o Caetano Beirão descobriu no Tesouro do Gaio, em Sines.

Como dissemos, a reconstrução do sistema religioso cónio é, sem dúvida, um exercício particularmente difícil. Desde logo escasseiam os vestígios arqueológicos, os monumentais estão completamente ausentes e as fontes escritas ou estão por traduzir, ou escasseiam entre os autores clássicos. Existem contudo alguns elementos disponíveis que podem ser utilizados para tentar uma reconstrução parcial das crenças dessas populações do sul do actual território português.

Posted by ruipmartins at 08:43 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 23, 2005

Germanos, hooligans e outras aves raras

Tendo estado recentemente num hotel onde abundavam estranjanóides oriundos desses países bárbaros do norte da Europa e tendo tempo bastante para apreciar o comportamento dessas exóticas criaturas endémicas nessas latitudes, pude constatar o seguinte:

A) os putos óligânicos

Por estranha coincidência - ou talvez não - todos os putos de falar anglo-saxão envergavam uniformes completos dos seus clubes de eleição. Estes pequenos óliganos têm como primeira missão ao acordarem a selecção da camisola idêntica às outras doze idênticas que trouxeram de Albion e a escolha da expressão facial mais façanhuda que puderem conceber. Com uma lâmina cortam la trunfa para acentuarem a façanhudez atrás referida e calçam os ténis de marca que levarão depois ao banho. Começam então a árdua labuta de gastar o tempo que levam os dias sem fazerem nada de útil para além de se passearem com outros óliganos todos fardados com os uniformes dos respectivos clubes.

B) a tribo dos meiasbrancas

Se os putos óliganos se divertem a passear as águias dos seus clubes, os germanos de bigode farfalhudo, barriga saliente e calções curtos exibem orgulhosamente as suas caligae (sandálias) calçadas sobre imaculadas meias brancas. A selecção da côr alva simboliza o amor à paz e o ódio pela anexação de pequenos países que caracteriza a raça germânica. Como as alvas meias têm a desagradável tendência para se escurecerem, estes germanos levam em pequenas sacolas

C) a fila da refeição

A hora da refeição estende-se geralmente por um período de duas a três horas. Ora nos estabelecimentos hoteleiros frequentados por germanos observa-se que essas criaturas formam fila uns bons 20 minutos antes da hora de abertura. Ordeira e pacatamente formam as suas filas de de gente loura e alta. Assim que as portas abrem os germanos precipitam-se para o buffet onde guarnecem os seus pratos de presunto, chouriço e outras carnes e pedem aos empregados doses reforçadas de "cerveza". A questão é: para quê fazer fila se a comida chega sempre para todos? Ou será que é só o amor da fila pela própria fila?

D) o filipino do pc

Aqui no hotel há um pc onde se inserem moedas de Euro e se navega por dez minutos. Até aqui tudo bem, com a ressalva de ser apenas um e de a fila de uso ser sempre tão extensa como a fila à porta de Salim Hassan o fabricante de bombas de Bagdad. Mas e não é que o pc estava quase sempre ocupado por um miúdo filipino de uns 14 anos? De manhã, após a "corrida" do pequeno-almoço, depois do almoço, à tarde, depois de jantar, enfim, enfim... Sempre! Mas o tipo não era suposto estar de férias? Ir à praia? Fazer amigos? Ir às discotecas e bares? Bem. Parece que não! Para infelicidade deste vosso bloguista que nesses dias dificilmente conseguiu colocar os seus Posts!

E) os 15 mictantes da piscina

Existe no hotel uma piscina para crianças com uma lotação máxima de 15 pessoas. Isso parece significar que apenas 15 pessoas podem mictar de cada vez na piscina.

F) vólei-poia

O vólei aquático parece ser um desporto muito popular entre as raças bárbaras do norte da Europa. Os germanos atiram-se para a água com as toucas de borracha e de tangas deixando as suas matronas nas cadeiras que ocuparam desde as sete da matina. É assim - tão sexys como um hipopótomo no cio - que disputam a posse da bola e se empurram uns aos outros procurando sempre evitar as poias que flutuam na piscina, com graus variáveis de sucesso...

G) os germano-mudos

Se num hotel um germano com seus filhos se aproxima de vós há que ter sempre a certeza de uma coisa: o tipo nunca, mas nunca mesmo, vos há-de dirigir a palavra. O céu pode desabar, o filho dele pode afogar-se, o escorrega desmantelar-se, mas, em momento algum um germano há-de dirigir a palavra a um mediterrâneo. "Graças a Deus", diria eu se acreditasse no deus dos Cristãos...

H) os putos de oiro

Tudo lhes é permitido, sempre. Os putos germanos gritam no lobby, saltam dentro dos lagos, derramam sumo sobre o teclado do pc e urinam nas piscinas sempre sobre o olhar complacente e terno dos progenitores e do pessoal do hotel. Sem dúvida que é sempre melhor encarnar na pele de um puto germano: empregos garantidos, Estado protector e eficiente, altos níveis salariais, pais complacentes e um sentido inato de superioridade racial que deixam transparecer por todos os poros.

Posted by ruipmartins at 11:15 AM | Comments (3) | TrackBack

agosto 22, 2005

A Ilha das Sete Cidades

Martin Behaim, no seu famoso mapa-mundi de Nuremberga, datado de 1492, desenhava sobre a ilha das Sete Cidades a seguinte legenda: "Quando corria o ano 714 depois de Cristo, a Ilha das Sete Cidades, acima figurada, foi povoada por um arcebispo do Porto em Portugal, com outros seis bispos e cristãos, homens e mulheres, os quais, tinham fugido de Espanha em barcos, e vieram com os seus animais e fortunas. Foi por acaso que no ano de 1414 um navio castelhano dela se aproximou". Mesmo depois da descoberta da América, Fernando Colombo, na sua "Vida do Almirante" acreditava na existência dessa ilha, e torna a contar a hist"ria em termos quase idênticos. "Contam que no oitavo século da era cristã, sete bispos portugueses, seguidos dos seus crentes, embarcaram para essa ilha, onde construíram sete cidades, e que não quiseram mais deixar, tendo queimado os seus navios para eliminar a possibilidade de regresso". Sem discutir a falsidade ou veracidade desta lenda, reconhecemos contudo que o instinto de todos os povos conquistados é de sonhar com a restauração - os bretões não sonhavam com o seu Artur, os judeus não sonhavam com um Messias? Do mesmo modo, segundo Gaffarel, na Hispânia estes godos teriam fugido à ocupação muçulmana para um refúgio atlântico de onde se esperava que viessem para restaurar o reino cristão da Hispânia.

Em 1447 um português, empurrado por uma tempestade no Atlântico, teria desembarcado numa ilha desconhecida, onde encontra sete cidades, nas quais os seus habitantes falavam o português. Estes últimos teriam querido retê-lo,uma vez que não queriam manter nenhuns contactos com a sua antiga pátria, mas teria conseguido escapar, e regressado a Portugal, onde conta a D. Henrique as suas aventuras. O Navegador critica fortemente o capitão por ter fugido sem ter obtido mais informações, e o marinheiro assustado nunca mais foi visto. Esta hist"ria causou polémica na altura em que foi publicada. Alguns eruditos identificaram esta ilha com a ilha fenícia identificada por Arist"teles e por Diodoro da Sicilia e em numerosas cartas, onde surge com o nome de Ilha das Sete Cidades.

AS SETE CIDADES DE SÃO MIGUEL

Gaffarel lançou a hipótese de a Ilha de São Miguel nos Açores ser essa ilha mítica. Sem dúvida que os tremores de terra são aí frequentes. Um só ou uma sucessão deles poderiam ter destruído as cidades, mas teriam restado algumas ruínas que ainda hoje fossem visíveis. Somente o nome de Lagoa das Sete Cidades poderá ser uma leve reminiscência, isto a crer nesta hipótese.

Como escrevemos o nome de Sete Cidades sobrevive hoje no arquipélago açoriano. Buache crê ser esta a genuína Sete Cidades. Humbolt tem outra opinião, defendendo a associação desta lenda com a das Sete Cidades de Cibola. Esta última tese não é contudo muito credível - apesar do renome do autor - pois não parece provável que navegantes visigóticos tenham alcançado o México em 711.

Existem relatos novecentistas de algumas ruínas perto da Lagoa das Sete Cidades, mas, ao que sabemos, não existem actualmente vestígios dessa ordem.

ASSOCIAÇÃO ENTRE AS ANTILHAS E SETE CIDADES

A história da fuga dos sete bispos é-nos contada por Las Casas, mas Ant"nio Galvão relata-nos uma outra ligeiramente diferente no seu Tratado (Lisboa, 1563), concluindo: "E alguns pretendem que estas terras e ilhas que os Portugueses tocaram são aquelas a que agora se chama Antilhas e Nova Espanha, e avançam muitas razões para tal, as quais não menciono porque não quero ser responsável por elas, tal como as pessoas terem o hábito de dizer, de qualquer terra de que nada soubessem, tratar-se da Nova Espanha."

No mapa Ruysch de 1508 existe uma grande ilha na Latitude N 37o e 40o. Chamada "Antilia Insula" tem uma grande legenda que afirma ter sido descoberta há muito tempo pelos espanhóis, cujo último rei godo, Roderico, aqui se havia refugiado da invasão bárbara.

SETE CIDADES NO CONTINENTE AMERICANO

No século XVI muitos julgaram encontrar as Sete Cidades no continente americano. Um padre franciscano, Marcos de Niza, com base em lendas, infiltra-se em 1539 na América do Norte, mais especificamenta na Califórnia, com a esperança de encontrar um país, chamado Cibola pelos indígenas - as sete cidades da lenda. Acompanhado por três franciscanos e de um negro que dizia conhecer o território. A expedição atinge regiões inexploradas, e narra no seu regresso que havia visto ao longe sete cidades brilhantes, das quais havia tomado posse em nome do rei de Espanha.

A sua narrativa entusiasta decide o envio de uma expedição considerável, comandada por um nobre de mérito, F. Vasquez de Coronado; mas o pequeno exército, depois de ter passado por grandes sofrimentos, chegou ao sopé de um rochedo árido, sobre o qual se erguia com efeito Cibola, mas não a rica Cibola da lenda, e sim uma pobre aldeia índia.

Não se descobriram nem sete cidades cristãs, nem um povo guardando as velhas tradições visigóticas, mas um país nos arredores do Rio Gila, perto da fonte do Rio Del Norte.

Curiosamente, a região compreendia 70 burgos repartidos por sete províncias. Parece mesmo que, hoje em dia, em Zuni, a cidade principal da antiga Cibole, se encontram índios de cabelos brancos e de rosto claro. Sobre o seu aspecto escrevia um viajante contemporâneo: "Não são índios! Há muitos entre eles que tem feições tão claras como as dos mestiços. Entre as mulheres, particularmente, muitas tem a pele quase branca, os olhos cinzentos ou azuis".

Por outro lado, numa outra história Sahagun, escrevia sobre a origem dos Nahuatl: "A história que contam os antigos é que eles vieram por mar do lado do norte... Conjectura-se que estes naturais terão saído de sete grutas, e que estas sete grutas são os sete navios ou galeras nas quais chegaram os primeiros colonos." Este primeiros colonos seriam os sete bispos visigodos e os seus seguidores?

LIGAÇÃO ENTRE A ILHA IMAGINÁRIA DE ANTILIA E SETE CIDADES

M. d'Avezc conta que Antilia era conhecida, marcada e visitada no século XV; Toscanelli, segundo ele, tinha escrito à corte de Portugal as seguintes palavras: "Esta ilha de que tendes conhecimento e que vós chamais das Sete Cidades"...

O filho de Cristovão Colombo, Fernando, na "Vida de Meu Pai", precisa por seu lado: "Alguns portugueses inscreviam-na nas suas cartas com o nome de Antilia, embora não coincidisse com a posição dada por Aristóteles; nenhum a situava a mais de 200 léguas, aproximadamente, a Ocidente das Canárias e dos Açores. Tem por certo que é a iIha das Sete Cidades, povoada por portugueses no tempo em que a Hispânia foi conquistada, ao rei Rodrigo, pelos Mouros, isto é, no ano 714 depois de Cristo". Fernando Colombo assegura que, ainda em vida do Infante Dom Henrique, um navio atracou em Antilia/Sete Cidades; os marinheiros foram à igreja e verificaram que aí se praticava o culto romano.

Talvez seja como reflexo destas histórias que circulavam entre os marinheiros que teve início a iniciativa referenciada por Las Casas: "Alguns partiram de Portugal para encontrar esta mesma ilha [das Sete Cidades] que em linguagem vulgar se chama Antilla, e entre os que partiram estava um Diogo Detiene, cujo piloto, chamado Pedro de Velasco, natural de Palos, declarou ao dito Cristovão Colombo, no mosteiro de Santa Maria da Arrábida, que, tendo partido da ilha do Faial e prosseguindo 150 léguas com o vento lebechio (NW), descobriram, no regresso, a ilha das Flores, guiados por muitas aves que viram voando para lá, e reconheceram que eram aves terrestres e não marítimas, e assim pensaram que iam dormir a alguma terra. Em seguida, e dito que navegaram tanto para NE que tinham o Cabo Claro (na Irlanda) para E, onde acharam que os ventos eram muito fortes, e os ventos de oeste e para o mar muito suaves, e que acreditavam que devia ser por causa da terra que devia ali existir, a qual lhes oferecia abrigo a Ocidente; a qual não persistiram em explorar, porque já era Agosto e recearam [a aproximação do] Inverno. Ele disse que isto aconteceu 40 anos antes de Cristovão Colombo descobrir as nossas índias".

RELAÇÃO COM A ILHA BRAZIL

Pedro de Ayala, embaixador espanhol na Grã-Bretanha, em 1498, relatando as navegações inglesas a Fernando e Isabel, escreveu, conforme menciona Babcock, as seguintes linhas: "The people of Bristol have, for the last seven years, sent out every year two, three, of four light ships in search of the island of Brasil and the seven cities". E, com efeito, ao que tudo parece indicar, realizou-se pelo menos uma expedição em busca da ilha Brazil.

A primeira aparição da ilha Brazil é a do mapa de Dalorto (de 1325), onde surge como uma ilha de forma disc"ide. No mapa Catalão de 1375 este disco transformou-se num anel rodeando um conjunto de ilhas, para Nordenskiold nove, para Kretschmer sete. Este último número pode representar um fen"meno não raro em diversas ilhas míticas, o cruzamento entre lendas.

FERNÃO DULMO DA TERCEIRA PROCURA A ILHA DAS SETE CIDADES

Existe uma carta de doação, emitida por D. João II a Fernão Dulmo da Terceira, no ano de 1486. Este Fernão Dulmo era na verdade Ferdinand van Olm, um dos flamengos que se haviam estabelecido nos Açores. Dulmo declarara ao monarca que se propunha "procurar e achar uma grande ilha ou ilhas ou terra firme per costa, que se presume ser a Ilha das Sete Cidades, e tudo isto a suas próprias custas e despesas". Uma cláusula revela a importância que o monarca atribuía ao descobrimento da dita ilha: " No caso de ele não conseguir conquistar as ditas ilhas ou terras nós enviaremos, com o dito Fernão Dulmo, homens e esquadras de barcos com poder nosso para efectuar o mesmo, e o dito Fernão Dulmo será sempre Capitão General das ditas esquadras e está por N"s sempre autorizado, porque seu Rei, como Nosso súbdito".

Fernão Dulmo iniciou os preparativos para a expedição chamando para o ajudar João Afonso do Estreito e pedindo que o rei o admitisse na partilha da empresa e dos lucros. Estreito forneceria duas caravelas, aprovisionadas para navegar durante seis meses, que deveriam zarpar no dia 1 de Março de 1487. Dulmo contrataria pilotos e marinheiros e pagar-lhes-ia os salários.

Durante quarenta dias Dulmo seria o comandante-general, estabelecendo o rumo para as duas caravelas, e tomando para si todas as terras descobertas, depois do que Estreito seria, por sua vez, capitão-general e se apoderaria de todas as terras avistadas. Tudo isto, o monarca confirmou a 24 de Julho e 4 de Agosto de 1486.

Las Casas poderia referir este empreendimento, quando escrevia as seguintes linhas: "Mais adiante, um marinheiro chamado Pedro de Velasco, um galego, contou a Cristovão Colombo em Múrcia que, seguindo numa certa viagem a Irlanda, estavam a navegar e a afastar-se tanto para NW, que viram terra a oeste da Irlanda, a qual eles pensaram que devia ser a que um Hernan Dolinos procurou descobrir, tal como agora se deve dizer". A referência a quarenta dias previstos é curiosa, porque bastaram trinta e seis para fazer Colombo chegar ao Novo Mundo. Mas, se não mais se ouviu falar destes navegadores é porque a sua expedição foi frustada, provávelmente pelas difíceis condições existentes no mês de Março para quem se propõe navegar na direcção Oeste, conforme nota Samuel Eliot Morison na sua obra "As Viagens Portuguesas à América".

COLONOS PORTUGUESES NO BRASIL ANTES DE 1500?

A lenda de emigrados portugueses numa ilha Atlântica poderá ter algo a ver com repetidos relatos, embora não merecedores de muita confiança, da presença de colonos portugueses no Brasil ainda antes da chegada da armada de Pedro çlvares Cabral. O primeiro relato refere que o mais velho habitante vivo do Brasil teria declarado, no seu leito de morte em 1580, que vivera naquele país "cerca de noventa anos". Outro relato é o de um certo Estevão Fr"is, encarregado de um barco capturado pelos espanh"is: "Tinham má vontade em receber da nossa parte a prova do que alegávamos; nomeadamente, que Vossa Alteza tivera a posse destas terras [Brasil] durante vinte anos e mais, e que já João Coelho da Porta da Cruz, habitante de Lisboa, ali viera com outros para descobrir".

Estas histórias são pouco credíveis uma vez que a primeira colónia, nem sequer foi portuguesa mas francesa, fundada por Christophe Jacques, por volta de 1516. A primeira col"nia nacional s" se instalaria em Olinda em 1530, sob o comando de Duarte Coelho Pereira.

EM BUSCA DE ANTILIA/SETE CIDADES

Como vimos Fernando Colombo relata como "no tempo do Infante Henrique de Portugal (mais-ou-menos 1430), um navio português foi empurrado pelo mar para esta ilha Antilla." A tripulação foi à igreja com os ilhéus mas receou ficar detida na ilha e fugiu assim que pôde. O Príncipe ouviu a sua hist"ria e ordenou-lhes que voltassem à ilha, mas os marinheiros largaram e não tornaram mais a ser vistos. Fernando relata que a areia de Antillia era composta de um terço de ouro puro. Galvão relata uma outra visita mais tardia, ou então uma outra versão da primeira: "In this yeere also, 1447, it happened that there came a Portugall ship through the streight of Gibraltar; and being taken with a great tempest, was forced to runne westwards more then willingly the men would, and at last they fell upon an Island which had seven cities, and the people spake the Portugall toong, and they demanded if the Moors did yet trouble Spaine, whence they had fled for the losse which they received by the death of the king of Spaine, Don Roderigo."

"The boateswaine of the ship brought home a little of the sand, and sold it unto a goldsmith of Lisbon, out of the which he had a good quantitie of gold."

"Dom Pedro understanding this, being then governour of the realme, caused all the things thus brought home, and made knowne, to be recorded in the house of justice."

"There be some that thinke, that those Islands whereunto the Portugals were thus driven, were the Antiles, or Newe Spaine."

Um outro relato nos chega através de Faria e Sousa, traduzido pelo Capitão John Stevens: "Depois da derrota de Roderico os mouros espalharam-se pela província, cometendo barbáries inumanas. A maior resistência era em Mérida. Os defensores, muitos dos quais eram portugueses, que pertenciam ao Supremo Tribunal da Lusitânia, eram comandados por Sacaru, um nobre godo.

Muitas acções corajosas decorreram neste cerco, mas como não apareciam reforços e as provisões começavam a escassear a cidade rendeu-se sem condições. O comandante da Lusitânia, atravessando Portugal, chegou a uma cidade costeira, onde, reunindo um bom número de navios, lançou-se ao mar, mas ignora-se a que parte do mundo eles foram. Existe uma antiga lenda de uma ilha chamada Antilla no oceano ocidental, habitada por portugueses, mas que ainda não p™de ser descoberta."

A versão do capitão Stevens acrescenta bastante à versão original. O texto original refere que os fugitivos fizeram-se ao mar para as Ilhas Afortunadas (Canárias ?), a fim de aí poderem preservar a sua raça. O texto menciona igualmente que essa ilha havia já sido alcancada pelos portugueses, sendo habitada por eles nas sete cidades que aí haviam construído: "tiene siete cividades".

Este último relato menciona uma movimentação a partir de Mérida, o que é perfeitamente credível, e o comando por um militar também seria admissível e natural numa deslocação efectuada em tais condições.

Existem portanto algumas provas factuais que podem apoiar esta versão da lenda.

Posted by ruipmartins at 08:23 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 21, 2005

A Coincidência

Parece que hoje finalmente começaram a chegar meios aéreos de combate aos incêndios vindos de França e Espanha em resposta a um pedido de auxílio É União Europeia enviado ontem.

O facto deste pedido de auxílio ter sido enviado no primeiro de dia funções de Sócrates, depois do seu regresso do Safari no Quénia dá razão a quem afirmou que o governo não estava a dar a devida atenção à grave situação de fogos que vivemos actualmente, e também a quem dizia que a fuga de Sócrates para o Quénia, abandonando o país e os portugueses, estava a prejudicar o andamento dos assuntos do governo e a maneira como o flagelo dos incêndios estava a ser combatido.

Ou será que tudo é uma simples coincidência?

Posted by ruipmartins at 07:05 PM | Comments (2) | TrackBack

Os Sangramentos Nasais: O que fazer e Como Evitar

1. A pessoa deve estar sentado ou parada, sem inclinar a cabeça para trás, se o fizer isso fará com que o sangue desca pela garganta dando a falsa impressão de ter parado o sangramento, o que na realidade, não aconteceu.

2. Limpe o nariz sem introduzir nada dentro das fossas nasais

3. Pressione firmemente com o polegar e os restantes dedos as narinas, como se estivesse a fechar o nariz perante um cheiro desagradável. Mantenha esta pressão por 5 minutos.

4. Mantenha a cabeça acima do nível do coração, sentado ou parado.

5. Pode aplicar gelo (envolto num pano) durante 3 ou 6 minutos, mas não mais.
6. Coloque um algodão húmido com o tamanho do dedo mínimo na fossa nasal e faça novamente pressão por 5 minutos.
7. Se ainda assim o sangramento persistir, leve o doente ao médico.

Para prevenir novos episódios:
a) Não se deve assoar violetamente nem introduzia nada no nariz. Para o limpar use soro.
b) Evite esforços ou actividades físicas intensas.
c) Por vezes, o médico recomenda a instalação de um humidificador do ar para combater o ar seco, uma das causas mais frequentes para sangramentos nasais. Noutras ocasiões a aplicação de vaselina no interior do nariz antes de deitar. Também é frequente o uso de uma solução salina com a mesma finalidade.

A situação reveste-se de relativa normalidade, mas deve ser reportada ao um médico se:
a) O sangramento não parar
b) Se é frequente
c) Se o paciente se sentir débil ou desmaiar
d) Se o sangramento fôr pela garganta e não pelo nariz


Fontes:
http://www.mipediatra.com.mx/infantil/epistaxi.htm
http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/hemorragias.htm#hnasal
http://kidshealth.org/teen/en_espanol/cuerpo/nosebleeds_esp.html

Posted by ruipmartins at 12:17 PM | Comments (0) | TrackBack

agosto 20, 2005

Sobre as dívidas ao fisco dos Clubes de Futebol

Depois das recentes asneiradas de Sócrates (fuga para o Quénia, Ota, TGV, etc.) perdi completamente a fé nas virtudes do dito.

Agora vem dizer que as dívidas são para cobrar, mas outros PMs já disseram o mesmo e recuaram sempre perante o Império da Bola. Duvido que desta vez seja diferente. Sobretudo com eleições à porta. O "aparelho" do Coelho nunca permitiria um movimento que ameaçasse o PS nos concelhos, e nestes é precisamente onde os clubes têm mais influência.

Posted by ruipmartins at 11:15 AM | Comments (1) | TrackBack

Parte 21: A Escrita Cónia: Sobrevivência das populações cónias na actual população portuguesa

Não é possível que a etnia que durante séculos habitou todo o sul do território português tenha desaparecido sem deixar na genética da actual população portuguesa qualquer vestígio. A inferior densidade demográfica que sempre caracterizou os territórios a sul do Tejo é um testemunho bastante elucidativo da inexistência de grandes invasões, com massas demográficas esmagadoras que tenham massacrado ou absorvido completamente as populações locais. Fenícios e gregos, embora tenham estado nesta região, nunca a colonizaram e a sua presença limitou-se a umas dezenas de indivíduos isolados nas feitorias costeiras, sem penetrações significativas ou permanentes no interior. Mais tarde, os romanos haveriam de apreciar esta região, construindo aqui várias villas e cidades na confluência de rotas comerciais terrestres, quase sempre sobre ou nos arredores de povoados indígenas, mas também com Roma, não houve uma verdadeira colonização, nem tão pouco haveria com os invasores muçulmanos. Sabe-se que os iemenitas, árabes e sírios ocupavam nas hostes muçulmanas posições de destaque, posições que também desempenhariam nas cidades islâmicas até à época da Reconquista Cristã. Mas estas etnias eram largamente minoritárias junto dos invasores muçulmanos, sendo que a sua esmagadora maioria era formada por populações berberes do Marrocos e da Argélia actuais. Estas populações norte-africanas, que se viriam a misturar facilmente com as populações indígenas eram oriundas da mesma matriz étnica dos indígenas, razão pela qual a sua integração seria tão fácil e natural. Mas todos estes invasores não destruíram significativamente a matriz étnica local e é essa que é possível ainda hoje observar em Alcácer do Sal.

Data de 1956 a publicação de um curioso estudo: “Mulatos no Concelho de Alcácer do Sal - subsídios para definição étnica das gentes do vale do Sado” da autoria de Manuel Gaio Tavares de Almeida. Neste texto, o autor escrevia assim: “Segundo me parece e pude depreender dos documentos consultados, os 'carapinhas do Sado' são o resíduo de uma raça oriunda de África que, não tendo representado, em épocas passadas, qualquer influência de ordem sociológica ou considerável peso demográfico mas apenas algum valor de ordem económica, vem em tempos modernos, por ironia do destino, a revestir-se de particular interesse". E ainda: "Na verdade, por muito estranho que possa parecer, este núcleo de gente teve já certa relevância internacional, prendendo não só as atenções mas chegando a ser usado como argumento nas teses de certos doutrinados racistas que não perderam a oportunidade de apontar a chamada 'zona negra do Sado' como índice e justificação plausível da tese da origem negróide dos portugueses” Nesta raça – e que tem exemplos na minha própria família – sobreviveria ainda hoje um traço desta população pré-indoeuropeia. Algo que, aliás, já o conhecido historiador Oliveira Martins havia defendido na sua “História da Civilização Ibérica” ao encontrar nos Cabilas da Argélia a matriz étnica original dos portugueses. Admitindo a tese deste historiador, os chamados “carapinhas do Sado” seriam os últimos sobreviventes destas populações indígenas, sobrevivendo através de milénios de invasões sucessivas vindas do norte, leste e sul, que, não sem haverem sofrido cruzamentos étnicos, haviam ainda mantido alguns traços distintivos originais e tipicamente africanos, tais como a tez escura da sua pele e o cabelo encarapinhado que caracteriza as populações africanas. É claro que a tese africana da origem dos portugueses colide que as teses que pretenderam fazer de nós povos celtas ou “arianos” (Leite de Vasconcelos) ou ainda povos semitas (Moisés Espírito Santo). A tese “africana” colhe contudo fortes argumentos da arqueologia pré-histórica do nosso território e até na genética (Cavalli-Sforza) e confere em absoluto com este estranho fenómeno étnico que são os “carapinhas do Sado”.

Com efeito, C. Sforza afirma no seu basilar livro “The History and Geography of Human Genes” que se uma língua pode desaparecer em apenas três gerações, geralmente em consequência de uma invasão em que um grupo numericamente reduzido de guerreiros impõe a sua cultura e língua às massas dominadas; esse grupo minoritário não pode fazer desaparecer os genes do grupo majoritário e estes podem ser observador durante dezenas de milhares de anos, muito para além da data máxima de sobrevivência de qualquer língua humana.

A tabela que Cavalli-Sforza apresenta sob o número 2.3.1.A “Genetic Distances between the 42 Populations” uma reveladora tabela que apresenta numerosos dados sobre as distâncias genéticas entre povos tão diversos como os Bantu e os Esquimós. Aqui, interessam-nos sobretudo os berberes, os bascos, os sardos, os gregos e os italianos. Todos estes povos são provavelmente testemunhos modernos da existência do Substrato Mediterrâneo resultante das migrações paleolíticas dos Capsenses. Não nos interessando todos os dados desta tabela, apresentemos somente aqueles que respeitam ao nosso tema:

População: Populações que lhe são próximas:
Berberes Ingleses (44); Dinamarqueses (61); Italianos (51); Gregos (69)
Bascos Ingleses (21); Dinamarqueses (34); Gregos (50); Sardos (55)
Sardos Gregos (30); Italianos (35); Ingleses (59); Dinamarqueses (61)
Gregos Italianos (34); Iranianos (70)
Italianos Ingleses (51); Dinamarqueses (72); Gregos (77)

Na tabela 2.3.1.B, Cavalli-Sforza apresenta ainda dados genéticos complementares da tabela 2.3.1.A:

População: Populações que lhe são próximas:
Berberes Ingleses (8); Italianos (9); Bascos (10); Dinamarqueses (10); Gregos (12); Iranianos (14)
Bascos Italianos (4); Ingleses (4); Dinamarqueses (6); Gregos (8); Sardos (11)
Sardos Gregos (5); Italianos (10); Ingleses (14); Dinamarqueses (14)
Italianos Ingleses (11), Dinamarqueses (13); Gregos (13)

Destes dados genéticos se pode concluir da efectiva proximidade entre estas populações mediterrâneas, nomeadamente entre Berberes, Italianos, Gregos e Sardos. Aqui também se observa um fenómeno que pode parecer estranho a quem conheça a posição de distanciamento tipológico entre os bascos e as demais populações europeias e que é a apresentação de proximidades entre estes e dinamarqueses e ingleses, algo que contudo pode ser explicado por serem todas elas populações periféricas, habitando ou em ilhas (locais onde a pureza genética resiste com mais intensidade às vagas de invasores). A proximidade constatada entre Berberes e Ingleses oferece alguma força às teses de Lewis Spence e à tese da origem mediterrânea comum quando se observa a sua proximidade em relação a gregos e italianos.

Posted by ruipmartins at 12:20 AM | Comments (1) | TrackBack

Desoptimus Anuncius

Na campanha publicitária que a Optimus conduz actualmente nas televisões observamos mais uma vez o mesmo tipo de personagens: jovens esbeltos e fisicamente perfeitos, provavelmente andróides ou criações digitais (sic) passeam-se numa praia ao som da música da operadora de telemóveis.

Do anúncio podemos deduzir que todos os clientes da Optimus devem ser jovens, ser fisicamente atraentes, isto é, demasiado gordos e demasiado magrou ou altos (moi!) são para abater e não devem usar telés da Optimus!

É para a percentagem fabulosa de 0,005% que a Optimus pretende alcançar como quota de mercado? Isto é que é ambição...

Posted by ruipmartins at 12:08 AM | Comments (1) | TrackBack

agosto 19, 2005

Soares Avança às Cegas Contra Cavaco

Soares não está igual a si próprio. Quem observou a sua última entrevista televisiva pôde aliás constatar isso mesmo.

Quando o nome de Cavaco começou a surgir como inevitável na Presidência porque no PS nenhum nome à altura surgiu, e Vitorino - uma vez mais - fugiu com o rabo à seringa Soares receou ter que viver os anos que lhe restam à sombra do "presidente" Cavaco, o seu arquirival favorito.

Assim avançou por cima de tudo e de todos, à custa de um dos seus mais antigos amigos e sem sequer pensar seriamente nas consequências deste avanço.

Posted by ruipmartins at 04:19 PM | Comments (2) | TrackBack

O Regresso do Filho "Pródigo"

O facto de a primeira deslocação de Sócrates depois das férias ter sido às instalações do Serviço Nacional de Bombeiros acaba por dar razão aqueles que - como eu - criticaram a ausência no Quénia do Primeiro Ministro. A escolha revela a existência de alguma "consciência pesada" sobre esta ausência prolongada em férias no Quénia e concede razão aqueles que como Marcelo Rebelo de Sousa criticaram o PM por esta ausência prolongada em período de crise.

Até à semana passada já tinha ardido tanta área florestal como durante 2004, trata-se por tanto de uma situação excepcional, e se o governo não precisa de Sócrates para ser bem coordenado, então, para que serve este PM afinal?

Posted by ruipmartins at 01:54 PM | Comments (2) | TrackBack

agosto 18, 2005

A obstrução

Na semana passada, ao passar pela Estação de Serviço de Grândola (curiosamente no recibo da Brisa aparece a estranha grafia "Grãndola" quando toda a gente sabe que se escreve Grändola...) encontrei esta bela situação bem característica da maneira portuguesa de estar perante o mundo...

A Lei Nacional obriga à existência de saídas de emergência neste tipo de locais e estas são construídas e mostradas à fiscalização no momento da construção e inauguração, mas depois, logo que entram em funcionamento arranja-se maneira de contornar a lei e obstruem-se as portas com uma coisa qualquer. As mortes que têm ocorrido em discotecas onde fecham com barras de ferro e vasos semelhantes um pouco por todo o mundo não parecem ter servido de lição a ninguém.

Enfim... Mais do mesmo!

Posted by ruipmartins at 06:25 PM | Comments (4) | TrackBack

agosto 17, 2005

Os Problemas da Energia Eólica

Agora que o governo Sócrates parece ter eleito a Energia Eólica como a grande aposta em energia alternativas importa talvez indicar que esta não é contudo completamente isenta de defeitos (como tudo na vida, suponho...) uma vez que não faltam artigos e fontes jornalísticas diversas que apregoam as suas virtudes:

a) A produção energética por unidade é baixa.

b) Existem grandes variações na produção de energia, dado que a fonte enérgica tem intensidade variável. Frequentemente estas variações não coincidem com as variações do consumo e logo, necessariamente, é necessária a construção de sistemas de baterias que permitam responder por estes desfasamentos

c) Somente alguns locais são adequados à instalação de geradores, nomeadamente aqueles onde a velocidade do vento é suficiente para alimentar as pás dos gerados durante a maioria do ano.

d) Os locais onde se constroem os geradores não devem ser habitados, dado que a rotação das pás interfere com transmissões de televisão, rádio e telemóveis.

e) Uma falha mecânica com um gerador - nomeadamente com pás que saltam dos eixos - podem ser perigosos, provocando mortos e feridos (se a construção do gerador violar a regra citada em d)) ou danos nos outros geradores.

f) Existe algum impacte junto do meio natural, nomeadamente resultante da necessidade de abrir clareiras para construir o parque eólico, as suas instalações de apoio e os acessos, e os riscos aos pássaros que podem pertencer a espécies protegidas.

Posted by ruipmartins at 11:58 AM | Comments (13) | TrackBack

agosto 16, 2005

Argumentos contra e a favor do uso da energia nuclear

PRO:
1. No Japão, onde a Energia Nuclear fornece 27% das necessidades energéticas do país, novas centrais estão a ser construídas ao ritmo mais alto do mundo.
CONTRA:
1. Na Suécia, onde a Energia Nuclear fornece 42% do total das necessidades energéticas, um Referendo Nacional ordenou o encerramento de todas as centrais do país.


PRO
2. A Energia Nuclear é uma das formas menos dispendiosa (custo por KW) de produzir energia eléctrica.
CONTRA
2. Entre 1971 e 1985 o custo de construir uma nova central nos EUA aumentou seis vezes (mais sistemas redundantes e de segurança)

PRO:
3. Os riscos de acidentes nucleares foi actualmente reduzido para um nível de probabilidade muito baixo.
CONTRA
3. Um acidente com uma Central Nuclear pode custar 50.000 mil mortos e 314 biliões de USDs em danos à propriedade "Atomic Industrial Forum, Inc., 1988"

PRO
4. O relativamente pequeno volume dos resíduos produzidos torna-os facilmente monitorizáveis e controláveis.
CONTRA
4. Ainda não existe tecnologia para eliminar todos os resíduos nucleares e o seu armazenamento a muito longo prazo não pode ser garantido.

PRO
5. Nos EUA, não existem relatos comprovados de problemas clínicos em trabalhadores de Centrais decorrentes do seu trabalho nestes locais.
CONTRA
5. Esta omissão pode resultar do facto dos danos das radiações serem geralmente provocados a longo prazo e do estabelecimento díficil de relação entre os mecanismos de causa e efeito.


Pode ler o original aqui

Posted by ruipmartins at 02:11 PM | Comments (5) | TrackBack

agosto 14, 2005

MovV (Movimento Quintano)

Após muito tempo (anos?) de maturação, rascunhanço e devoramento de livros creio ter construído as bases essenciais para a minha interpretação do mundo e do futuro de Portugal...

Comecei por publicar alguns Posts neste blog sobre o tema da situação de Portugal no Mundo e no seu Destino, sempre tendo em vista uma interpretação moderna e actual do mito fundador que é o do "Quinto Império" de António Vieira, Bandarra, Agostinho da Silva e Fernando Pessoa.

Após algun escrevinhanço, criei então o Blog: Movv (Movimento Quintano) que vai passar a receber cópias (ou originais) dos blogs sobre esta temática que continuarão a aparecer no meu blog pessoal que tem o expressivo nome que conhecem: Grunho...

Posted by ruipmartins at 04:19 PM | Comments (1) | TrackBack

agosto 13, 2005

Algumas Citações da Imprensa Espanhola

"Chega embriagado e sem Carta de Condução ao julgamento por conduzir embriagado"
La Voz de Galicia

"Um homem morre em palma depois de injectar silicone no pénis. Parece que o homem se injectou acreditando que isso iria fazer aumentar o tamanho do seu membro."
Ultima Hora de Balears

"Blair gastou mais de 2.600 euros em maquilhagem nos últimos seis anos"
Diario de Noticias de Pamplona

"As bodas heterosexuais são mais caras que as gays"
Diario de Cadiz

"Indemnizam uma mulher que escorregou num excremento"
Las Provincias de Valencia

"Um cavalo sodomiza um homem e mata-o"
Diario Vasco

"Recebem um postal enviado no ano de 1984"
Diari de Girona

"O cão mais feio do mundo ganha pela terceira vez o título. A sua dona assegura que partilha a cama com ele."
La Voz de Galicia

"Boda entre um bébe e um cão na Índia"
El Correio de Bilbao

"A Suiça celebra os 125 anos de Heidi, a sua heroína nacional"
Diario de Girona

Posted by ruipmartins at 05:38 PM | Comments (1) | TrackBack

agosto 12, 2005

Da Viabilidade de Portugal como país

Portugal tem a ímpar qualidade de possuir um Futuro que em lugar de ser uma concretização egoísta de um qualquer objectivo nacional, como sucede com a maioria dos países europeus, é a promessa do cumprimento de um destino universal e pan-nacional.

Este é verdadeiramente a razão pela qual Portugal não pára de se afundar, sem encontrar uma bóia onde se possa agarrar. Portugal está sem rumo, porque falta encontrar um Destino para Portugal, porque os nossos políticos estão desprovidos daquela qualidade que tínhamos em Quinhentos e que se chama de "Imaginação Criadora", uma qualidade que é particularmente rara nos norte europeus que são mais felizes na expressão prática de uma imaginação que radica na potência física dos germanos e na criatividade financeira dos Judeus que encontraram a Norte refúgio das perseguições católicas.

Mas em que difere Portugal e a Alma Portuguesa do resto da Europa? Em primeiro lugar há que distinguir na Europa os países que têm um coração messiânico daqueles que o não têm e é precisamente aqui que radica a grande diferença entre os países que são independentes por direito daqueles que o são por essência.

Nem todos os países europeus têm a mesma concepção de Independência e alguns deles apenas são actualmente independentes por acaso da História. A maioria dos pequenos países do norte e centro da Europa, como a Bélgica, o Luxemburgo, a Dinamarca, a Holanda e a divisão anómala dos países escandinavos.

Alguns países europeus têm contudo aquela partícula indefenível e essêncial que é a "alma". Por alma pretendo representar aquilo que os distingue dos seus vizinhos. Nesse sentido, "alma" é um conceito negativo, porque exprime apenas diferença e oposição. Mas existe um outro sentido, mais positivo, do conceito de Alma: a "Alma" é também a força emocional que um colectivo é capaz de exprimir em momentos de grande tensão.

A "alma" de um país resulta da conjugação concorrente de um conjunto de vectores de diversa natureza e que enunciaremos de uma forma muito breve nas linhas seguintes:
a) uma religião comum:
b) uma língua comum:
c) uma única etnia ou uma etnia mesclada uniforme:

Uma vez reunidos estes três elementos estamos perante as condições mínimas para assistir à erupção de uma nacionalidade. Mas a erupçâo de um "estado nacional" é mais difícil e complexa. Nesta última o "acaso" e o "destino providencial" assumem um papel vital e esse Estado incipiente só se consolida depois de um ou vários episódios violentos.

A Guerra de "libertação" ou de "independência" é determinante e indispensável para a eclosão de um Estado Nacional. Na verdade, quanto mais violento e sangrento fôr a "guerra fundadora" mais perene e viável será esse Estado, e quanto menos bélica fôr a "guerra fundadora" mais instável e autodestrutivo será esse Estado.

É como se a paixão das armas e o sofrimento que estas provocam fossem necessários para cimentar um aglomerado de gentes e ideiais reunidos por incidentes fortuitos e pelos insondáveis designios da Mãe Natureza no mesmo local geográfico.

Quando actualmente se assiste a expressões de reserva quanto à viabilidade de Portugal como país independente isso corresponde a um dos maiores absurdos que pode exalar uma boca humana. De todos os países europeus, Portugal é exactamente pelo contrário um dos Estados mais viáveis: com excepção do infeliz exemplo de Olivença as fronteiras nacionais estão consolidadas desde há mais de seiscentos anos. O território nacional forma um rectângulo quase perfeito que coincide por um lado com esse elemento formativo que é o Oceano Atlântico e por outro com a gigantesca e opressiva "Espanha"/"Ibéria". Portugal tem também uma única etnia e língua e está assim isento dos problemas estruturais de espanhóis, britânicos e belgas, entre outros. Do ponto de vista religioso, as raízes profundas da religiosidade portuguesa estão bem assentes num pano religioso pré-cristão, de matriz tripla, celta, sudibérica ou cónia e judaico-fenícia. Sobre esta matriz tripla foi deitado o vaso de azeite quente que foi o cristianismo que os portugueses beberam com tanta avidez, tanto que hoje por ele sentem fastio. Embora o cristianismo tenha permitido consolidar pela Fé o ardor combativo dos primeiros tempos da nacionalidade e da Expansão, levado ao extremo por mão de fanáticos arrastou o país até ao estado miserabundo onde hoje se encontra. Portugal teve igualmente a imensa sorte que foi a de ter mesmo a seu lado, um Império Castelhano falsamente designado de "Espanha" e que na sua voracidade ibérica tentou várias vezes engolir esta "Espanha". Como escreveu Agostinho da Silva, o grande milagre de Portugal foi o de ter conseguido manter-se independente numa Península Ibérica em que Castela anexou todas as outras nacionalidades.

Portugal é assim um país viável, e até mais do que isso. Um país cuja viabilidade transcende o seu próprio solo nacional, tamanha é a missão que o Mundo espera que ele venha a cumprir.

Posted by ruipmartins at 08:34 AM | Comments (2) | TrackBack

agosto 11, 2005

O perigoso e o obsoleto shuttle

O renovado incidente com o pedaço de espuma que se soltou do tanque principal do Shuttle Discovery, (idêntico ao ao que provocou o dramático acidente do Columbia em 2003) colocou o Shuttle na perigosa área que separa o sucesso da catástrofe... O receio da NASA de que algo corresse mal na reentrada do Discovery era tão grande que surgiram expressões exageradas como "um estrondoso sucesso", quando o principal sucesso da missão foi... não ter sido um fracasso rotundo...

A tecnologia do Shuttle é muito obsoleta, datando o conceito de finais da década de setenta e não tendo sofrido grandes actualizaçðes estruturais desde então. O grande problema com o Shuttle é aliás conceptual e resulta da existência do tanque central e dos boosters de combustível sólido nos seus flancos. Num dos meus primeiros livros de astronautica surgia no final um capítulo sobre o futuro das viagens espaciais, e neste uma longa secção sobre o Shuttle, sendo aqui expostos vários conceitos para a concretização de uma nave espacial reutilizável e em nenhum deles surgia aquilo que é hoje o Shuttle: um planador com foguetes assente sobre um tanque de combustível e com dois foguetes de combustível sólido. A maioria dos modelos apresentava um "avião" propulsado por combustível líquido e a solução actual surgiu apenas por ser uma solução barata e não por ser a melhor, mais eficiente ou a mais segura... A factura está agora a ser paga. Aqui como em tantas outras ocasiões, o barato acaba sempre por sair caro....

Posted by ruipmartins at 02:38 PM | Comments (1) | TrackBack

agosto 10, 2005

Voando pela TAP

Recentemente utilizei os serviços da TAP para viajar entre Lisboa e Faro. Como ultimamente pareço ter adquirir o desagradável hábito de enjoar em viagens longas de comboio, o avião pareceu-me uma boa - mas cara - opção. O vôo teoricamente, demorava uns 30 minutos, o que era significativamente melhor que as 4 horas do Intercidades. Hora e meia antes do vôo apresentei-me na Portela. Nos balcões de venda de bilhetes encontrei uma longa fila digna de qualquer repartição pública e ao fim de uns pouco minutos percebi que demoraria pelo menos meia hora até ser atentido. E a previsão concretizou-se.

Primeira Questão:
Se o passageiro leva tanto tempo na fila de espera para comprar o seu bilhete como em vôo isso não quererá dizer que algo está muito mal com o sistema de venda de bilhetes? Porque não tem a TAP máquinas de venda automáticas como a CP para os serviços Intercidades e Pendular? Porque não vende bilhetes pela Internet e pelo Multibanco? Ou será que preferem passar a imagem de deixar clientes em filas de meia hora?

Quando recolhi enfim o bilhete, dizem-me que é um bilhete "Free". Dito assim, parece coisa boa, tipo "Bilhete livre", oposto a "preso" ou "detido" que são coisas más, acho eu. Mas não, "free" significa outra coisa, significa "balda"' "desorganização". Bilhete "free" significa que não temos lugar marcado no avião - coisa que julgava impossível - segundo me explicaram as pessoas que têm bilhetes "free" entram no avião e sentam-se em qualquer lado, desde que não seja dentro dos reactores (parece que é um tanto desconfortável). Se depois chega o passageiro do lugar, levantam-se e passam para outro e assim por diante, até chegar ao momento da partida. Isso ou esperam pacientemente no fim da fila de entrada na porta (outra fila) e entram em último lugar na aeronave. Um primor de desorganização.

Segunda Questão:
Esta confusão dos bilhetes "free" será realmente necessária? Que ineficiência do sistema de reservas é que permite esta anomalia?

A TAP pode dos melhores pilotos e aviôes do mundo mas continua tão desorganizada como um formigueiro em dia de visita do papaformigas...

Posted by ruipmartins at 11:36 AM | Comments (4) | TrackBack

agosto 09, 2005

O Quinto Império: "melting pot"

O multiculturalismo do Quinto Império nada tem que ver com o suposto "melting pot" dos Estados Unidos. Multiculturalismo implica respeito e tolerância pelas culturas alheias e só pode existir respeito e tolerância se existirem culturas exteriores. Roma soube respeitar as culturas dos povos que conquistou tolerando as suas crenças religiosas sempre que estas respeitassem a administração e as leis romanas, o mesmo fizeram os portugueses até ao advento do fanático católico que foi Dom João II. Multiculturalismo não deve ser confundido com aculturação. Uma cultura suficientemente desenvolvida não pode ser fácilmente anulada e se um invasor pretender anular uma determinada cultura de um país estrangeiro que ocupa ou sobre o qual exerce uma forte influência acabará por criar contradições internas nessa cultura tão violentas que forçosamente acabarão por provocar uma explosão de violência, tanto mais intensa, quanto mais forte fôr a tentativa de aculturação.

A riqueza que advém dos intercâmbios culturais só pode existir enquanto existirem culturas diversas que possa interagir e o presente rumo do processo designado de "globalização" tende a anular as diferenças entre culturas, misturando tudo e todos numa amalgama imperceptível e disforme a que os crentes liberais de serviço chamam de "cultura global", mas que na realidade mais não é do que uma versão abastardada da cultura americana. As crianças etiopes que têm camisolas do Eminen, os nativos que combatem contra o imperalismo javanês em Irian Jaya com espingardas Kalashnikov russas e os índios amazónicos de calções Adidas são alguns dos símbolos desta abastardamento cultural que nos querem impôr como norma e como única via para um futuro que se apresenta cada vez mais incerto e cinzento.

A riqueza que existe na coexistênica pacfica de uma miríade de culturas diferentes é a verdadeira essência de um Quinto Império que não será português, mas universal. O Quinto Império deverá acolher no seu seio um conjunto de nações diferentes e independentes, oriundas de diversos continentes e religiões. Neste aspecto, Portugal ser apenas o percursor de um Quinto Império cujo âmbito se estenderá a todo o planeta Terra, numa verdadeira e perfeita "União Mundial" almejada desde sempre por Alexandre Magno, César e Napoleão, com diversos graus de mérito e honra.

O papel de percursor de Portugal advém da História de Portugal e da marca indelével que deixou no Mundo. Os países que ainda hoje usam o português como língua oficial estão particularmente bem posicionados para se colocarem como pioneiros desse movimento de unificação mundial que será o Quinto Império, única alternativa positiva ao processo neoliberal e ultraconservador que se oculta sob a designação "Globalização".

Posted by ruipmartins at 03:35 PM

De Férias, Senhor PM?

O que faz Sócrates no Quénia? Enquanto o país arde numa sucessao de incêndios que apenas a chuva misercordiosa consegue aplacar, o nosso Primeiro Ministro, que sendo o nosso "Primeiro" devia dar o exemplo e pelo seu Trabalho mostrar-se à altura da crise, está a "banhos" no Quénia perseguindo com a sua objectiva fotográfica leoes e elefantes.

Nao consta que os nossos reis de Quinhentos e de Oitocentos passassem férias no Quénia ou mesmo no estrangeiro. Sócrates parece nao ter compreendido a imensa potência do governo por exemplo, e o exemplo que dá é o mesmo daquele imbecil que em tempos governou Portugal por quatro meses e que ao fim de duas semanas já estava de férias na Quinta da Marinha.

A situaçao económica de Portugal é gravíssima e provávelmente irreversível no paradigma económico defendido por PS/PSD/PP e até em certa medida pelo PCP e pelo BE. Urge encontrar um verdadeiro modelo de desenvolvimento económico e social, verdadeiramente revolucionário, que leve Portugal de regresso ao crescimento e ao Mundo.

Gozar férias no estrangeiro é conceder um mau exemplo num período em que tantos portugueses empurrados para o crescente desemprego nao sabem como será o seu dia de amanha, nem como irao alimentar os seus filhos. Gozar férias no estrangeiro num mandato que dura no máximo quatro anos é indigno num cargo que se quer de "missao" e nao de "trabalho" ou "emprego". Um Primeiro Ministro verdadeiramente empenhado no seu cargo, nao pensaria sequer em gozar férias em Portugal ou onde quer que fosse e se ao fim de uns anos de bom desempenho conquistasse efectivamente esse direito fá-lo-ia em Portugal, dando emprego a portugueses e recusando frequentar unidades hoteleiras que empregassem mao-de-obra escrava e clandestina.

Mas talvez estejamos condenados a nunca ter um Primeiro Ministro â altura daquilo que o país precisa...

Posted by ruipmartins at 01:40 PM

agosto 08, 2005

O "Quinto Império": perenidade

Todos os impérios históricos que tentaram impôr a sua cultura aos povos que dominaram pela força das armas falharam. Os seus impérios sobreviveram algumas gerações mas logo soçobraram perante vagas irresístiveis de invasores de além-fronteiras ou sob o peso de revoltas dos povos oprimidos. Esse foi o destino de Roma, do Império Britânico, do Império Napoleónico e até do Comunismo na sua versão ecunémico-soviética. Todos falharam porque acreditaram ser possível transformar o mundo (ou pelo menos a parte dele que ocupavam) à sua medida e imagem. Perante a imensidão e impossibilidade da tarefa, esgotaram-se tentando defender territórios demasiado extensos (como o Portugal do século XVI) ou não sabendo até que ponto podiam crescer de um modo sustentado (como sucedeu com Roma e com os britânicos).

De todos estes impérios "universais" - universais no sentido em que ocupavam a maioria do mundo conhecido - dois estiveram particularmente perto de se tornarem no mítico Quinto Império: O Império Romano e o fátuo Império Macedónico.

Posted by ruipmartins at 05:21 PM

agosto 07, 2005

O Quinto Império: universalismo e multiculturalismo

O conceito de Quinto Império não radica o seu significado naquilo que simboliza a palavra latina "imperium", tida como símbolo da capacidade militar de impôr uma determinada vontade a um conjunto alargado de povos. Essa é a visão tardo-romana do destino de Roma, mas não é a do fundador do Império, Octavio/Augusto nem é a visão sobre a qual assenta a ideia de um "Quinto Império".

Porquê, "Quinto"? Se haverá um Quinto Império, quais foram os quatro precedentes? Existem diversas listas, divergindo todas elas num ou noutro ponto. Uma das listas mais comuns seria esta: Assíria, Babilónia, Roma e Macedónia. Sendo judaica a primeira referência aos Quatro Impérios, a lista pressupõe naturalmente a aparição de um quinto, que seria judaico, naturalmente, e de âmbito universal. E foi precisamente aqui que se encontrava a semente para a sua não concretização. É que o conceito de "império universal" só é compatível com a noção de universalismo e multiculturalismo que os judeus - devido às suas constantes guerras de sobrevivência - não puderam conceber, sendo ainda hoje uma das culturas mais autocentradas e intolerantes que se conheçe. Não é concebível a existência de um império universal sem a existência de uma regra de tolerância e multiculturalismo, um vez que nenhum Estado ou Nação é capaz de reunir forças militares ou económicas suficientes e por tempo suficiente para suster um império universal. Foi esse o erro da maioria dos fundadores de impérios do passado, desde Roma a Átila, e desde Vitória a Bush. Confundir universalismo com predomínio do Um sobre Todos é arrastar o império para o seu reino das possibilidades perdidas. Foi esse o erro dos impérios do passado e será este o oposto prometido pelo Quinto Império de Bandarra, Vieira e Agostinho.

Dito isto, o "Quinto Império" é tanto mais puro quanto menos português fôr. E tanto mais real, quanto maior fôr o espírito de tolerância e multiculturalismo, inatos, mas adormecidos no seio da Alma Portuguesa.

Posted by ruipmartins at 03:45 PM

A enfraquecida Rússia

O recente incidente com um minisubmersível russo ao largo da Península de Kamchakta tornou a levantar a questao:

Porque é que a Rússia e o seu "czar" eleito insistem em manter forças armadas estruturalmente semelhantes aos tempos que a URSS era uma superpontencia. Ora, hoje a Rússia nao é a URSS. Embora mantenha ainda muitas das suas fronteiras e apesar da alta dos preÇos do petróleo, os recursos financeiros disponíveis para as Forças Armadas sao uma fracçao daqueles que sao efectivamente necessarios. Como consequência, o treino, o reequipamento e a manutençao, sao feitos a níveis inferiores ao mínimo aceitável.

Este incidente, e antes dele o imensamento mais dranático incidente doi Kursk (dramático pelo número de mortos e por ter ocorrido num dos melhores navios da frota russa) sao apenas o prenuncio de uma vaga de acidentes que irá doravante abater-se sobre as forças armadas russas...

Posted by ruipmartins at 12:49 PM

agosto 06, 2005

O "ultimato" europeu ao Irão

O recente "ultimato" europeu ao Irão coloca questão de se saber que força tem efectivamente esta Europa para fazer vingar a sua força no mundo. Desde o final da guerra fria que os exércitos europeus não cessam de se reduzir e aumenta a obsolescência do seu equipamento. O mais poderoso exercito europeu, o britânico seria hoje incapaz de travar uma guerra como aquela que venceu na década de oitenta, nas Malvinas. A França e a Alemanha são uma sombras das potências que eram na década de 60.

Como pode esta Europa enfraquecida acreditar que pode influenciar o que quer que seja no Mundo?

Para que a Europa possa cumprir no mundo um papel compatível com a sua potência económica os sucessos recuos das verbas de Defesa têm que cessar e retomar um ritmo de lento - e razoável - crescimento.

Depender unicamente dos EUA para defender os seus interesses é arriscado, sobretudo porque coloca todos os europeus sob o caprichoso e imbecil designio de um dos mais idiotas presidentes do mundo...

Posted by ruipmartins at 01:57 PM

agosto 05, 2005

Sócrates, o TGV e o Pendular

Ontem fiz a viagem de Porto-Lisboa em Alfa Pendular. No decorrer da viagem foi possível ver a quem quer que estivesse no comboio uma sucessão incrível de incêndios de média e grande dimensão. Até Coimbra contei oito, depois, deixei de contar. Todos visíveis a partir da linha férrea. Foi uma visita ao país real, ardendo, com imensas torres de fumo subindo no céu e com um denso cheiro a madeira queimada e neblina de fumo invadindo toda a cidade do Porto.

Mas não é esta a razão deste Post - provavelmente o último durante duas semanas dado que vou de férias para Espanha e não se lá terei acesso à Net - a verdadeira razão deste Posto tem a ver, de novo, com o faraónico projecto do TGV:

O Alfa Pendular na viagem de ida e na de volta, atingia nalguns troços 230 Km/h conforme se via no mostrador electrónico presente em todas as carruagens. Mas na maioria do percurso andava a 100, 80 e até a 70 Km/h. Ao que parece devido às condições da via. Se assim é, porque não investir na renovação total da via Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid de modo a permitir que o Pendular alcance a sua máxima velocidade em vez de torrar mil milhões numa nova via, novos comboios, novos cais, etc? Não se vai conseguir quase o mesmo a um preço incomparávelmente menor?

Ou será que a teimosia Socrática vai assim tão longe?

Posted by ruipmartins at 01:25 PM

O Fabricante de Tapetes

"Esta história tem sido contada nos bazares do Iraque durante séculos e é realmente muito triste. Portanto, não riam."

"Abdul Hassan era um famoso fabricante de tapetes no reinado do Grande Califa, que muito admirava a sua arte. Mas um dia, quando estava a apresentar as suas obras na corte, ocorreu uma pavorosa catástrofe."

"Quando Abdul fez uma profunda vénia perante Harun-al-Rashid, descuidou-se."

"Nessa noite, o fabricante de tapetes fechou a sua loja, empilhou os seus haveres mais preciosos sobre um único camelo e abandonou Bagdad. Durante anos, vagueou, mudando o seu nome mas não a profissão, por terras da Síria, Pérsia e Iraque. Prosperou, mas sempre ansiava voltar à cidade onde nascera."

"Já era um velho quando, por fim se convenceu de que toda a gente se esquecera da sua desgraça e que já era seguro voltar ao lar. A noite caiu quando os minaretes de Bagdad ficaram à vista, pelo que ele decidiu repousar numa estalagem antes de entrar na cidade pela manhã."

"O estalajadeiro era falador e simpático, e Abdul sentiu-se deliciado em pedir-lhe novas de tudo o que ocorrera na sua ausência. Ambos estavam a rir de um escândalo na corte quando Abdul perguntou com ar casuak:"

"- Quando é que isso aconteceu?"

"- O estalajadeiro fez uma pause, pensativo, e depois coçou a cabeça,
- Não tenho a certeza - declarou ele - mas foi cerca de cinco anos depois de Abdul Hassan se ter peidado."

"O fabricante de tapetes nunca regressou a Bagdad."


In "O Martelo de Deus", Arthur C. Clarke, PEA

Posted by ruipmartins at 09:36 AM

A Grande Ameaça

"Tinha o tamanho de uma pequena casa, pesava nove mil toneladas e estava a mover-se a cinquenta mil km por hora. Quando passou sobre o Parque Nacional Grand Tenton, um turista atento fotografou a bola de fogo incandescente e a sua longa cauda de vapor. Em menos de dois minutos, tinha atravessado a atmosfera terrestre e regressado ao espaço."

"A mínima mudança de órbita durante os biliões de anos em que girara em volta do Sol, e poderia ter-se abatido sobre qualquer uma das grandes cidades do mundo - com uma força explosiva cinco vezes mais poderosa que a bomba que destruíra Hiroshima."

"A data era 10 de Agosto de 1972.

O Martelo de Deus, Arthur C. Clarke, PEA


Obs.: Só queria deixar uma pequena nota para nao perturbar o belo texto de ACC: A ameaça da queda de um meteorito é a maior ameaça isolada à existência da espécie humana no planeta Terra. É incompreensível como ainda não foi encarada como tal pelos governos do planeta e tudo o que existe é o pequeno "Space Guard" que pode ser consultado clicando aqui

Posted by ruipmartins at 12:43 AM

agosto 04, 2005

Porque ainda ardemos?

Com 39 incêndios lavrando matas e florestas um pouco por todo o país e com a sucessão de queixas de populares relatando a ausência de meios humanos e materiais por parte dos bombeiros, impõem-se colocar as seguintes questões:

a) Porque não profissionalizar as corporações voluntárias de bombeiros, dar-lhes ordenados decentes e treinamento a tempo inteiro, conferir-lhes meios operacionais que não dependem da esmola dos países do norte nem das quermesses de São João e formar um corpo nacional de Sapadores Bombeiros conforme ao exemplo norte-americano?

b) Porque não incluir nesta força profissional - e não mais "amadora" - um ramo aéreo e suspender os caríssimos contratos de Outsourcing com empresas de aviação estrangeiras?

c) Porque não dotar esta força de meios de transporte rápidos (aéreos e terrestres) que sejam capazes de os fazer deslocar muito rapidamente de um ponto para outro do país?

d) Porque não equipar esta força com UAVs de fabrico nacional (já existentes) e cobrir grandes zonas do território nacional com a vigilãncia oferecida por estas aeronaves?

e) Porque não formar corpos de bombeiros voluntários com os estudantes nas férias de Verão, formando assim a sua consciência cívica, dando bom uso ao seu entusiasmo juvenil e pagando-lhes ordenados adequados?

f) Para os proprietários que não limpam as suas matas, porque os seus rendimentos são demasiado baixos porque não promover a sua reunião em cooperativas (através de incentivos fiscais) que façam reduzir os custos de exploração?

g) Porque não usar a Engenharia Militar (dotando-a de meios adequados) para limpar e abrir estradas nas zonas florestais mais expostas a incêndios?

h) Porque não aumentar severamente as penas a aplicar a incendiários?

Porquê?

Não ficará mais caro deixar arder o país

Posted by ruipmartins at 11:29 PM

O Barril de Petróleo vai continuar a subir?

Embora alguns analistas afirmem que o preço do barril de petróleo vai subir até aos 200 USDs, começam a surgir vozes que apontam para as fragilidades dessa tese:

a) Provavelmente o maior responsável isolado pela actual alta de preços é o crescimento elevado da economia chinesa, ora, é pouco provável que esta consiga manter os mesmos níveis de crescimento durante muito tempo, e se o seu crescimento diminuir também diminuirá o seu consumo de petróleo...

b) O preço alto do Barril incentiva a exploração e o descobrimento de novas áreas de extracção;

c) A alta de preços pode levar a que fontes menos convencionais e de exploração mais difícil (como as areias betuminosas do Canadá) se tornem interessantes.

d) A entrada no mercado de novos fornecedores - decorrentes de novas descobertas e de novos métodos de exploração - vai diminuir a capacidade da OPEP de controlar o mercado e potenciará a redução dos preços impostos pelos países do cartel.

e) A alta de preços incentiva o desenvolvimento e a exploração de energias renováveis, tornando cada vez mais dispensável. Neste contexto, quanto mais subirem os preços, mais motivação haverá para o uso dessas fontes alternativas, como a energia solar e a eólica. Se nas últimas décadas houve relativamente poucos avanços na exploração destas energias, tal deveu-se principalmente ao baixo preço do barril de petróleo.

Posted by ruipmartins at 08:33 PM

"Nunca houve tantos talentos reunidos na Casa Branca desde que Thomas Jefferson jantou sozinho."
John Kennedy, para uma delegação de cientistas reunidos na Casa Branca

Posted by ruipmartins at 07:18 PM

O Paradoxo Iraquiano

"Queres ocupar o Iraque, e arranjar um novo Vietname?, pergunta um personagem a outro no filme "Três Reis" . O filme, cuja acção se desenrolava durante a primeira Guerra do Golfo, colocava uma questão que na época era impensável: estabelecer uma ocupação do Iraque... Aquilo que ontem era impossível tornou-se hoje um beco sem saída merçê da idiotia crónica de Bush...

Vencer o muito debilitado Iraque era um exercício simples para a única superpotência mundial, mas ocupá-lo é algo completamente diferente... A própria presença ocidental acicata os ânimos de iraquianos nacionalistas, antigos baasistas, e islamitas radicais, cologando-os contra um inimigo comum, quando na falta deste provávelmente se estariam a degladiar mutuamente na falta deste...

Bush ainda não parece ter compreendido que a melhor solução para o problema americano no Iraque é precisamente... Deixar o Iraque.

Posted by ruipmartins at 07:16 PM

Parte 4: Os Descobrimentos Portugueses: Os Primeiros Tempos Após a Conquista de Ceuta

Alexandre Lobato expressa a sua opinião sobre o assunto na sua obra "A Vida Quotidiana em Ceuta depois da Conquista":

Esta obra pretende ser um resumo da pesada e pouco acessível "Crónica de Dom Pedro de Menezes".

Neste seu livro o autor mostra como Ceuta foi um acto de cavalaria, com motivações:
-> Religiosas;
-> Sociais;
-> Políticas e
-> Económicas.

A conquista de Ceuta seria o resultado de uma mentalidade e só pelo estudo da mentalidade do século XIV é que se poderia alcançar a compreensão sobre as motivações da expedição.

Nesta obra vê-se como desde a sua conquista e até 1640 nunca a guarnição teve um período de paz duradoura:

A primeira escaramuça série verifica-se logo no primeiro mês após a conquista;

A partir de então começam a organizar-se cavalarias para afastar os mouros da cidade:
-> Estrutura-se uma defesa virada para a ofensiva:
1) Destroiem-se os Valados e Arvoredos nos arredores da cidade, uma vez que facilitavam as emboscadas e dificultavam as vigilância;
2) Paralelamente às cavalgadas é montado um sistema de escutas (de dia, as atalaias, durante a noite, as escutas própriamente ditas);
3) Nos planos de Dom Pedro de Menezes estava o ermamento das regiões circumvizinhas de Ceuta.
-> Em resposta a esta táctica, os marroquinos organizam uma guarda regular, montam barricadas nas aldeias vizinhas e tornam a luta numa autêntica Guerra Santa.


--------------------------------------------------------------------------------

Plano de Ermamento de Ceuta de Dom Pedro de Menezes:

A área coberta devia estender-se até uma légua em torno da cidade, valor que posteriormente aumentaria para 25 léguas.

Toda a navegação mourisca é atacada pelo corso português, aliás, será no decurso de um desses ataques que a vida do governador é colocada em risco, o que revelaria a existência de um forte espírito de cavalaria, quando o próprio comandante-em-chefe faz questão de comandar pessoalmente as suas tropas.

A "zona de segurança" da cidade alarga-se até às aldeias costerias marroquinas mais próximas, que são vítimas de ataques directos e contra os seus barcos, naquilo que é designado como saltos.


--------------------------------------------------------------------------------

Em 1416 surge a primeira tentativa de estabelecer a paz com os mouros, mas sem sucesso. Dois anos depois a guarnição enfrenta a primeira grande ameaça, que conseguirá repelir graças à chegada de reforços.

O isolamento da cidade acentuar-se-ia a partir de 1417 e, em 1418-19 dar-se-ia o primeiro grande cerco de Ceuta:

Os reforços pedidos por Dom Pedro de Menezes são reunidos por Dom Duarte;

Segundo Zurara, os mouros haviam conseguido reunir 122.000 soldados;
Quando os reforços (600 homens) conseguem chegar à cidade, já esta estava submetida a um segundo cerco;

Embora tenha sido Dom Duarte a reunir os recursos para o exército de socorro seriam os infantes Dom Henrique e Dom João quem lideraria a expedição;

Será depois do regresso do Infante Dom Henrique desta expedição que começa efectivamente a epopeia dos Descobrimentos Portugueses.

Posted by ruipmartins at 06:01 PM

agosto 03, 2005

Os Pandur e o Salto Tecnológico

Com o crescente erodir das exportaçðes portugueses baseadas em produtos tradicionais como os têxteis e o calçado não param de cair e agravam o já de si preocupante deficit da balança comercial portuguesa e o desemprego.

Todos os economistas e todos aqueles que seguem mais ou menos de perto a situação do país como este blogueiro concordam em que a saída para Portugal reside na mutaçãao da nossa indústria remanescente para produtos tecnologicamente intensivos. Contudo, muito pouco se tem feito nesta área, apesar dos prometidos "planos tecnológicos".

Neste aspecto, Paulo Portas, enquanto Ministro da Defesa dos anteriores governos PSD/PP tomou um conjunto de importantes decisðes, não somente necessárias para renovar o vetusto equipamento de todos os ramos das forças armads, mas também, e sobretudo, para renovar a base industrial da nossa economia: os Submarinos (opção discutível) e os novos veículos blindados Pandur obrigaram os fornecedores a transferir tecnologia e parte da produção para território nacional. Infelizmente, a opção de abandonar o projecto europeu A400M e adoptar o americano C130H deveu-se mais à compulsão de agradar ao "aliado americano" do que aos interesses nacionais... Mas apesar disso, o balanço do pontificado Portas na Defesa Nacional continua a ser positivo... Pena é que a assinatura final da construção dos Pandur austríacos tenha encalhado na secretária do actual Ministro da Defesa.

Posted by ruipmartins at 10:28 PM